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UNIÃO DE CULTURA NEGRA EM SANTA CATARINA |
INFORMATIVO UNIAFRO N.º 13 - Novembro e Dezembro de 2002

www.uniafro.hpg.com.br
/ e-mail: uniafro@ieg.com.br
SARAVA OXALA

Artista desconhecido (até o momento pela Uniafro)
No
dia 28/12/2002, a Tenda Espírita de Umbanda Juraciára, de nação Omoloko,
ritual da tribo de Arigole, realizou a homenagem ao rei de todos os orixás: o
orixá Oxalá. Uma grande festa religiosa, devido a grande quantidade de axé
derramado pelos orixás a todos os presentes. A homenagem, que iniciou às
20:00, terminou às 23:00 horas. O ritual que iniciou com os cantos ao orixá Exú,
passando a seguir aos demais orixás, concluíu-se com os cantos para o grande
homenageado, o orixá Oxalá. O formoso Orixá manifestou-se em sua filha Olomi,
Ebomi de nação Ketu, que estava presente à homenagem. O Axé dado foi tão
grande que as pessoas presentes, que estavam sentadas nos bancos, levantaram-se,
batendo palmas e cantando os pontos (orins), dançavam ao som dos atabaques em
homenagem ao grande orixá Oxalá.
Foi
formidável a vibração espiritual que o Orixá manifestou no Terreiro.
Certamente algo nunca visto na Tenda Espirita de Umbanda Juraciára. Certamente
foi o melhor presentes que seus filhos e frequentadores receberam neste Natal,
quando nós e nossos irmãos católicos reverenciamos o nascimento do Menino
Jesus.
Axé
Babá! Que no Natal do próximo ano possamos contar novamente com sua presença,
seja em qualquer nação ou ritual que for: Omoloko, Angola, Ketu, Gêge, Almas
e Angola, Umbanda.... o Senhor, Babá Oxalá, será sempre, sempre, sempre,
bem-vindo e respeitado nesse Terreiro de Omoloko, no ori de qualquer um de seus
filhos. Nos dê axé e a bênção, Babá.
Apolônio
A da Silva
Coord.
Administrativo da Uniafro
NEGAÇÃO
EXPLÍCITA
Paulo
Freire, diz que o desenvolvimento de uma política cultura da alfabetização e
da pedagogia torna-se um ponto de partida importante para possibilitar que
aqueles que têm sido silenciados ou marginalizados pelas escolas, pelos meios
de comunicação de massa, pela indústria cultural e pela cultura televisiva
exijam a autoria de suas vidas. Paradoxalmente as afirmativas de Paulo Freire, a
classe dominante ideologicamente encobre o silêncio imposto aos grupos
"minoritários", negros, mulheres, indígenas, pobres. Essa proposta
política e de predominância de uma classe hegemônica sobre a outra, vem ao
londo dos séculos mantendo um "status quo", que garante por si só
sua reprodução. Afirmo, a partir de Gramsci que essa hegemonia utilizada pela
classe dominante possui sentido ambíguo, ao mesmo tempo que silencia as vozes
dos oprimidos, legitima as relações sociais opressivas. Isto fica claro nas
afirmações de Gilberto Freyre, em seu livro Casa Grande e Senzala, onde o
mesmo nos leva crer que o Sr. de Engenho quando utilizava de violência para
punir os escravos, fazia-o porque os negros eram
"frouxos e moles". Muitas vezes era obrigado a usar atitudes enérgicas
para com os cativos, mesmo tratando-os como pessoas da família, cuidando-os,
alimentando-os e protegendo-os. Essas afimações além de encobrir o caráter
