ALMAS E ANGOLA
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O Ritual de ALMAS E ANGOLA teve sua origem no Rio de Janeiro, Estado que também serviu de berço para o surgimento da UMBANDA.
A UMBANDA surgiu em 1908, a partir da primeira incorporação do médium Zélio de Moraes.
UMBANDA e ALMAS E ANGOLA são na realidade manifestações "ritualístico/religiosas" distintas, apesar de utilizarem muitas coisas em comum, como por exemplo a incorporação de espíritos como : índios, velhos escravos, crianças, etc.
Muitos são os terreiros de ALMAS E ANGOLA, por exemplo, que se reconhecem como UMBANDA em ALMAS E ANGOLA, porém é muito importante lembrar que a UMBANDA em suas atividades internas é muito diferente de ALMAS E ANGOLA, principalmente na forma de cultuar os Orixás. Em ALMAS E ANGOLA por exemplo, existem rituais internos denominados "FEITURAS DE ORIXÁS" ou camarinhas. Nessas atividades o médium é "raspado", "catulado" e como ocorre no CANDOMBLÉ, sai ao público em sessão especial denominada "SAÍDA DE CAMARINHA".
ALMAS E ANGOLA e UMBANDA não podem ser vistas como uma mesma prática ritualístico / religiosa, pois tem suas características internas próprias, ou seja , realizam rituais distintos, apesar de terem se originado de troncos quase comuns.
A Origem do ritual de ALMAS E ANGOLA, ainda hoje é motivo de questionamento. Há quem afirme ser o ritual de ALMAS E ANGOLA originário da CABULA, movimento religioso oriundo do sincretismo afro-católico ainda ocorrido no período da escravidão, principalmente nas áreas rurais. A CABULA, segundo pesquisas refere-se aos rituais negros mais antigos, envolvendo imagens de santos católicos, herança da fase reprimida do CANDOMBLÉ, onde os negros mesclavam crenças e culturas. Quando no final do século XIX ocorre a libertação dos escravos, a CABULA já era presente como atividade religiosa afro-brasileira. Talvez a própria UMBANDA, tenha herança na CABULA, pois mantém forte a presença do Orixá em sua pratica doutrinária.
No Rio de Janeiro, antes mesmo da origem oficial da UMBANDA (1908), eram comuns práticas afro-brasileiras similares ao que hoje conhecemos como CABULA, OMOLOCÔ e ALMAS E ANGOLA. Talvez o surgimento da UMBANDA tenha fornecido uma linha comum, possibilitando uma prática mais ordenada, orientada no desenvolvimento da mediunidade e na prática da caridade e auxílio a população pobre e marginalizada.
Um importante fato histórico ligado ao ritual de ALMAS E ANGOLA, e quemerece ser registrado, é o "Terreiro do BABALÂO LUIZ D'ANGELO (clique no nome ao lado para ver foto histórica), localizado na Rua Iguaçu Nº57, no Bairro Engenho Leal - Estação do Trem - Rio de Janeiro. Segundo as pesquisas, o Babalâo Luiz D'Angelo praticava em seu terreiro o ritual de ALMAS E ANGOLA e foi ele que trouxe o ritual para Sta Catarina. Antes de abrir seu terreiro Luiz D'Angelo era filho de santo da Tenda Espírita Caboclo Tuiti, localizada no Bairro Cordovil, também no Rio de Janeiro. Foi nessa tenda que GUILHERMINA BARCELOS (Mãe Ida) (clique no nome ao lado para ver foto histórica) conheceu Luiz D'Angelo e o ritual de ALMAS E ANGOLA.
O ritual de ALMAS E ANGOLA era praticado na Tenda Espírita Fé Esperança e Caridade de Luiz D'Angelo tendo como particularidade, daí a sua distinção da UMBANDA, as obrigações de camarinha. Nessas obrigações os médiuns eram graduados, começando pelo Batismo, passando pelo "Obori" ou obrigação de Anjo da Guarda, posteriormente pela obrigação de Pai ou Mãe Pequena e finalizando com a obrigação de Babalâo (homem) ou Babá (mulher). As obrigações de SETE, QUATORZE e VINTE E UM anos reforçam a obrigação de Babalâo ou Babá e fazem parte da atual fase do ritual já em Sta Catarina.
Santa Catarina conhece o ritual de ALMAS E ANGOLA após o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), quando Mãe Ida viaja com seu esposo para o Rio de Janeiro, a pedido de suas entidades espirituais, para buscar novas orientações no que se referia ao culto aos Orixás. Na época, Mãe Ida já tinha um terreiro de umbanda desenvolvendo muitos filhos de santo. A necessidade de fortalecer seus filhos com obrigações mais "fortes" (conta Mãe Ida) a fez buscar novos recursos dentro da cultura afro.
Foi no Rio de Janeiro, na Tenda de ALMAS E ANGOLA do BABALÂO LUIZ D'ANGELO (clique no nome ao lado para ver foto histórica), que Mãe Ida realiza, em janeiro de 1949, sua primeira obrigação no novo ritual. Na época com 29 anos, Mãe Ida se consagra como a primeira pessoa em Santa Catarina a entrar para o ritual de ALMAS E ANGOLA.
