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INFORMATIVO UNIAFRO N.º 16 - Março de 2003

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Orixás, os deuses da Mãe África

Exu: Difícil definir bem esse orixá. Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. Exu também é vaidoso e viril. Se tratado com consideração, reage mostrando-se serviçal e prestativo. Esquecer de lhe fazer oferendas, por outro lado, significa esperar dele um reação à altura. Por essa razão, Exu talvez seja o mais humano dos Orixás, nem completamente mau, nem completamente bom. É o intermediário entre os homens e os deuses. Antes de qualquer outro, Exu é quem deve receber primeiro as oferendas. Justamente para neutralizar mal-entendidos na relação dos seres humanos com os deuses e, até mesmo, dos deuses entre si. Seu instrumento de culto é o ogó (bastão ou cetro em forma de falo para mostrar virilidade e para que ele possa se transportar entre o mundo dos vivos e o mundo dos Orixás). Os colares em sua reverência são de contas vermelhas e pretas. Dia da semana, segunda-feira.

Ogum: Ogum foi o filho mais velho de Odudua, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos e, entre suas gloriosas vitórias, conquistou cidades como Ará, onde entronou o seu filho, e Ire, usando aí, ele mesmo, o título de Onirê - senhor da cidade de Irê. Como orixá, é o deus do ferro e protetor de todos que trabalham com esse metal (ferreiros, agricultores, escultores, mecânicos etc.) e dos militares. Seus fiéis usam colares de contas de vidro azul-marinho ou verde fosco.Seus instrumentos de culto são dois facões chamados ada. Seu dia é a terça-feira.

Oxóssi: Orixá rei da nação Ketu, deus da caça e da fartura. Seu habitat é a floresta. Teve várias esposas, mas a sua predileta foi Oxum. A curiosidade e a observação são características de Oxossi, orixá também da alegria, que gosta de agir à noite, como os caçadores. Seus instrumentos de culto são o ofá (arco e flecha), lanças, facas e demais objetos de caça. Seus fiéis usam colares de contas azul-turquesa ou verde fosco. As quintas-feiras são dedicadas a Oxóssi.

 

Obaluaê: Obaluaê, conhecido na África como "Rei Dono da Terra", ou Omolu, "Filho do Senhor". São esses os nomes geralmente dados ao deus da varíola e das doenças contagiosas. Além do poder de curar tais doenças, perigosas até de serem pronunciadas, é o orixá que cura as enfermidades ósseas. Melhor definindo, é quem pune os malfeitores e insolentes. Seu instrumento de culto é o xaxará (feito de talos de folhas de dendezeiro, palhas da costa e búzios). As pessoas que lhe são consagradas usam dois tipos de colares: um feito de pequenos discos enfiados, chamado de lagdbá, e outro de contas de vidro brancas e pretas, e na cor terracota rajada de preto e branco. Dia da semana, segunda-feira.

Ossain: Divindade das folhas, Ossain usa seus segredos para o preparo de poções mágicas. Originário da cidade de Irawo, na Nigéria, é um orixá que esconde a perna esquerda, lado secreto de sua força. Sua importância no Candomblé é fundamental e nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença. Seu instrumento de culto é o opa Ossain (um cetro em forma de um haste de ferro que tem na extremidade superior um pássaro chamado oguê). As pessoas dedicadas a Ossain usam colares de contas verdes e brancas. O dia da semana consagrado a este orixá é quinta-feira.

Oxumaré: Divindade simbolizada pelo arco-íris e pela serpente que se liga ao próprio rabo em contínua renovação, este orixá é filho de Nanã e fiel amigo de Xangô. Grande Babalaô (sacerdote de Ifá), Oxumaré representa o crescimento e a prosperidade, a mobilidade e a atividade. Ser tridimensional, sofre a mutação entre homem, serpente e arco-íris. seu instrumento de culto é uma lança envolvida por uma serpente. Seus fiéis usam colares de vidro de contas verdes e amarelas ou amarelas e pretas. Seu dia da semana é terça-feira.