desumano da escravidão, responsabiliza o cativo pela situação de violência,
humilhação e falta de respeito a qual era constantemente exposto. Henrique
Luiz Pereira Oliveira em seu artigo, Escravidão em Santa Catarina, relata-nos
que entre as formas de controle, a marginalização do negro foi o meio
eficiente para mantê-lo na condição de despossuído de bens econômicos e de
bens culturais. Era proibido dar educação ao escravo e ao ao mesmo tempo
destruía-se os nexos de suas tradições africanas. O preconceito, neste caso,
pode ser uma forma de interdição tão violenta e poderosa quanto os grilhões,
que impedem a liberdade de movimento. Vejam os exemplos de Cruz e Sousa e
Antonieta de Barros, ícones do simbolismo e da educação, que invisibilizados
pelo preconceito racial, habitam os porões da historiografia catarinense, por
mais de um século. Caio Prado Júnior coloca em seu livro Formação do Brasil
Contemporâneo que a diferença de raça, sobretudo quando se manifesta em
caracteres somáticos bem salientes, como a cor, vem senão provocar - o que é
possível de dúvidas bem fundamentadas, e a meu ver inconstestáveis - pelo
menos agravar uma discriminação já realizada no terreno social. Neste
sentido, averigua-se que o termo "negro" ou "preto" foram na
colônia, e será ainda por muito tempo, termos pejorativos; empregam-se até
como sinônimo de escravo. O individuo que possui esta cor, mesmo quando não o
é, trata-se como tal. O antropólogo Kabenguele Munanga, da Universidade de São
Paulo, em seu artigo: A Mestiçagem no Pensamento Brasileiro diz que após 1888
os pensadores brasileiros passaram a ter sérios pesadelos, ou seja, como
conseguiriam desenvolver uma identidade nacional, com a nova categoria de cidadões:
os ex-escravizados negros. Já que a estrutura mental herdada do passado,
colocava o negro numa situação de coisa e força de trabalho animal, que até
aquele momento não tinha mudado. O negro passou a ser um grande problema. A
antropóloga Ilka Boaventura Leite, do Núcleo de Relações Interétnicas da
Universidade Federal de Santa Catarina, no seu Projeto Cultura e Cidadania
Quilombola, desenvolvido nos estados de SC, PR, RS no ano de 1999, relata que o
que mais chamou a atenção naquela primeira fase do trabalho foi a situação
de flagrante marginalização social do grupo: os altos índices de
analfabetismo, a falta de qualificação profissional, a situação de pobreza
caracterizada pela má alimentação, ausência de saneamento básico, de assistência
médica, de apoio jurídico. A pesquisas de campo da Professoa Ilka Boaventura
Leite convergem diretamente com as afirmações acima de
Henrique Luiz Pereira Oliveira, Caio Prado Júnior e Kabenguele Munanga,
como também, nos dá acondição de situar e entender o descaso proposto por
alguns intelectuais brasileiros, quando fazem suas críticas, sobre os trabalhos
realizados por pesquisadores negros.
Prof.
Marcos Canetta
Historiador
e Mestrando em Educação e Cultura
Fone:
048-91161641 / 2405775
NOTÍCIAS DO EVAÍR - Brasília
Estou
enviando um texto do professor Henrique Cunha, Ivair - Negando a existência
de conflito étnico na escola.
Henrique
Cunha Jr. - Universidade Federal do Ceará.