De 1949 até 1951, Mãe Ida faz algumas viagens ao Rio de Janeiro com o objetivo de conhecer o ritual mais diretamente, pois afinal já era de seu interesse converter seu terreiro até então praticante de UMBANDA para o ritual de ALMAS E ANGOLA.
Após um período necessário de adaptação, em 1951, Luiz D'Angelo vem à Florianópolis e oficialmente "abre" a TENDA ESPÍRITA SÃO GERÔNIMO (clique no nome ao lado para ver foto histórica) no Bairro dos Saco dos Limões, primeira Tenda de ALMAS E ANGOLA fundada em Sta Catarina.
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Mãe
Tereza, Mãe Ida e Pai Evaldo
O ritual de ALMAS E ANGOLA foi praticado durante muitos anos na TENDA ESPÍRITA SÃO GERÔNIMO (clique no nome ao lado para ver foto histórica), no bairro Saco dos Limões por Mãe Ida. Nesse período inúmeros filhos de santo foram iniciados no ritual e alguns deles receberam a graduação de Babalâo e Babá, e a partir daí abriram seus próprios terreiros, ou em alguns casos de pais ou mães de santo com terreiros já montados e praticantes de outros rituais, trocaram sua prática anterior para o ritual de ALMAS E ANGOLA. Nesse período começa a se firmar o ritual na Grande Florianópolis.
Nas décadas de 50 , 60 e 70 o ritual de ALMAS E ANGOLA praticado em Sta Catarina já sofria algumas alterações quando comparado com o do Rio de Janeiro, porém em muitos pontos mantinha-se fiel aos ensinamentos trazidos por Luiz D’Angelo.
Com a entrada de GUILHERMINA BARCELOS (Mãe Ida) (clique no nome ao lado para ver foto histórica) para o Candomblé, as mudanças no ritual passam a ser marcantes, fato comum ainda hoje. Conforme relata a própria Mãe Ida, ela resolve entrar para o CANDOMBLÉ , satisfazendo um interesse pessoal em dar aos Orixás determinados "fundamentos" que não eram comuns à ALMAS E ANGOLA. Inicialmente Mãe Ida faz uma obrigação em NAGÔ IGEXÁ, posteriormente em "TORIEFAM" e por último em KETO. Perguntada sobre as mudanças de rituais e sabendo ter sido ela a precursora do ritual de ALMAS E ANGOLA em Sta Catarina, Mãe Ida diz que na época foi fortemente atraída pelas possibilidades que o CANDOMBLÉ oferecia em termos de culto aos Orixás. Atualmente, quando comparamos o ritual praticado no Rio de Janeiro com o que se pratica em Santa Catarina, é possível identificar a forte presença de características adquiridas por influência do Candomblé.
As poucas casas de ALMAS E ANGOLA, mesmo com o desligamento oficial de Mãe Ida, continuaram praticando o ritual de ALMAS E ANGOLA. Como exemplo podemos citar os terreiros de: Pai Evaldo, no bairro Bela Vista/São José ; Pai Fagundes, no bairro Saco dos Limões/Florianópolis ; PAI TÊLES, NO BAIRRO JARDIM ATLÂNTICO/FLORIANÓPOLIS (clique no nome ao lado para ver foto histórica), todos filhos espirituais de Mãe Ida - e também o terreiro de Pai Orlando*, no bairro Bela Vista 1/ São José - filho espiritual de Luiz D'Angelo.
* (Orlando Linhares Sobrinho - Pai Orlando, em 1976 viaja para o Rio de Janeiro e realiza sua obrigação de Babalâo. Segundo relatos, nesse período o ritual de Almas e Angola praticado em Santa Catarina, já sofria algumas alterações em relação ao do Rio de Janeiro, motivo que o levou a procurar Luiz D'Angelo para que o consagra-se Babalâo. Pai Orlando afirma que hoje em Sta Catarina não encontram-se terreiros que pratiquem o ritual da mesma forma que era praticado no Rio. Acredita Pai Orlando que essas mudanças sejam resultado da influência exercida pelo Candomblé, pois afinal, no ritual original de ALMAS E ANGOLA os orixás eram cultuados de forma muito "simples", a começar pelas oferendas ou comidas de santo. Pai Orlando foi um dos últimos filhos de santo "feito" por Luiz D'Angelo).
No final da década de 70, poucos eram os terreiros praticantes do ritual de ALMAS E ANGOLA, porém os números de adeptos e de novos iniciados ao ritual crescia, principalmente na década de 80. É nesse período que são inaugurados vários terreiros mantedores do ritual. Segundo pesquisa, a maior parte dos terreiros de ALMAS E ANGOLA que hoje a praticam, são raízes da Tenda Espírita Jesus de Nazaré, fundada e dirigida ainda hoje por EVALDO LINHARES ( Pai Evaldo). É importante registrar que a Tenda Espírita Jesus de Nazaré é o terreiro mais antigo e em atividade no Estado.
Na Tenda Espírita Jesus de Nazaré , o ritual de ALMAS E ANGOLA passa por algumas modificações, ou seja, as obrigações de reforço de 7, 14 e 21 anos, não existentes no ritual no Rio de Janeiro, passam a fazer parte dessa nova fase.