Xangô: Xangô foi o terceiro Alafin de Oyó (Rei de Oyó). Filho de Oranian e Torosi - a filha de Elempê, rei dos tapás - cresceu no país de sua mãe, indo instalar-se, mais tarde, em Kossô. Em seguida, com seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu a cidade que recebeu o nome de Kossô, conservando assim seu título de Obá Kossô. Do ponto de vista divino, o orixá permanece filho de Oranian e tem três divindades como esposa - Oyá, Oxum e Obá. Xangô é viril, atrevido e justiceiro. De personalidade muito forte, é o senhor dos raios, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. O seu instrumento de culto é o oxê (machado de dupla face). Na Bahia, como na África, seus fiéis usam colares de contas vermelhas e brancas ou marrons e brancas. Quarta-feira é o dia de Xangô.

 

Logun Edé: Este jovem Orixá, filho do Orixá Erinlé e Oxum Iepondá, nasceu na cidade de Ilexá (ilê-casa; xá-orixá). Vive seis meses com a mãe, período em que adquire a personalidade de Oxum, e seis meses com o pai, quando incorpora a característica de um grande caçador. Seus instrumentos de culto são o Ofá e o Abebé (leque de metal nobre em formato de folha). Sua conta é azul turquesa e amarelo-ouro. O dia de Logun Edé é a quinta-feira.

Iansã: Iansã (Oyá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Niger, que em Iorubá chama-se "Odo Oyá". Foi a primeira mulher de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Antes de se tornar mulher de Xangô, Iansã (Oyá) viveu com Ogum. Lamentando não ter filhos, consultou um Babalaô que a aconselhou fazer oferendas, entre essas um tecido vermelho. Cumprida a obrigação, tornou-se mãe de nove crianças, o que, em iorubá, se exprime pela frase "Iyá omo mesan", origem de seu nome Iansã. Seus instrumentos de culto são uma adaga, que simboliza a sua personalidade guerreira, e o iruexim (rabo de búfalo). Os filhos de Iansã (Oyá)usam colares de contas de vidro na cor grená. Seu dia da semana é quarta-feira.

Obá: Terceira esposa de Xangô, esta divindade é originária do rio Oba, na Nigéria. Corpulenta e destemida, a grande guerreira dança empunhando, na mão direita, sua espada e um escudo, que lhe serve para cobrir sua orelha esquerda, lembrando os fatos relatados em uma famosa lenda, que faz referência à sua rivalidade com Oxum, na disputa por Xangô. Seus instrumentos de culto são o ada (espada), o escudo e o ofá (arco e flecha). Os colares para Obá são de contas vermelhas e amarelas. O dia da semana que lhe é dedicado é a quarta-feira.

Eua: Divindade do rio de mesmo nome localizado em terras iorubás, na Nigéria, Euá é a deusa da beleza, amiga de Orunmilá, chefe conselheiro do povo de Ifé e sempre consultado sobre os rumos a serem tomados nas grandes decisões. Euá se esconde, eventualmente, em florestas de iko (palha da costa). Seus instrumentos de culto são uma cabaça e o ofá. Suas contas são de cor vermelha.

 

Oxalá: Divindade maior dos religiosos iorubás, abaixo de Olodumaré. Oxalá tem o poder de conceder a vida por meio do emi (sopro da vida). Veste-se e usa contas brancas, inclusive de marfim. O seu alá (pano branco) cobre e protege não só os que lhe são consagrados, mas todos os adeptos do Candomblé, ainda que dedicados a outro orixá. Seu instrumento de culto é o opaxorô (o cetro que tem o poder). As pessoas consagradas a Oxalá devem usar colares de contas brancas. Seu dia da semana é a sexta-feira.

 

Ifá: No Candomblé, cultuar Ifá, também conhecido como Orunmilá, é fundamental. Divindade da sabedoria para os religiosos iorubás, nada se faz sem antes consultá-lo. Seu objeto principal é o opon Ifá, tábua sagrada onde os odus (signos iorubás) são marcados no pó ierosum (pó de uma árvore sagrada, corroída naturalmente pelos cupins), constituindo-se numa espécie de enciclopédia oral das tradições dos religiosos iorubás. Os porta-vozes de Ifá são os babalaôs, "pais do segredo" ou sacerdotes de Ifá. Seu instrumento de culto é o opon Ifá. O dia da semana que lhe é dedicado é a sexta-feira.