Introdução:
Não existe racismo, discriminações ou qualquer conflito étnico na escola. Estas são afirmações constantes e recorrentes encontradas e reafirmadas através dos depoimentos de e educadores. São declarações mais fortes e mais convictas nos estados do nordeste. Portanto tem variações de conteúdo por regiões do país. A escola é vista como democrática e de oportunidades igualitárias. A maioria dos educadores não tem nenhum enfoque étnico das suas ações e acreditam que não devam tê-lo. No entanto, uma parcela dos educadores reconhece que existe uma atitude negativa diferenciada com relação aos denominados morenos ou negros, mas atribuem esta diferenciação, ao fato do “negro” ser pobre ou do “negro” ter sido “escravo”. Partimos da pressuposta igualdade, em que ela se consolida. Quais fatos levam a nos garantir que as diversidades de estudantes, com uma imensa diversidade de origem cultural, estão de forma cotidiana se sentindo igualmente contemplados nas escolas e que se sentem confortáveis e não discriminados ou reprimidos por motivos étnicos e culturais? O principio da igualdade, leva a valorização das identidades etno-culturais, da diversidade presente na escola e fora dela, na consolidação de uma cultura cidadã. Entretanto, o que os educadores sabem das diversas realidades e das diversas culturas desses estudantes denominados como moreninhos? Como podem exercer a igualdade na sua plenitude selecionando e apresentado material didático que materialize a preocupação democrática e igualitária que os educadores têm como convicção e postulado de trabalho? Como alguém pode ser tratado como igual se esquecido, ou ignorado quando do preparo das aulas? Em quais momentos das aulas, dos programas, das atividades diversas, se estabelecem enfoques que dêem dignidade e participações aos afrodescendentes, os chamados de negros, morenos e pardos? Conversando com os educadores muitos são os que apontam a existência de alunos problemas, às vezes de salas problemas, até mesmo de escolas problemas. Quando não, de uma região de escolas problemas. Coincidência importante as ser notada que na educação brasileira, sempre a geografia do problema tem como denominador comum, englobar um número elevado de afrodescendentes. Mesmo assim, sem outros questionamentos os educadores continuam afirmando e reafirmando a existência de tratamentos democráticos e igualitários na educação. Pergunto como resolver a questão de que é apontado como problema tratando todos da mesma maneira? Suponho que em tendo o problema, o democrático seria pensar que teriam maior atenção. Que seriam nos planejamentos motivo de maior dedicação e preocupação mais sistemática dos educadores. Caso não seja, corremos o risco deles serem excluídos, portanto tratados em desigualdade, ficando assim discriminados e injustiçados. Quais são as localidades dentro de uma região urbana, ou dentro de regiões geográficas, que tem as piores instalações escolares? Quais as que recebem os menores recursos ou recursos desproporcionais ao número de alunos, de professores e de problemas a serem resolvidos? Por que a geografia destas instalações e desta distribuição de verbas tem sempre e de forma reincidente relação direta com a proporção de alunos afrodescendentes? Não temos apenas a reprodução do mapa da pobreza, como possa de inicio parecer. Se tomarmos criteriosamente entre cidades, faixas equivalentes de condições sociais, vamos ter as diferenças de prédios escolares, de recursos educacionais que têm incrustado a geografia da etnia, as presenças mais sistemáticas de afrodescendentes. A pobreza é referida como sendo o fundo do problema e não a etnia. Mesmo que seja verdade absolta, mas então por que a educação deste pobre não é atacada com diferenciais concretos e visíveis que produzam a reversão da situação? Qual a escola do preto e por que ela é assim? Ou não existe uma escola de pretos, diferenciada e em precaríssima situação com relação às demais escolas? Nós podemos identificar em todas cidades e em todas as regiões, áreas de maior concentração dos afrodescendentes. Partindo do pressuposto de que as educações municipais, estaduais e nacionais, não são etnicamente centradas e que não têm sistematizações antidemocráticas e racistas, então por que as regiões de predominância de afrodescendentes são as regiões de menores investimentos educacionais por habitante? Educador já pensou por que? Já preparou a sua aula hoje para os seus queridíssimos alunos negros? Claro, claríssimo. Branquíssimo que sim. És um exemplo de democracia e igualdade, como também de tratamento étnico e ético.
NOTÍCIAS DO EVAÍR - Brasília
- II
Caros
Amigos(as), estou enviando estes importantes artigos , chamo a atenção para o
artigo da Sueli Carneiro e da juíza Monica Sifuentes. Um abraço ivair -
Correio Braziliense, 22/2/2002. Líder rebelde angolano Jonas Savimbi morreu em
combate 17h46 - O líder rebelde angolano Jonas Savimbi morreu hoje durante um
combate entre as forças armadas de seu país e uma coluna da União Nacional
pela Libertação Total de Angola (Unita), anunciou a agência oficial angolana
Angop em seu site da internet
Correio
Braziliense, 22 de Fevereiro de 2002
Nós?