Conversando com Mãe Ida sobre as obrigações de 7, 14 e 21 anos, ficou claro que, no ritual praticado no Rio de Janeiro, essas se limitavam as feituras de Babalâo e Babá. Os chamados reforços foram "criados" por Pai Evaldo , inclusive algumas guias (colares de contas). A guia de sete fios, por exemplo, usada após a obrigação de Sete Anos é uma "criação" de Pai Evaldo.
Segundo Pai Evaldo, após a realização da obrigação de Babalâo e já praticando o ritual de ALMAS E ANGOLA e sendo na época a maior casa de santo do Estado mantenedora de uma das maiores correntes mediúnicas , era preciso continuar o ritual, mesmo sem a presença de Mãe Ida. E foi assim , que com ajuda de seus mentores e guias espirituais, principalmente do caboclo Peri, que Pai Evaldo , manteve-se "fiel" ao ritual por ele assumido.
Ao completar seus sete anos de obrigação em ALMAS E ANGOLA , Pai Evaldo procura novamente Mãe Ida e pede seu auxílio no sentido de orienta-lo quanto aos procedimentos necessários para seu fortalecimento, pois afinal , a dedicação quase total aos trabalhos espirituais exigiam um reforço, ou seja, um fortalecimento dele enquanto médium. Mãe Ida que na época praticava o ritual de CANDOMBLÉ, segundo relatos do próprio Pai Evaldo, já estava muito comprometida com o seu novo ritual , ficando impossibilitada de atender o pedido de seu filho, naquele momento. Consultando seu caboclo, o mentor dirigente do terreiro, Pai Evaldo resolve buscar auxílio com Pai Orlando (Nessa época Luiz D'Angelo já havia falecido) e orientado pelo próprio Caboclo Peri e auxiliado por Pai Orlando realizou sua obrigação de SETE anos, iniciando aí uma fase nova dentro do ritual de ALMAS E ANGOLA. Segundo os mais antigos praticantes do ritual, essa fase faz surgir uma bifurcação no ritual, criando duas correntes em ALMAS E ANGOLA. Uma corrente que segue o ritual com as alterações criadas por Pai Evaldo e outra que mantém as características originais trazidas por Luiz D'Angelo em 1951(Apesar de algumas mudanças).
Conversando com Pai Orlando, fica claro que o ritual de ALMAS E ANGOLA, hoje praticado, é bem diferente daquele realizado no Rio de Janeiro. Como exemplo, podemos citar as feituras do Orixá OBALUAÊ; no Rio de Janeiro esse Orixá não era "feito". Luiz D'Angelo não fazia filhos de OBALUAÊ, pois afinal, esse Orixá era considerado o Senhor das Almas . No Rio de Janeiro, no Terreiro de Luiz D'Angelo a imagem desse Orixá ficava separada em um altar especial.
Atualmente, sabendo-se de algumas alterações que ocorreram no ritual de ALMAS E ANGOLA e reconhecendo a forte influência de Pai Evaldo no culto em Sta Catarina é oportuno mencionar que dos atuais terreiros que praticam o ritual, 90% seguem as práticas e as adaptações criadas por Pai Evaldo.
De 1951, até os dias atuais, encontramos uma série de mudanças ocorridas no ritual, principalmente no que se refere as cerimônias externas. Se no início as obrigações se limitavam a graduação de babalâo e Babá, hoje o mesmo não acontece. Para o ritual e ouvindo as explicações de Pai Evaldo, é possível compreender os motivos que o levaram as adaptações realizadas em seu terreiro. Conforme ele mesmo relata, após a entrada de Mãe Ida no CANDOMBLÉ, muita coisa mudou. Segundo ele, manter o ritual , principalmente com a "saída" de Mãe Ida , passou a ser um desafio. Mas , conforme relatos do próprio Pai Evaldo, foi graças aos seus mentores, destacando o Caboclo Peri, o Exú Maré e o Preto Velho Pai Adão, que o ritual se manteve em seu terreiro , com a mesma força e energia, pois segundo ele , o ritual sem os mentores , os guias não conseguiria se manter. Conforme diz Pai Evaldo , "OS RITUAIS SÃO CRIAÇÕES DO PRÓPRIO HOMEM, E SENDO ASSIM SÃO PASSÍVEIS DE MUDANÇAS". Fazendo uma comparação entre o ritual praticado no Rio de Janeiro e o atualmente praticado em Sta Catarina é evidente que as mudanças realizadas foram necessárias e oportunas.
Outro momento importante para o ritual de ALMAS E ANGOLA em Sta Catarina, foi a obrigação de 14 anos realizada por Pai Evaldo. Na ocasião, buscou novamente com Mãe Ida o resgate as origens de ALMAS E ANGOLA e com ela realizou sua obrigação, confirmando aí a necessidade de se manter em obrigações e reforços, mesmo após a realização da feitura ou graduação de Babalâo ou Babá. Em 1986 com a realização do primeiro reforço de 14 anos no ritual de ALMAS E ANGOLA em Sta Catarina, realizado pelas mão de Mãe Ida, o ritual vira uma nova página em sua história, consolidando-se como uma forte raíz no Estado.
No Rio de Janeiro, que foi berço do ritual de ALMAS E ANGOLA, são raros os registros sobre o ritual, as poucas informações se limitam a histórias contadas por aqueles que de alguma forma conheceram Luiz D'Angelo.
