Departamento
de Psicobiologia
UNIFESP
– Universidade Federal de São Paulo
Com
apoio de:
– Ministério da Saúde
– Coordenação Nacional
de DST e Aids
– COSAM (Coordenação
de Saúde Mental)
– Programa das Nações
Unidas para o Controle Internacional de Drogas
– UNDCP
– UFSC (Universidade
Federal de Santa Catarina)
Leitura recomendada
para alunos a partir da 6ª série do 1º Grau
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ANFETAMINAS
BOLINHAS
/ REBITES
Definição
As anfetaminas são drogas
estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é, fazem cérebro
trabalhar mais depressa , deixando as pessoas mais “acesas”,
“ligadas” com “menos sono”, “elétricas”, etc. É chamada de rebite
principalmente entre os
motoristas que precisam dirigir durante várias horas seguidas sem descanso, a
fim de cumprir prazos pré-determinados. Também é conhecida como bolinha
por estudantes que passam noites inteiras
estudando, ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o
acompanhamento médico.
Nos USA, a metanfetamina (uma anfetamina) tem sido
muito consumida na forma fumada em cachimbos, recebendo o nome de “ICE”
(gelo).
Outra anfetamina, metilenodióximetanfetamiona (MDMA),
também conhecida pelo nome de “Êxtase”, tem sido
uma das drogas com maior aceitação pela juventude inglesa e agora, também,
com um consumo crescente nos USA.
As anfetaminas são drogas sintéticas, fabricadas
em laboratório. Não são, portanto, produtos naturais. Existem várias drogas
sintéticas que pertencem ao grupo das anfetaminas e como cada uma delas pode
ser comercializada sob a forma de remédio, por vários laboratórios e com
diferentes nomes de fantasia, temos um grande número destes medicamentos,
conforme mostra a tabela.
Tabela
– Nomes comerciais de alguns medicamentos à base de drogas do tipo
anfetamina, vendidos no Brasil. Dados obtidos do Dicionário de Especialidades
Farmacêuticas – DEF – Ano 1996/1997.
|
Droga
do tipo Anfetamina |
Produtos
(remédios comerciais vendidos nas farmácias) |
|
Dietilpropiona
ou Anfepramona |
Dualid S;
Hipofagim; Inibex S; Moderine |
|
Fenproporex |
Desobesi-M;
Lipmas AP; Inobesin |
|
Mazindol |
Dasten;
Fagolip; Absten-Plus; Diazinil; Dobesix |
|
Metanfetamina |
Peritin* |
|
Metilfenidato |
Ritalina |
*
Retirado do mercado brasileiro, mas encontrado no Brasil graças à importação
ilegal de outros países sul-americanos. Nos USA cada vez mais usado sob o nome
de ICE.
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Efeitos
no cérebro
As anfetaminas agem de uma maneira ampla afetando vários
comportamentos do ser humano. A pessoa sob sua ação tem insônia (isto é,
fica com menos sono) inapetência (ou seja, perde o apetite), sente-se cheia de
energia e fala mais rápido ficando “ligada”. Assim, o motorista que toma o
“rebite” para não dormir, o estudante que ingere “bolinha” para varar a
noite estudando, um gordinho que as engole regularmente para emagrecer ou ainda
uma pessoa que se injeta com uma ampola de Pervitin ou com comprimidos
dissolvidos em água para ficar “ligadão” ou ter um “baque” estão na
realidade tomando drogas angetamínicas.
A pessoa que toma anfetaminas é capaz de executar
uma atividade qualquer por mais tempo, sentido menos cansaço. Este só aparece
horas mais tarde quando a droga já se foi do organismo; se nova dose é tomada
as energias voltam embora com menos intensidade. De qualquer maneira as
anfetaminas fazem com que um organismo reaja acima de suas capacidades exercendo
esforços excessivos, o que logicamente é prejudicial para a saúde. E o pior
é que a pessoas ao parar de tomar
sente uma grande falta de energia (astenia) ficando bastante deprimida, o que
também é prejudicial, pois não consegue nem realizar as tarefas que
normalmente fazia antes do uso dessas drogas.
