NOVAMENTE À BAILA EM DEFESA DA RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA
Caro irmão em fé, a Uniafro volta à baila em defesa do culto afro-religioso, mas uma vez. Culto afro-religioso sim! Não devemos nos fragmentar em culto disso, culto daquilo, culto sei lá do quê mais, quando se trata da defesa de nossos interesses comuns. Umbanda, Candomblé, Omoloko, Almas de Angola ou Almas e Angola, Xangô, Kabula, todas essas denominações tem origem na áfrica negra. São reconstruções de matrizes tribais africanas no Brasil.Trabalhar essa conscientização é importantíssima para o engrandecimento da religião afro-brasileira, sem dúvida. Trabalhar em prol do desenvolvimento da cultura afro-brasileira e da cultura afro-religiosa, também é. Mas esse trabalho tem de ser um TRABALHO SÉRIO E COM RESPONSABILIDADE. É lamentável o que vemos e lemos muitas vezes nos sites da internet. Vimos alguns vídeos no site youtube - Marmoteiros do Umbandomblé e não entendemos como alguns "babalorixás" e "iyálorixás" se prestam a realizar tal desserviço à religião afro-brasileira. Se alguém me disser que "isso não me afeta..." diga isso vendo um desses vídeos juntamente com alguém que "não leva muito a sério" a religião afro-brasileira... O espaço que temos na mídia já é tão ínfimo que não devemos desperdiçá-lo com essas "coisas" terríveis. Os evangélicos nos dão de dez a zero nisso. Aproveitam a mídia o mais amplamente possível. Sufocam-nos e nos deixam quase sem nenhuma opção em alguns horários da televisão aberta.
Com exceção de uma única emissora, aqui em Florianópolis, todas as demais têm um programa evangélico a nos entupir os ouvidos com críticas negativas à Umbanda ou Candomblé. E eles se aproveitam muito bem quando algum sacerdote da religião afro-brasileira "pisa na bola". De forma alguma devemos dar margem para que isso aconteça.
Sei que a religião afro-brasileira é aberta, que não tem líder, que é altamente democrática. E deve ser assim mesmo. Na minha singela opinião, nem deve ter mesmo lideranças que a venham controlar. Cabe ao bom-senso e a responsabilidade de cada um, pai ou mãe de santo e filhos de santo exercer esse controle. Mas isso não deve impedir de nos juntarmos em grupos e criar regras próprias que todos, do mesmo grupo, aceitem, democraticamente, e as sigam. Talvez, estando unidos em grupos fortes, possamos coibir esses excessos da falta do "bom-senso" de nossos irmãos em fé.
A religião afro-brasileira deveria ser avaliada pelo menos uma vez ao ano. Para isso deveria serem realizados fóruns para esse fim. Seria muito positivo para a religião. Tomando como exemplo a avaliação da educação em nosso País, cujo índice de aproveitamento é proveniente da avaliação individual de cada escola ou instituição de ensino, através da avaliação individual de cada aluno e, que essa avaliação vai refletir na sociedade de forma positiva ou negativa e dirá à sociedade que tipo de educação temos (ótima, boa, regular ou ruim); a avaliação de cada Terreiro, irá dar as mesmas respostas, o que implicará em uma aproximação ou um afastamento da religião afro-brasileira da sociedade, expressa numa relação de proteção ou perseguição. A sociedade sempre dá respostas através dos meios de comunicação.
Dar visibilidade à religião afro-brasileira é importante. Mas tem de ser uma visibilidade positiva. Para que isso aconteça temos que ter bom-senso e responsabilidade. Vamos manter os pés na África, vamos olhar aquele continente através da individualidade de cada País; da peculiaridade de cada nação; da especificidade de cada tribo. Vamos evitar carnavalizar a religião afro-brasileira. Vamos evitar tornar os paramentos sagrados de nossos Orixás em fantasias e alegorias de escola de samba. Vamos botar o pé no chão! Vamos voltar à simplicidade. Está havendo muita exteriorização do Id através do Ego de filhos de santo inocentes e/ou inexperientes que as vezes se tornam vítimas de pais ou mães de santo também inexperientes ou mal-intencionados. O gerador desses desvios: o ganho fácil do dinheiro. A equação é: O valor do Orixá está para o valor gasto para feitura de seu filho, da mesma forma que o valor de um produto está para o consumidor, num shopping-center. Dependendo do valor onde se compra esse produto, ele varia para maior ou menor valor.
Isso não pode acontecer na religião de matriz africana no Brasil. É uma afronta àqueles que levam a religião afro-brasileira com seriedade. Somente Olorum/Nzâmbi pode perdoar as essas insensatez.
Por babalorixá Omobaomí25/10/2007