Hoje, viajando para o Rio de Janeiro é possível identificarmos as práticas da UMBANDA e do CANDOMBLÉ, porém de ALMAS E ANGOLA não existem registros atuais de nenhum terreiro praticante desse ritual. Isso nos leva a crer que o ritual de ALMAS E ANGOLA, que encontrou na década de 50 um espaço aberto e amplo para sua instalação em Sta Catarina , aqui permaneceu, cresceu, mudou em alguns pontos e se fez representar , inclusive para o restante do Brasil, pois afinal esse ritual outrora carioca é hoje , quase que exclusivo de Sta Catarina.
Em 1979 com a morte de Luiz D'Angelo no Rio de Janeiro, aos 68 anos , o ritual de ALMAS e ANGOLA vira uma página importante de sua história. Em Santa Catarina novas páginas estão sendo escritas contribuindo para o registro e resgate dessa história que com certeza ainda se faz.
O SIGNIFICADO DO TERMO ALMAS E ANGOLA
O termo ALMAS E ANGOLA é originário do Rio de Janeiro. Segundo Guilhermina Barcelos (Mãe Ida), quando de sua primeira visita ao Rio de Janeiro em meados de 1929, já era comum o uso do termo ALMAS E ANGOLA, inclusive quando conheceu Luiz D'Angelo ele já era Babalaô "feito" em Almas e Angola.
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Mãe Tereza e Mãe Ida
No Rio de Janeiro até 1940, era comum encontrarmos inúmeros termos para identificar os diversos rituais afro-brasileiros praticados na época. Segundo pesquisas, existiam no Rio os termos: Umbanda de Mesa, Umbanda de Almas, Almas e Angola, Umbanda de Angola entre outros. Todos praticantes da doutrina Umbandista somados a rituais afro oriundos da cultura negra no país. A Angola, fortemente representada no Rio de Janeiro, trazida pelos escravos Bantus, influenciou os rituais existentes na época, pois afinal a mesma influência acontece no nordeste/Bahia com os escravos Sudaneses.
ALMAS E ANGOLA ,segundo Guilhermina Barcelos (Mãe Ida) teve forte influência da ANGOLA praticada pelos terreiros no Rio de Janeiro. Luiz D'Angelo, segundo conta , tinha um irmão de santo angolano, que muito o influenciou, principalmente no tocante a feituras de santo (Orixás).
ALMAS E ANGOLA, mescla as culturas dos Orixás africanos com o culto aos ancestrais (espíritos de mortos). O termo ALMAS está fortemente representado pelos espíritos dos negros ancestrais africanos, que aqui deportaram trazidos pelo tráfico negreiro, e que hoje se manifestam como mentores, guias, os chamados pretos velhos. São também representados nos terreiros de ALMAS E ANGOLA os ancestrais de índios brasileiros, os chamados caboclos, que "curimbam" nos terreiros e fazem sua caridade nos passes e consultas. O interessante no ritual é o fato de conviverem harmonicamente entidades ou falanges de diferentes origens, ou seja, pretos-velhos e caboclos trabalham conjuntamente nos terreiros, apesar de na maioria das vezes serem envocados (chamados) em sessões distintas.
"No Rio de Janeiro o ritual de ALMAS E ANGOLA era praticado obedecendo alguns pontos importantes", comenta Orlando Linhares (Pai Orlando). As sessões eram realizadas segundas, quartas e sextas. "Em ALMAS E ANGOLA, todos os trabalhos devem iniciar na Segunda-Feira, em respeitos as ALMAS" afirma mais uma vez Orlando Linhares (Pai Orlando).
O ritual de ALMAS E ANGOLA praticado no Rio de Janeiro tinha como característica principal, a utilização de uma escala espiritual, ou seja, as SETE LINHAS ou Falanges.
AS SETE LINHAS DENTRO DE ALMAS E ANGOLA / RIO DE JANEIRO
LINHA DE OXALÁ
LINHA DE XANGÔ
LINHA DE OGUM
LINHA DE OXOSSE
LINHA DE POVO D'AGUÁ ( Nanã, Yemanjá, Oxum e Inhasã)
LINHA DAS BEIJADAS
LINHA DAS ALMAS
A linha das ALMAS é chefiada por OBALUAÊ e estão incluídos nessa linha os Pretos-Velhos, Caboclos, Exús e Pomba-Gira.
Conforme relata Orlando Linhares (Pai Orlando), Obaluaê representa a força do Ritual de Almas e Angola. Segundo ele, no Rio de Janeiro as incorporações de Obaluaê aconteciam durante as aberturas dos trabalhos, quando eram cantados os pontos para salvar as ALMAS. Na maioria das vezes, o médium era derrubado no chão (desmaiado) quando entrava em transe com esse guia. Obaluaê, no Terreiro de Luiz D'Angelo tinha um Altar Especial, pois era tido como a força de ALMAS E ANGOLA.
Atualmente, na Grande Florianópolis, Obaluaê continua tendo um lugar de destaque nos altares de terreiros que praticam o ritual de ALMAS E ANGOLA. Além de também ter um lugar de destaque na Casa das Almas.