Oxum: Oxum é a divindade do rio de mesmo nome, que corre na Nigéria. Foi a segunda mulher de Xangô, tendo vivido antes com Ogum, Orunmilá e Oxóssi. As mulheres que desejam ter filhos ou têm problemas de gestação apelam para Oxum, pois ela controla a fertilidade e é a protetora das crianças. É chamada de Iyalodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres em uma cidade da região de origem de Oxum. Além disso, Oxum é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre a água doce, sem a qual não haveria vida na Terra. Seus instrumentos de culto são o abebé (leque de metal nobre com espelhos) e uma espada. Para reverenciar esse orixá usa-se, entre outros símbolos e adereços, colares na cor amarelo-ouro. O dia da semana dedicado a Oxum é o sábado.

Nanã: Nanã Buruku é uma orixá muito antiga e por isso muito respeitada e reverenciada. É considerada uma das mais antigas divindades das águas. Não das águas turbulentas de alto mar, como Iemanjá, nem das águas calmas dos rios, reino de Oxum, mas das águas paradas dos lagos e dos lamacentos pântanos, que lembram as águas primordiais que Odudua encontrou no mundo, quando iniciou a criação deste. Seu instrumento de culto é o ibiri (cetro de palha da costa, talos de dendezeiro e búzios). Os filhos de Nanã devem usar colares de cor branca com listras azuis. Seu dia na semana é a terça-feira.

Iemanjá: O nome Iemanjá vem da tradução do iorubá "Mãe cujos filhos são peixes". É o orixá dos Egbá, nação estabelecida entre Ifé e Ibadan, onde existe o rio que lhe deu o nome. Devido a conflitos entre nações, seus assentamentos (objetos e símbolos sagrados) foram transportados para o rio Ogum, que passou a ser a sua morada. Certa vez, Iemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, fugiu. Seu marido Odudua, rei de Ifé, partiu em sua procura. Para se proteger do cerco dos soldados do rei, Iemanjá quebrou, a conselho da mãe, Olokun, uma garrafa contendo um preparado para ser usado em caso de perigo. Na mesma hora formou-se no local um rio que a levou para Okun (o oceano), casa de Olokun. Iemanjá é evocada e reverenciada por pescadores e por quem vive em contato com o mar. Seus instrumentos de culto são o abebé e a espada. Seus colares são de contas de vidro transparentes. Dia da semana, domingo.

Jesus: o confronto e a condenação

por José Tadeu Arantes

    

       Cristo, Salvador Dali

Uma semana antes de ser executado, Jesus foi recebido como um rei em Jerusalem. Como foi que o grande mestre aclamado por todos se tornou um condenado? Percorra os meandros das manobras políticas que acabaram levando Jesus à morte.

A ação libertadora de Jesus golpeou o próprio coração do poder, concentrado no Templo de Jerusalém. Essa instituição era o centro econômico, político e religioso de Israel. Nem sempre fora assim, porém.

A cobrança pelos sacrifícios:

Com a desagregação da monarquia, esse alto clero assumiu o controle da vida nacional. A base econômica de seu poder eram os sacrifícios diários de animais (bois, carneiros, pombos) e a cobrança de impostos realizados no Templo. Os animais a serem sacrificados passavam por um rigoroso controle de qualidade, baseado nas regras de pureza estabelecidas no livro do Levítico. Essa "peneira fina" barrava os animais trazidos pelos fiéis, que, em seu lugar, deviam comprar outros, vendidos nos pátios do Templo. "Coincidentemente", esses animais aptos eram criados pelas próprias famílias sacerdotais ou por grandes proprietários com elas relacionados. Os preços flutuavam de acordo com a demanda. E disparavam na época das festas religiosas. Um pombo, o animal mais barato, chegava a custar então cem vezes o seu preço normal, sendo comercializado por um denário - quantia equivalente ao salário pago por um dia de trabalho. Estudos recentes dão uma idéia da importância econômica dessas transações. Eles informam que, numa única data da vida de Jesus, por ocasião da Páscoa, foram imolados no Templo nada menos do que 250 mil cordeiros!

