NOTA DE REPÚDIO  - 1

 

Caros irmãos de fé, vamos mostrar nossa cara! Vamos mostrar nossa coragem! Vamos assinar e divulgar esse abaixo assinado ao maior número de cultuadores e simpatizantes das religiões afro-brasileiras e outras afins. Vamos reunir o maior número de assinaturas possíveis, talvez 5.000 ou mais para podermos enviar o abaixo assinado aos vereadores, deputados estaduais e federais, aos senadores e ministros de Estado, e até mesmo ao próprio Senhor Presidente da República, se preciso for, para reinvidicar o respeito à nossa religião e a nós mesmos enquanto cidadãos brasileiros e sacerdotes afro-religiosos que somos. Não podemos perder mais tempo.

Onde estão os milhares de umbandistas, candomblecistas e outros que não comparecem para a luta! Vocês estão sendo convocados à ela! Lembrem-se que nossos antepassados africanos lutaram para manter a religião afro viva no Brasil. Lembrem-se que muitos babalorixás e iyálorixás até foram presos defendendo sua fé e sua crença nos orixás, e graças a eles, hoje, você está ai cultuando essa religião maravilhosa. Você quer continuar  a ser chamado de Pai ou Mãe de Encosto (que como sabemos, é um espírito sem luz  e vulgarmente chamado de perturbado!) Até quando você vai ficar sentado em seu trono "dourado" esperando que os outros façam sua luta! Ser sacerdote de culto afro-brasileiro é muito mais que apenas fazer gira, fazer filhos de santo, fazer festas ou usar roupas bonitas ou exóticas! Ser sacerdote de uma religião, seja ela qual for, é lutar para defender a sua continuidade; é lutar para manter a sua liberdade de livre expressão, é lutar para que seu legado passe a seus filhos, netos, bisnetos e assim por diante. Não vamos decepcionar àquelas iyálorixás e aqueles babálorixás que sofreram todo o tipo de intimidação para que fechassem seus Terreiros e negassem a sua fé nos orixás, mas que souberam resistir aqueles ataques. Vocês já conhecem bem essas histórias, pois certamente já as ouviram de seu babálorixá ou de sua iyálorixá. Vamos ser Zumbi dos Palmares! Vamos ser guerreiros como o são nossos orixás! Não vamos decepcioná-los. Se você não lembra de alguma dessas histórias (verídicas) há registros delas nos romances de Jorge Amado (Tenda dos Milagres e Tereza Batista Cansada de Guerra) ou no livro "Com a Bandeira de Oxalá", de Cristiana Tramonte, (tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Santa Catarina), por exemplo.

Espero, meu irmão de fé, tê-lo acordado e feito levantar-se de seu "trono dourado" para refletir, de olhos bem abertos, sobre o futuro da religião afro-brasileira; pois se continuarmos refletindo de olhos fechados, quando os abrirmos não haverá trono algum (aquela cadeira onde sentamos nós, os sacerdotes com Terreiros abertos) para sentarmos, porque não haverá mais religião afro-brasileira para cultuarmos. Lembrem-se que em África muitas guerras foram perdidas porque nossos ancestrais lutavam com arcos, flechas, lanças e tacapes contra inimigos que lutavam com mosquetes, espingardas e canhões. Foram armas como essas que destruíram Palmares! Aqueles que querem nos destruir são ferozes quanto dragão botando fogo pelas ventas, queimando e destruindo tudo o que vem e vêem pela frente; nós somos tal qual frágeis andorinhas que só dispõem da sua velocidade para escapar do ataque do dragão.

Reflita: se você quer continuar sendo chamado de pai e mãe de encosto, então continue encostado em seu "trono dourado", de olhos fechados,  fazendo de conta que isso não lhe diz respeito, mas lembre-se que isso está afetando seus pares, babalorixás e iyálorixás, sacerdotes da religião afro-brasileira, como você o é, e logo isso fatalmente irá afetar você também. Provavelmente quando isso acontecer, talvez já seja tarde para outros seus irmãos e irmãs de fé, babalorixá ou iyálorixá igual a você. Talvez também já seja possa ser tarde demais para você reagir, e seu "trono dourado" já tenha virado cinzas, queimadas pelo dragão. 

Mais ainda há esperança! Lembram-se do exemplo do graveto para demonstrar resistência contra a força física? Nós podemos ser iguais a esses gravetos. Se formos pegos um a um, tal qual ao graveto, seremos quebrados; mas se formos pegos todos ao mesmo tempo, nós resistiremos tal qual madeira forte.

Axé e Luta!!!

Babalorixá Omobaomi