O termo Almas, chefiada por Obaluaê, representa os chamados Orixás Menores (são aquelas entidades espirituais que fazem a mediação entre o ser humano e o Orixá Maior).
O termo ANGOLA, está diretamente ligado aos Orixás Maiores, também cultuados no ritual, que segundo Evaldo linhares (Pai Evaldo) e Guilhermina Barcelos (Mãe Ida), representam as forças da natureza, e que nas sessões de camarinha envolvem o médium de força intensa. Em sessões outras, fora da camarinha os orixás envocados e que incorporam nos médiuns, são representações dos próprios orixás, ou seja, são os chamados "Eguns dos Orixás" ou "Orixás Menores" .
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Pai Evaldo e Seu
Filho de Santo Giovani Secretário Geral da TECCV
Almas e Angola não é UMBANDA e nem tão pouco CANDOMBLÉ, pois afinal segue rituais próprios e doutrina específica. Por muitos seguidores é uma nação, porém não deve ser desvinculada da prática original, onde envolve culturas afro e ameríndias, voltadas para a caridade e o auxílio ao próximo.
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ORIXÁS
OS ORIXÁS VISTOS NO RITUAL DE ALMAS E ANGOLA
Quem são os Orixás? Esta é uma pergunta que a maioria das pessoas que freqüentam cultos afro-brasileiros fazem a si mesmos e a outros. Orixás são entidades espirituais, dizem uns. Orixás são forças da natureza, dizem outros. Orixás são espíritos de mortos que dependendo do lugar onde morreu pode retornar na forma espiritual como Ogum, se morreu em batalhas, Povo d`Água se morreu no mar, rio ou lago. Todas as alternativas podem estar certas, contudo elas sofrem o inconveniente de serem muito superficiais, haja vista que o orixá deve ser algo muito mais complexo.
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Saída de Camarinha / Oxalá
Para os seguidores dos rituais de Almas e Angola, os orixás além de simples forças da natureza ou entidade espirituais, dividem-se em duas categorias - Orixá Maior e Orixá Menor.
Orixá Maior é aquela entidade celeste que faz com que a natureza tenha movimento, se transforme e gere vida. É a essência da vida.
Por exemplo, Yemanjá é responsável pelo formação e manutenção da vida marinha. Xângo é o responsável pelo energia do trovão que desencadeia as tempestades que limpam a atmosfera. Nanã faz com que a chuva que cai na terra gere nova vida orgânica. Inhasã é a responsável pela limpeza do ar atmosférico e com seus ventos espalha a vida, como pólens. Exú é o Orixá responsável pelo desejo sexual que gera vida nas espécies sexuadas.
O Orixá Maior é pura energia, não passou pelo processo de encarnação como seres humanos.
Ele é pura energia cósmica, a força vital que tem origem em Olorum/Zambi e que faz com que a mecânica do universo oscile entre o caos e a ordem gerando vida. Eles são chamados apenas pelo primeiro nome, Ogum, Xângo, Oxum, Omulú... O Orixá Maior é uno e onipresente.
Orixás Menores são aquelas entidades espirituais que fazem a mediação entre o ser humano e o Orixá Maior. Os Orixás Menores são, conforme as diversas lendas africanas, espíritos de antigos reis e heróis africanos, índios, orientais, etc. Em essência, os Orixás Menores podem ser qualquer ser humano. Toma-se por base, por exemplo as lendas de Xângo e Ogum. Esses seres humanos comuns, por terem sido abençoados com poderes sobrenaturais concedidos pelos Orixás Maiores, tornaram-se seres humanos especiais dotados de superpoderes físicos ou mentais para proteger seu povo; e que após a sua morte voltam a ter contato com os seres humanos comuns na forma de Orixás Menores. Esses seres humanos especiais seriam como semi-deuses.
O Orixá Menor possui o mesmo nome do Orixá Maior de onde provem seus poderes, acompanhado de um sobrenome. Por exemplo, Ogum Beira-Mar, Yemanjá Obáomi, Xângo Kaô...A este segundo nome chamamos de dijina ou sunam do Orixá. Assim podemos ter vários Oguns, Xângos, Oxóssis, Yemanjás...
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Saída de Camarinha / Ogum
Os Orixás Menores passaram pelo processo da reencarnação, mas são espíritos dotados de poderes sobrenaturais concedido pelo Orixá Maior e que por isso possuem uma grande luz e compreensão espiritual. É isto que diferencia os eguns (espíritos de mortos que possuem compreensão ou luz espiritual mas ainda passam, se necessário, por outras reencarnações por ainda estarem ligados ao mundo material) e kiumbas (espíritos de mortos que ainda não alcançaram a luz espiritual, e nem compreendem que já vivem em outra dimensão e que seu corpo carnal não mais existe). É isso que diferencia o Orixá Menor dos demais seres espirituais que ainda não foram tocados pela energia do Orixá Maior.
A energia concedida ao Orixá Menor também provém de Zambi/Olorun; entretanto, ela é canalizada a ele através do Orixá Maior, que é o elo de ligação entre eles, da mesma forma que o Orixá Menor é o elo de ligação entre o ser humano e o Orixá Maior.