O comércio religioso:

Os altos sacerdotes não lucravam apenas com a venda dos animais. Tiravam proveito também da conversão do dinheiro utilizado no pagamento. Pois as moedas correntes não podiam entrar no Templo. O motivo alegado era que se tratava de dinheiro "impuro". Mas a verdadeira causa estava na corrosão de seu valor real devido à inflação. Tanto é que as moedas comuns deviam ser trocadas pela tetradracma tíria, cunhada na cidade de Tiro, na Fenícia, atual Líbano. Em matéria de "pureza" ritual, dificilmente poderia ser encontrado algo menos adequado do que esse dinheiro estrangeiro, que trazia, numa das faces, a imagem do deus pagão Melkart, protetor dos tirenses, e, na outra, a águia de Júpiter, principal divindade dos romanos. A diferença é que a tetradracma tíria era uma moeda forte, que não sofreu qualquer desvalorização num período de 300 anos. Pela troca do dinheiro, os cambistas, aliados dos sacerdotes, cobravam um ágio de 8%! Além dos sacrifícios de animais e do câmbio, a casta sacerdotal locupletava-se ainda com a cobrança do dízimo. Todo judeu do sexo masculino, com mais de 20 anos, era obrigado a pagar. E o Templo possuía o cadastro de cerca de um milhão de contribuintes, dentro e fora da Judéia. Não admira que judeus puritanos, como os essênios, abominassem o sistema econômico-político-religioso estruturado em torno do Templo. Muitos deles eram ex-sacerdotes, que haviam renunciado à sua proveitosa condição por razões de consciência. Quando Jesus virou as mesas dos cambistas e expulsou os vendedores de animais do Templo, ele se chocou de frente contra essa máquina poderosa. A resposta não se fez esperar. Dias depois, o Sinédrio (o senado de Israel) o condenou à morte

O poder do grande Templo de Jerusalém:

Nos tempos antigos, havia vários santuários espalhados pelo país e a prática religiosa estava muito mais próxima da vida cotidiana do povo. Mas, no século 7 a.C., uma reforma violenta, realizada de cima para baixo, modificou profundamente o formato do culto judaico. Ela ocorreu durante o reinado de Josias, que se estendeu de 640 a 609 a.C.. Sob o pretexto de depurar a religião das influências pagãs, herdadas dos povos vizinhos, Josias destruiu os antigos santuários, queimou seus objetos sagrados, massacrou seus sacerdotes e centralizou o culto em Jerusalém. Por trás de seu furor reformista, havia um inconfessável objetivo político: centralizar o culto e obrigar o povo a acorrer a Jerusalém nas datas estabelecidas era uma forma de unificar o país em torno da casa real de Judá. A centralização do culto fortaleceu a casta sacerdotal e enriqueceu seus integrantes mais ilustres.

A condenação

O Sinédrio:

Controlado pelas duas famílias sacerdotais mais poderosas de Israel, as de Anás e Caifás, o Sinédrio - Sanhedrim, em hebráico - era o braço político do sistema de poder estruturado em torno do Templo de Jerusalém. Não por acaso, esse órgão se reunia nas dependências do Templo, na Sala da Pedra Talhada. A ele cabiam todas as decisões de natureza legal ou ritual. E sua autoridade se estendia às populações judaicas que viviam fora da Palestina. Era composto por 70 membros, escolhidos entre os homens mais ilustres da comunidade (saduceus, doutores da lei, fariseus) e presidido pelo sumo sacerdote em exercício. Foi essa instituição, de certo modo semelhante ao senado romano, que condenou Jesus.