Por
Sueli Carneiro
A
juíza federal Mônica Sifuentes, em artigo contrário à adoção de cotas para
os afro-descendentes nas universidades publicado no caderno Direito & Justiça
do Correio Braziliense de 18 de fevereiro último, argumenta que: ‘‘(...)
para nós mulheres não houve necessidade de estipular cotas. Bastou a concorrência
em igualdade de condições com os homens para que hoje fôssemos maioria em
todos os cursos universitários do país’’. A utilização do pronome nobre
pela juíza faz supor que as mulheres são um grupo homogêneo, que compartilham
igualitariamente das oportunidades sociais, em especial no que concerne ao
acesso à educação. No entanto, segundo dados do Ministério da Educação, em
2000 apenas 2,2% do contingente de formandos nas universidades eram negros,
enquanto os brancos representaram 80%. O argumento da juíza não leva em conta
o fato de os homens entrarem mais cedo do que as mulheres no mercado de trabalho
com prejuízos para a sua permanência no sistema educacional, e que, apesar
disso, os estudos recentes sobre a mulher no mercado de trabalho revelam que
elas precisam de uma vantagem de cinco anos de escolaridade para alcançar a
mesma probabilidade que os homens têm de obter um emprego no setor formal. Para
as mulheres negras alcançarem os mesmos padrões salariais das mulheres brancas
com quatro a sete anos de estudos, elas precisam de mais quatro anos de instrução,
ou seja, de oito a onze anos de estudos. Essa é a igualdade de gênero e de raça
instituída no mercado de trabalho e o retorno que as mulheres, sobretudo as
negras, têm do seu esforço educacional. Entre a percentagem ínfima de negros
que adentram as universidades em nosso país, deve estar a leitora desse jornal,
Carla Ubaldina Carneiro de Oliveira, que, em carta ao Correio de 20/2/2002 diz:
‘‘Será intolerável ver minha vitória pessoal, resultante do esforço e
dedicação que tive durante toda a minha vida aos estudos, ser considerada
fruto de uma ‘vantagem’ concedida à população negra por uma determinação
legal, a qual abomino’’. A postura da leitora demonstra a eficiência dos
mecanismos educativos e ideológicos de nossa sociedade para inculcar-nos a visão
segundo a qual a mobilidade social está aí, disponível igualitariamente a
todos, dependendo apenas do esforço pessoal de cada um para a sua realização.
Desaparecem, assim, as condições históricas que vêm produzindo e
reproduzindo a pobreza dos negros. Então, os excluídos, de vítimas se tornam
réus. Nessa armadilha em que o individualismo liberal nos enreda, a mobilidade
social individual de uma pessoa negra é utilizada contra o próprio grupo
racial reiterando os estigmas que o atinge. O negro ‘‘bem-sucedido’’
torna-se a exceção que confirma a regra discriminatória: se um consegue, os
demais não se esforçaram o suficiente. A reivindicação de cotas e políticas
de ação afirmativas não desqualifica o grupo negro. Ao contrário, representa
a sua afirmação como sujeito de direitos, consciente de sua condição de
credor social de um país que promoveu a sua acumulação primitiva de capital
pela exploração do trabalho escravo, que não ofereceu nenhum tipo de reparação
aos negros na abolição, e que permanece lhe negando integração social por
meio das múltiplas formas de exclusão racial vigentes na sociedade, das quais
o não-acesso à educação é uma das mais perversas. O que devemos abominar é
um processo histórico que transformou seres humanos em mercadorias e
instrumentos de trabalho. E, depois de explorá-los por séculos, destinou-os à
marginalização social. A adoção de ações compensatórias deve ser a
expressão do reconhecimento de que é chegada a hora de o país se reconciliar
com uma história em que o mérito tem se constituído eufemismo para os privilégios
instituídos pelas clivagens raciais persistentes na sociedade. Sueli Carneiro
é pesquisadora do CNPQ e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra
CORREIO
BRAZILIENSE Direito & Justiça 18/02/2002
A
quota de afro-descendentes nas universidades
Mônica
Sifuentes - Juíza Federal em Brasília
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Fernando
de Paula Cortezzi Filho Cortezzi"
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Date:
Fri, 25 Oct 2002 22:51:24 -0200
To:
apolosilva@icqmail.com, borbaivan@bol.com.br
Subject:
Educação_mal_vestida
>Bom
dia!
