image5.gif (2521 bytes) EXÚ

VISTO SOB A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE

          Entre todos os Orixás nenhum deles é tão incompreendido, discriminado, aviltado igual a Exú. Incompreendido, porque as pessoas, em sua maioria, não o vêem como um orixá cuja função principal, entre outras é claro, é a de ser o mensageiro entre o ser humano (o profano) e os orixás (o sagrado). Discriminado, porque ainda hoje é visto como o diabo, o satanás personagem da cultura religiosa cristã, o anti-Cristo da Igreja.Católica e evangélicas. Aviltado, quando os próprios cultuadores das religiões afro-brasileiras o trata como uma entidade inferior, contribuindo para a manutenção da idéia de que Exú é o diabo e Bombogira é uma prostituta

          O que poderíamos fazer para atenuar e mudar essa idéia errônea? Quem sabe poderíamos partir da análise dos pontos cantados para Exú e Bombogira que enfatizam esses aspectos, pois Exú não é, e nem nunca foi diabo ou satanás e Bombogira necessariamente não tem que ser prostituta ou mulher de vida fácil. Nota-se claramente a falta de leitura e de esclarecimento sobre as características dessas entidades que geram concepções erradas relacionadas a estes personagens. Observando as gíras de Exú, com raríssimas exceções, os vemos de preto e vermelho, usando tridente, tal qual as imagens de gesso que são baseadas no diabo ou satanás, Quanto a Bombogira, geralmente são apresentadas como mulheres de vida fácil ou prostitutas. Visto dessa ótica, não posso deixar de fazer alguns questionamentos:

Como posso descrever essas entidades - Exú e Bombogiras?

Será que Exú é realmente o diabo ou satanás e Bombogira tem que ser, obrigatoriamente, uma prostituta ou mulher de vida fácil?

Porque essa Exu em algumas nações é visto como Orixá, podendo até ser dono de "ori" de filhos de santo e em outras esse conceito é totalmente desconhecido?

Por que essa visão de que Exú tem que exagerar no consumo de bebida alcóolica e fumo? Se esse exagero é realmente necessário ele não pode ser coibido ou atenuado por influência dos babalorixás e iyalorixás?

Quem ganha e quem perde com essa visão atual de Exú e Bombogira?

Como essa visão que nos é passada de Exú e Bombogira pode afetar as religiões afro-brasileiras?

          Esses questionamentos ficam em aberto para ser respondidos por você, caro leito. Gostaríamos de conhecer e se possível (se você nos autorizar) publicar sua opinião.

Axé e Luta!!!

                                                                                        Apolônio A da Silva

Coordenador Administrativo - Uniafro