A ameaça a Jesus:

O Sinédrio não se respaldava numa longa tradição. Pois sua existência remontava apenas ao século 2 a.C. e encerrou-se em 66 d.C.. Também não desfrutava de sólida legitimidade política aos olhos da população, devido a sua política de colaboração com os romanos. Por isso, seus chefes se sentiram altamente ameaçados com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Eram suficientemente ardilosos, porém, para tirar vantagem do desapontamento popular causado pela recusa de Jesus em assumir o papel de líder messiânico. Traído pelo zelota Judas quando se encontrava em oração no monte das Oliveiras e preso pelos soldados do sumosacerdote Caifás, o mestre foi levado a uma masmorra existente na casa deste último e cruelmente espancado.

Por que Pôncio Pilatos lavou as mãos?

Segundo o relato de Mateus, o Sinédrio condenou Jesus à morte sob a acusação de "blasfêmia". A instituição não tinha, porém, autoridade para executar o condenado, pois algumas de suas antigas atribuições haviam sido cassadas por Roma. Por isso, Caifás encaminhou Jesus a Pôncio Pilatos. Para a mentalidade pragmática de um procurador romano, a acusação, de caráter religioso, não fazia o menor sentido. Daí a hesitação de Pilatos em ratificar a sentença. Mas, no final, ele acabou cedendo. Numa época de aguda fermentação política, os romanos crucificavam aos milhares. Somente na repressão ao levante nacionalista do ano 4 d.C., dois mil judeus foram crucificados. Ao seu olhar insensível, Jesus era apenas mais um. Por que se indispor com o Sinédrio por causa dele?

O PODER DO AXÉ

  

Agenor Miranda

"Quem não conhece Agenor, não conhece Candomblé"
Mãe Menininha do Gantois

Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, é quase uma lenda no Candomblé. Nascido em Luanda, Angola, no dia 8 de setembro de 1907, foi iniciado aos cinco anos de idade pelas mãos de mãe Aninha, venerável ialorixá fundadora do Axé Opô Afonjá, tradicional terreiro de Salvador, Bahia. Profundo conhecedor dos segredos de Ifá, Professor muita gente que diz que tem fé, mas qualquer coisa que aconteça diz logo: "cadê meu santo? Eu sou do santo, eu dei comida ao meu santo ontem e ele está me dando isso?!" Eu não. Eu posso ter o que tiver que eu estou sempre colocando o meu santo acima de tudo, porque poderia ter sido pior se ele não tivesse me ajudando.

Que mudanças o senhor observa no Candomblé de hoje em relação do tempo de sua juventude?

No luxo, na vaidade, mudou. Mas o Orixá não é o mesmo? É a mesma coisa quem diz: "eua os Orixás não são os mesmos? Os nomes são diferentes, mas são os mesmos, não é? Então nós temos que respeitar a todos. A evolução permite que o candomblé hoje seja diferente do meu tempo. Eu não vou querer que o Candomblé hoje volte para chegar ao meu (do meu tempo). De dia para dia está havendo evolução. Quantas coisas novas sabemos que estão sendo descobertas?! E temos que ficar só amarrados? Não, não. Evolução é tudo, não? O Candomblé também tem que evoluir, ué!

O senhor considera-se um homem feliz?

Eu tenho tudo que acho que posso ter na terra. Desejaria muito ser perfeito, mas estou na terra, não sou. Tenho concepção de que eu não sou. (risos). Entrevista realizada no dia 26 de março de 2001, em São Paulo. Eduardo Logunwa Erin Epega, praticante da Tradição de Orixá (Candomblé) desde 1975, consagrado Sacerdote de Ologun-Ede em 1997 e iniciado também para os Orixás Exu e Oxum pela Iyalorixá Sandra Epega. Desde então faz atendimentos a clientes através do Oráculo de Ifá (Jogo de Búzios). É Graduado em Ciências Sociais, modalidade Antropologia, pela Unicamp, onde iniciou seu trabalho de pesquisa sobre religiões africanas no Brasil. Estuda psicologia e psicanálise. Relaciona-se com sacerdotes no Brasil e na África, com os quais mantém constante troca de informações. É membro da Comissão Estadual de Comunicações e Relações Públicas do INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa sobre Banhos rituais e medicinais no universo religioso afro-brasileiro.

por Logunwá Erin Epega

      e-mail: logunwa@hotmail.com


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