>Leiam
que é (infelizmente...) a real......
>Abraços
fraterno,
Sem
maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com
o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante
chega e, de forma ríspida, pergunta: Vocês
sabem onde está o médico do hospital?
>Com tranqüilidade o médico respondeu: - Boa tarde, senhora! Em que
posso ser útil?!
>Ríspida, redargüiu: - Será que o senhor é surdo? Não ouviu que
estou procurando pelo médico?
>Mantendo-se calmo, contestou: - Boa tarde, senhora! O médico sou eu,
em que posso ajudá-la?!
>- Como?! O senhor?! Com essa roupa?!...
>- Ah! Senhora! Desculpe-me! pensei que a senhora estivesse procurando
um médico e não uma vestimenta...
>- Oh! Desculpe, doutor! Boa tarde! É que... vestido assim, o senhor
nem parece um médico...
>- Veja bem as coisas como são - disse o médico - as vestes parecem
não dizer muitas coisas, pois
quando a vi chegar, tão bem vestida, pensei que a
senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um "boa
tarde!"
> Como se vê, as roupas nem sempre dizem muito... Um dos mais belos
trajes da alma é a educação.
> Jacob Melo
>O lado Positivo de Tudo
>"A estrada para o sucesso não é uma reta. Há uma curva
chamada fracasso, um trevo chamado
confusão, quebra-molas chamados amigos, faróis de advertência
chamados família. Entretanto, se você tiver um estepe chamado determinação,
um motor chamado perseverança, um
seguro chamado fé e um guia chamado Deus, você chegará a
um lugar chamado Sucesso!!!"
Entendendo
o candomblé
por
Márcia d'Oxum
O
Candomblé chegou às terras do Novo Mundo na alma dos negros arrancados de suas
terras na África e trazidos como escravos nos famigerados navios-negreiros. No
Brasil, a primeira leva chegou em 1538 e foi alimentada durante séculos. Aqui
você navega por aspectos dessa religião antiqüíssima e única.
O
candomblé é uma religião de origem africana:
Há
algumas vertentes dessa religião que, no Brasil, são chamadas de nações. Nações
são sítios religiosos africanos, distintos entre si. Entre nós temos as
seguintes: Ketu, nação que fala iorubá; Jeje, que fala ewe-fon;
e Angola, nação que fala línguas bantus. No Brasil, a nação mais
abrangente é a Ketu, de cultura religiosa iorubá. É originária do
oeste africano, mais precisamente da baía do Benin, de onde partiram em maior
quantidade os escravos que aqui se fixaram, principalmente nas regiões que hoje
são os estados da Bahia e Pernambuco. Em solo africano, o candomblé brasileiro
da nação Ketu é conhecido como a tradicional religião iorubá. A
religião tradicional iorubá da cultura iorubá, tanto na África como no
Brasil, é uma interação fácil de ser identificada em muitos aspectos.
As vestes, os adornos, as músicas, os nomes atribuídos a cada pessoa dentro
desse universo estão estreitamente ligados à religião. Hábitos nigerianos,
como comer com as mãos, por exemplo, são utilizados naturalmente, mesmo pelos
não-religiosos, nas cerimônias iorubás.