Dessa forma o Orixá Maior pode ser comparado grosseiramente a uma válvula que regula o fluxo de energia entre Zambi /Olurum e o Orixá Menor, podendo dessa forma reduzir, aumentar ou até mesmo retirar os poderes do Orixá Menor.
Em Almas e Angola, crê-se que são esses espíritos, os Orixás Menores que se manifestam nos omo-orixás (médiuns). E somente em momentos muitíssimos especiais é que o filho de santo poderá realmente ser tocado de forma muito rápida pelo Orixá Maior.
O culto do Orixá Menor está ligado ao antigo culto dos antepassados e que nos foi legado pela cultura Bantu; enquanto o culto ao Orixá Maior está ligado ao culto das forças da natureza e nos foi legado pelos yorubanos e gêjes. É importante frisar que na própria África esses dois cultos se mesclam e se completam; da mesma forma que eles se completam aqui no Brasil.
DIA DA SEMANA, CORES E SÍMBOLOS DOS ORIXÁS EM
ALMAS E ANGOLA
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Orixá |
Cor |
Símbolo |
Dia
da Semana |
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Oxalá |
Branco Leitoso |
Cruz com raios, Paxorô, Cálice, Pilão e Sol. |
Sexta-Feira |
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Yemanjá |
Branco, Azul, Cristal |
Estrela, Peixe e Mar |
Sábado |
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Ogum |
Vermelho |
Espada, Bandeira branca e vermelha |
Terça-Feira |
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Nanã |
Lilás |
Obiri e Coração |
Quarta-Feira |
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Xangô |
Marrom |
Machado Alado e Pedra |
Quarta-Feira |
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Inhasã |
Amarelo Laranja |
Raio(relâmpago) e Espada |
Quarta-Feira / Sábado |
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Oxosse / Caboclo |
Verde |
Arco, Flecha, Penas e Aves tropicais |
Quinta-Feira |
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Oxum |
Azul, Amarelo Ouro |
Abebê, Cachoeira e Lua Crescente |
Sábado |
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Obaluaê / Omulú |
Branco e Preto |
Xaxará, Cruz e Palha da Costa |
Segunda-Feira |
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Ibeji |
Azul e Rosa |
Brinquedos |
Domingo |
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Exú |
Preto e Vermelho |
Tridente |
Segunda-Feira |
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Preto-Velhos |
Preto e Branco |
Cruzeiro, Rosário e Cachimbo |
Segunda -Feira |
OFERENDAS E COMIDAS AOS ORIXÁS
As comidas ofertadas aos Orixás, também representam uma outra característica marcante dentro dos rituais afro-brasileiros. São pratos feitos pelas cozinheiras do santo e vão desde a Cangica dedicada à Oxalá, passando pelo Acarajê de Inhasã até chegar ao pirão com peixe dedicado as Almas (Pretos-Velhos). Os Orixás recebem suas oferendas/comidas no próprio terreiro, comidas essas que são entregues em ritual próprio realizado na sexta-feira a noite em Lua Nova ou Crescente.
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Entrega
de Comida de Santo aos Orixás
Vejamos as Comidas correspondentes a cada Orixá
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Orixá |
Comida
Correspondente |
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Oxalá |
Canjica coberta com algodão. |
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Nanã |
Cangica coberta com folha de bananeira. |
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Xangô |
Rabada com polenta(feito no Dendê. |
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Yemanjá |
Canjica enfeitada com nove camarões cozidos. |
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Ogum |
Costela ou bagre assado enfeitado com rodelas de batata de
farofa(feito no dendê). |
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Oxum |
Creme feito com feijão fradinho amassado, coberto com ovos cozidos e
enfeitados com folhas de alface. |
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Oxosse / Caboclo |
Milho verde e amendoim regados com mel e cobertos com cocô ralado e
enfeitado com morango. |
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Inhasã |
Acarajê coberto com molho de camarão. |
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Obaluaê / Omulú |
Arroz branco coberto com pipoca e enfeitado com fatias de Pão de trigo
regadas de dendê. |
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Ibeji |
Mingau enfeitado com cocadas e balas coloridas. |
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Preto-Velhos |
Pirão de peixe coberto com postas de curvina frita. |
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Exú / Pomba Gira |
Farofa de dendê coberta com um bife acebolado (cebola roxa) e enfeitado
com rodelas de limão e lima. |
A comida de Exú é entregue na Segunda-feira na cangira. A comida das Almas é entregue na Sexta-feira no altar, porém em alguns terreiros a mesma é entregue na própria Casa das Almas.
Acompanhando a Comida do Orixá, são também entregues a bebida corresponde, além de uma vela de cêra grande. No caso de beijada são entregues três guaranás e três velas de cêra grandes.
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Mesa
com Oferendas aos Orixás
Vejamos as Bebidas correspondentes a cada Orixá
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Orixá |
Bebida Correspondente |
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Oxalá |
Champanhe com rôtulo branco. |
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Nanã |
Soda Limonada |
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Xangô |
Cerveja Preta |
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Ogum |
Cerveja Branca |
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Yemanjá |
Água Mineral sem gás |
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Oxum |
Água Mineral sem gás |
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Oxosse / Caboclo |
Vinho Branco de Mesa |
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Inhasã |
Vinho Rosé |
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Obaluaê / Omulú |
Suco de Laranja Lima |
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Ibeji |
Guaraná |
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Preto-Velhos |
Vinho Tinto |
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Exú |
Cachaça |

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TECCV
ORGANIZAÇÃO
ORGANIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS TERREIROS DE ALMAS E ANGOLA
Caminham juntas duas formas de organização dentro dos terreiros de ALMAS E ANGOLA , uma seguindo o ritual religioso e outra referente a parte burocrática e administrativa .