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Efeitos
no resto do corpo
As anfetaminas não exercem somente
efeitos no cérebro. Assim, agem na pupila dos nossos olhos produzindo uma
dilatação (o que em medicina se chama midríase); este efeito é prejudicial
para os motoristas, pois à noite
ficam mais ofuscados pelo faróis dos carros em direção contrária. Elas também
causam um aumento do número de batimentos do coração (o que se chama
taquicardia) e um aumento da pressão sangüinea. Aqui também pode haver sérios
prejuízos à saúde das pessoas que já têm problemas cardíacos ou de pressão,
que façam uso prolongado dessas drogas sem o acompanhamento médico, ou ainda
que se utilizarem de doses excessivas.
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Efeitos tóxicos
Se uma pessoa exagera na dose (tomas vários comprimidos
de uma só vez) todos os efeitos acima descritos ficam mais acentuado e podem
começas a aparecer comportamentos diferentes do norma: ela fica mais agressiva,
irritadiça, começa a suspeitar de que outros estão tramando contra ela: é o
chamado delírio persecutório. Dependendo do excesso da dose e da sensibilidade
da pessoa pode aparecer um
verdadeiro estado de paranóia e até alucinações. É a psicose anfetamínica.
Os sinais físicos ficam também muito evidentes: midríase acentuada, pele pálida
(devido à contração dos vasos sanguíneos) e taquicardia.
Essas intoxicações são graves e a pessoa
geralmente precisa ser internada até a desintoxicação completa. Às vezes
durante a intoxicação a temperatura aumenta muito e isto é bastante perigoso
pois pode levar a convulsões.
Finalmente trabalhos recentes em animais de laboratório
mostram que o uso continuado de anfetaminas pode leva à degeneração de
determinadas células do cérebro. Este achado indica a possibilidade de o uso
crônico de anfetaminas produzir lesões irreversíveis em pessoas que abusam
destas drogas.
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Aspectos
Gerais
Quando uma anfetamina é continuamente tomada por uma
pessoa., esta começa a perceber com o tempo que a droga faz a cada dia menos
efeito; assim, para obter o que deseja, precisa ir tomando a cada dia doses
maiores. Há até casos que de 1-2 comprimidos a pessoa passou a tomar até
40-60 comprimidos diariamente. Este é o fenômeno de tolerância, ou seja, o
organismo acaba por se acostumar ou ficar tolerante á droga.
Discute-se até hoje se uma pessoa que vinha
tomando anfetamina há tempos e pára de tomar, apresentaria sinais desta
interrupção da droga, ou seja, se teria uma Síndrome de abstinência. Ao que se sabe algumas pessoas podem
ficar nestas condições em um estado de grande depressão, difícil de ser
suportada; entretanto, isto não é uma regra geral, isto é , não aconteceria
com todas as pessoas.
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Informações
sobre consumo
O consumo destas drogas no
Brasil chega a ser alarmante, tanto que até a Organização das Nações Unidas
- ONU vem alertando o Governo brasileiro a respeito. Por exemplo, entre
estudantes brasileiros do 1º e 2º
graus das 10 maiores capitais do país, 4,4% reve1aram já ter experimentado
pelo menos uma vez na vida uma droga tipo anfetamina. O uso freqüente
(6 ou mais vezes no mês) foi relatado por 0,7% dos estudantes. Este uso foi
mais comum entre as meninas.
Outro dado preocupante diz respeito ao total
consumido no Brasil: em 1995 atingiu mais de 20 toneladas, o que significa
muitos milhões de doses.
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O
que é o CEBRID?
O CEBRID é o Centro
Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas que funciona no
Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo),
antiga Escola Paulista de Medicina. É uma entidade sem fins lucrativos e existe
exclusivamente para ser útil à população. Para cumprir esta função o
CEBRID ministra cursos, palestras e reuniões científicas sobre o assunto
Drogas , publica livros, faz levantamentos sobre o consumo de drogas entre
estudantes, meninos de rua, etc., mantém um Banco de trabalhos científicos
brasileiros sobre o abuso de drogas (mais de 2.000) e publica Boletim
trimestral.
O CEBRID é
constituído por uma equipe técnica composta de especialistas nas áreas de
medicina, sociologia, farmácia-bioquímica, psicologia e biologia.
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Endereço
para correspondência:
Universidade
Federal de São Paulo - Depto. de Psicobiologia
Rua
Botucatu, 862 – 1º andar - 04023-062 – São Paulo – SP
Fax: (011) 5084.2793 - Tel: (011) 539-0155 - e-mail cebrid@psicobio.epm.br