CELEBRAÇÃO
DAS FORÇAS DA NATUREZA
Esse
mundo iorubá nada mais é do que o mundo encantado dos orixás, divindades que,
abaixo de Olodumaré, Deus supremo, nos protegem com suas energias provenientes
da natureza. Entre os orixás podemos associar Xangô ao fogo e ao trovão;
Oyá (Iansã), ao raio e ao vento; Oxum, à água doce dos rios; Oxumarê, ao
arco-íris; Nanã é orixá associado à chuva; Ossain, às folhas; Oxóssi é o
orixá da floresta, e assim com todos os demais. A tradicional religião
iorubá é um culto à natureza, é a celebração da ecologia, onde o natural
se sobrepõe ao artificial porque é de origem divina. Os orixás que
protegem os seres humanos, nessa visão religiosa, não são santos distantes
dos nossos atos cotidianos. Ao contrário, eles se tornam presentes nas cerimônias
religiosas e vêm dançar conosco celebrando a vida, encantando nossa existência
com a alegria que sempre caracterizou o africano, numa festa de ritmo e cores. O
religioso iorubá vive intensamente o presente em comunhão com os orixás, em
paz com sua natureza humana. A meta a ser perseguida não é a perfeição,
é a felicidade. As lendas dos orixás, uma das riquezas da
história oral dessa tradição religiosa, nos ensinam, em linguagem simbólica,
que no mundo iorubá as pessoas são como os deuses -- simples e sábios na
consciência de suas imperfeições. O destino, por exemplo, é um
aspecto importante na cultura iorubá. É o que torna a vida das pessoas
verdadeiramente palpitante. E cabe a Orunmilá, orixá da sabedoria,
comunicar-se conosco, por meio das práticas divinatórias, fazendo interagir
ainda mais homens e deuses na festa da vida. Outra característica fundamental:
a religião iorubá não acredita em carma. Ou seja, não se acredita que as
pessoas passem por determinados problemas por estarem pagando algo que fizeram
em vidas anteriores. Acredita-se que o destino é mutável, o que dá
coerência aos rituais do candomblé. Quando fazemos, por exemplo, uma
oferenda para modificar alguma situação, estamos, na verdade, interferindo no
destino. Essa crença na mutabilidade do destino fica ainda mais evidente em
casos de pessoas que são iniciadas no candomblé: é como se elas nascessem
novamente, reescrevendo seus destinos pelos orixás. Quanto à morte, a
visão do candomblé tem por base a ancestralidade. Mas essa é uma
outra história, que ficará para uma próxima oportunidade. Texto colhido na
Internet - Fonte:
http://arvoredobem.ig.com.br
Fonte: www.arvoredobem.hpg.com.br
Axé,
Fernando
de Oxalá
>From:
"Ivan Mendes Borba" <borbaivan@bol.com.br>
>To:
"Fernando de Paula Cortezzi Filho Cortezzi" <cortezzi@hotmail.com>
>Subject:
re:
>Date:
Sun, 27 Oct 2002 12:31:05 -0300
>Fernando!
>Com
certeza lhe digo que você realmente é um MACUMBEIRO, visto que, nosso
culto era chamado de MAKUMBA, diferenciava-se de outras práticas, por não
ter vindo de um povo ou local específico na África.
Este nome veio perdendo força, por tornar-se pejorativo, mediante pressões
dos católicos, que lhe atribuíam à prática de feitiçarias. O nome Omolocô,
teria sido colocado pelos negros Nagôs, já no início do
século XIX, pelo fato da prática de batucajés, em baixo de grandes árvores,
em rituais para o ORIXÁ OKÕ, no
início de cada ano agrícola.[assim me foi passado por MINGÓTE]. Realmente
Omolocô não é candomblé e nem Umbanda, cada coisa em seu lugar, >do
primeiro, tem grandes semelhança[como
você bem disse], pois, os rituais de eró [segredos
internos e fundamentos], são quase que os mesmos.
Para à segunda, emprestou sua base estrutural e
alguns ritos. Há muitos anos passados, aqui no Rio de Janeiro, ainda se
ouvia, nas rodas de santo, a
expressão sou OMOLOKEIRO, isto com decorrer do tempo perdeu-se, nunca mais ouvi
tal pronuncia.
MTONDO
MALUNGO,
Ivan
de Oxalobá
Belo
Horizonte – MG