A parte religiosa segue uma organização que vai desde a forma arquitetônica até as atividade anuais praticadas da mesma forma em todos os terreiros. Nos terreiros que praticam o ritual ALMAS E ANGOLA são encontrados:
- Uma Cangira, ou seja, uma casinha fora do terreiro, em alguns casos ao lado, onde ficam guardados todos os fundamentos de Exú/Pomba-Gira (Objetos como: quartinhas de barro com água, quartinhas de barro com cachaça, além das imagens de exú e pomba-gira).
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Pomba Gira
Cigana Maria Rosa
- Uma Casa das Almas, localizada também fora ou ao lado do terreiro, geralmente muito próxima da cangira (quase sempre ao lado). Nessa casa encontram-se imagens de preto-velhos e de São Lázaro representando Obaluaê (Em alguns terreiros essa imagem não aparece). A Casa das Almas , representa o Cruzeiro das Almas, e ali são cultuados os ancestrais da casa.
- Uma cozinha do santo, onde são feitas as obrigações e demais atividades necessárias ao culto dos Orixás e ou trabalhos de limpeza espiritual.
- Um salão amplo onde são realizados os trabalhos espirituais. Nesse salão destacam-se: O Altar, onde estão as imagens dos santos católicos, caracterizando o sincretismo. Vejamos:
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SANTO CATÓLICO |
DIA ALUSIVO |
ORIXÁ CORRESPONDENTE |
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Jesus Cristo |
25 de dezembro |
Oxalá |
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Menino Jesus de Praga |
25 de dezembro |
Oxalá Menino |
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Nossa Senhora Santana |
26 de julho |
Nanã |
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São Miguel Arcanjo |
29 de setembro |
Xângo( da Mãe Ida) |
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São João Batista |
30 de setembro |
Xângo Alafim |
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São Pedro |
29 de junho |
Xângo Agodô |
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Nossa Senhora dos Navegantes |
02 de fevereiro |
Yemanjá |
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São Jorge |
23 de abril |
Ogum |
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Santa Bárbara |
04 de dezembro |
Inhasã |
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Santa Catarina |
25 de novembro |
Inhasã |
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São Sebastião |
20 de janeiro |
Oxosse |
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Nossa Senhora da Conceição |
08 de dezembro |
Oxum |
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São Lázaro |
17 de agosto |
Obaluaê / Omulú |
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São Roque |
17 de agosto |
Obaluaê / Omulú |
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São Cosme e São Damião |
27 de setembro |
Ibeji |
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São Crispim e São Crispimiano |
25 de outubro |
Ibeji |
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Santo Antônio |
13 de junho |
Exú |
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Negros e Escravos |
13 de maio |
Pretos-Velhos |
Essas imagem obedecem uma seqüência que difere de terreiro para terreiro, pois no alto do Altar fica a imagem de Jesus Cristo (Oxalá), Do lado direito a imagem do santo padroeiro do terreiro, que na maioria das vezes representa o Orixá do Babalâo ou Babá da Casa,e do lado esquerdo o segundo Orixá.
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Altar
da Tenda Espírita Caboclo Cobra Verde
Existem terreiros que colocam as imagens das Santas mulheres de um lado e dos santos homens do outro. Comum nos terreiros de ALMAS E ANGOLA, é a forma de triângulo representada no altar, onde aparecem Jesus Cristo (Oxalá) no Ápice , São Cosme e São Damião em uma das extremidades da base da pirâmide e São Lázaro na outra.
Ainda no salão , destacam-se nos quatro cantos, o desenho (no chão) de uma
cruz pintada de branco as cruzes representam os locais onde estão enterrados os fundamentos de cada orixá ali representado. Na Tenda Espírita Caboclo Cobra-Verde, as cruzes representam Oxosse, Inhasã, Nanã e Ogum e no centro do salão pintado também no chão encontra-se uma estrela com uma cruz desenhada no meio da estrela, representando Yemanjá.
Ao lado do Altar existem dois espaços destinados as obrigações de Camarinha. Em alguns terreiros esse local é um quartinho fechado.
- Separada por um "murinho" no salão fica a assistência, local onde as pessoas permanecem durante a realização das sessões. Nesse local ficam cadeiras ou bancos de madeira para acomodar a assistência.
- Outra característica dos terreiros de Almas e Angola é presença de três atabaques (Tumbadeiras) que são utilizadas durante as sessões. Esses atabaques ficam próximos à assistência, geralmente virados para o altar. São os ogãs os responsáveis pelas músicas cantadas durante as sessões.
- Durante as sessões os Homens ficam de um lado da corrente e as mulheres de outro, virados todos para o altar, formando duas filas. A ordem na corrente obedece a hierarquia, principalmente as obrigações realizadas (Graduação).Os Primeiros da fila são os mais antigos do terreiros. As sessões são realizadas as segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras.
Segunda-feira : Sessão de Preto-velho onde são também chamados os orixás:
Xângo, Nanã e Obaluaê.
Quarta-feira : Sessão de desenvolvimento Mediúnico
Sexta-feira : Sessão de Caboclo onde são também chamados o orixás:
Ogum, Inhasã, Yemanjá e Oxum.
As sessões são realizadas a partir das 20 horas e terminam aproximadamente as 23 horas. Atualmente muitos terreiros realizam um sessão por semana onde dividem as sessões em: sessão de ‘’Segunda’’ e sessão de ‘’Sexta’’. Estas sessões são realizadas, dependendo do terreiro, as Quartas, Quintas e Sextas ou mesmo no Sábado . São poucos terreiros de Almas e Angola que realizam três sessões por semana, mesmo o terreiro do Pai Evaldo, o mais tradicional e antigo de Sta Catarina, também realiza somente um sessão por semana. Os terreiros de ALMAS E ANGOLA , apesar de muitas mudanças ocorridas desde seu surgimento em Santa Catarina até hoje, se mantém fiéis a algumas atividades como: Camarinhas, que são realizadas para graduar os filhos de santo; Sessão de Amaci, realizada na Sexta-feira Santa ; Sessão de Quaresma, realizada após o Carnaval durante a quaresma, onde os médiuns trabalham somente com os Pretos-velhos e Exús. Alguns terreiros também trabalham com Caboclos. Os Orixás não são envocados nesse período. Sessão de Cachoeira ou Obrigação de Cachoeira, trabalho realizado o dia todo na cachoeira. Sessão de praia ou Obrigação de Praia, realizada dia 31 de dezembro ou dia 02 de fevereiro, nessa sessão é feita uma homenagem a Yemanjá.
Obrigação de Cachoeira da TECCV
As atividades anuais dos terreiros de ALMAS E ANGOLA obedecem um amplo calendário, ocupando em muito os filhos de santo. Por exemplo, durante a realização de camarinha as atividades são realizadas de Domingo à Domingo, uma semana inteira de atividades.
A organização burocrática, fica a cargo de uma diretoria composta por presidente, secretário e tesoureiro, além do conselho fiscal. A maioria dos terreiros de ALMAS E ANGOLA tem um Estatuto devidamente registrado em cartório, além do Alvará de funcionamento cedido pela Federação Catarinense Cultos Afro-brasileiros . Muitos terreiros tem CGC e alguns são reconhecidos como de utilidade pública (municipal, estadual e federal).
Não sendo uma associação com fins lucrativos, a única fonte de renda dos terreiros é através de uma mensalidade cobrada dos médiuns, que pode variar conforme o terreiros, de 5 reias até 10 reais em média.
Os próprios médiuns fazem a manutenção do terreiro, seja na limpeza ou mesmo na conservação das instalações físicas. Alguns terreiros utilizam o sistema de rodízio, criando equipes de limpeza e manutenção. Em alguns casos são contratados serviços profissionais, principalmente quando se trata de uma construção para aumento das instalações físicas. Como os terreiros são construídos a partir de doações, é comum estarem sempre em obras, visando o aumento do terreiro ou mesmo aprimorando o que já havia sido construído.
A maior parte dos terreiros de ALMAS E ANGOLA são construídos no mesmo terreno, junto a casa do Pai ou Mãe de Santo. Poucos são os terreiros que funcionam em terreno próprio. Alguns terreiros realizam rifas para angariar fundos com o objetivo de pagarem os serviços de profissionais, como o de pedreiros por exemplo.
Na grande Florianópolis, existem hoje, aproximadamente 50 terreiros que praticam o ritual de ALMAS E ANGOLA. Segundo a CEUCASC ( Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Santa catarina) os terreiros de ALMAS E ANGOLA crescem em número a cada ano.
TECCV
HIERARQUIA
AS ETAPAS EVOLUTIVAS DE UM FILHO DE SANTO
Na Tenda Espírita Caboclo Cobra Verde, que desenvolve o Ritual de Almas e Angola o ingresso do futuro filho de santo é realizado após uma limpeza espiritual denominada "SACUDIMENTO".
Após o Sacudimento o médium é levado até o terreiro onde recebe o Amaci. Nesse momento, o futuro médium assume definitivamente um compromisso com o ritual, ficando de branco e de cabeça coberta por 24 horas. O futuro médium assume também o compromisso de acender durante 7 sextas- feiras ou 7 segundas-feiras, uma vela de cêra para o Anjo de Guarda.
O Amaci é produzido na Sexta-Feira Santa feito com o sumo de ervas amassadas pelos próprios médiuns e também com bebidas representando cada orixá. No Amaci, bem como nos banhos de descarga, as folhas é que são utilizadas, pois são ricas em energia. Devem ser colhidas quando não estão expostas ao sol (antes das 6 horas/depois das 18 horas) pois com os raios solares as plantas realizam a fotossíntese e esse momento não é bom para colher folhas. Vejamos o quadro abaixo:
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Orixá |
Ervas |
Bebidas |
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Oxalá |
Boldo / Hortelã / Etc |
Champanhe |
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Nanã |
Colônia / Folha da Costa / Etc |
Soda Limonada |
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