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INFORMATIVO UNIAFRO N.º 17 - Abril de 2003

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Muitos estudiosos levantam pistas sobre um período da vida de Jesus no qual ele teria se dedicado ao estudo das religiões esotéricas da época, incluindo a Cabala, a mística judaica. Aqui você mergulha nesse fascinante universo de indagações.

Alguns evangelhos apócrifos (Tomé, Felipe, Pistis Sophia e outros) atribuem a Jesus ensinamentos esotéricos que se aproximam muito do gnosticismo - corrente mística que teve sua maior expressão no século 2 d.C.. A autenticidade das supostas palavras do mestre é duvidosa no Pistis Sophia (Fé e Sabedoria) - um documento tardio, do século 2 ou 3, que apresenta uma doutrina gnóstica extremamente rebuscada. Mas parece bastante plausível em Tomé. Certos especialistas chegam mesmo a afirmar que muitas de suas sentenças são mais confiáveis do que as correspondentes nos evangélicos canônicos. A imagem de Jesus que resulta desses textos é bem mais complexa do que a convencional.

Teria ele transmitido dois corpos complementares de ensinamentos: um, exotérico, adaptado à capacidade de compreensão do grande público; outro, esotérico, destinado a um círculo mais íntimo de discípulos?

Numerosas correntes espirituais, dentro e fora do cristianismo, acreditam que sim. Para umas, ele foi um grande mestre da Cabala, a tradição mística judaica. Para outras, o portador de um conhecimento oculto que vem sendo comunicado à humanidade desde tempos imemoriais - conhecimento cujas origens remontam aos mais antigos iogues indianos e, antes deles, aos xamãs pré-históricos. As duas hipóteses não são contraditórias. E mais algumas poderiam ser acrescentadas.

Algumas passagens da vida de Jesus à luz das tradições esotéricas da sua época

Nesse terreno movediço das suposições, é muito arriscado fazer qualquer afirmação taxativa. Mas, apenas como subsídio à reflexão, é interessante rever, à luz dessas hipóteses, algumas passagens da história de Jesus:

O batismo: Após um período de aproximadamente 20 anos, do qual nada se sabe, ele iniciou sua atuação pública. Essa nova fase da vida foi precedida por um rito iniciático adotado por várias tradições místicas. Trata-se do batismo. A prática era utilizada pelos essênios. Mas não apenas por eles. Comunidades esotéricas de diferentes épocas, regiões e ambientes culturais recorreram e ainda recorrem ao mesmo ritual. Nele, o aspirante vivencia, de maneira simbólica, um processo de "morte e renascimento". Ao ser submerso na água, "morre" para sua antiga existência. Emergindo dela, "renasce" para uma vida nova;

A prova de fogo do deserto: Depois do batismo, Jesus viveu ainda uma outra experiência iniciática, jejuando durante 40 dias no deserto da Judéia. Provas desse tipo são tão antigas quanto o xamanismo e continuam a ser utilizadas por várias tradições místicas. Sua função é submeter o aspirante a uma condição de isolamento e privação, na qual ele seja levado a confrontar o lado sombrio de si mesmo. Nos evangelhos - especialmente em Mateus - esse domínio obscuro da psique assume a forma do Diabo, que assedia Jesus com três tentações: quebrar o jejum, transformando em pães as pedras do deserto; atirar-se do alto do Templo de Jerusalém, para que os anjos o amparassem; adorar o próprio Diabo, em troca do reinado sobre a Terra. Essas três tentações poderiam ser analisadas à exaustão. Mas basta dizer que elas tinham todas o mesmo objetivo: desviar Jesus de sua missão, levando-o a direcionar seus poderes para metas egoístas. Ele as rejeitou, de maneira soberana;

O círculo hermético: Iniciada a missão, suas ações e palavras passaram a atrair um número cada vez maior de pessoas. Os evangelhos distinguem três tipos de público: a grande massa, à qual ele se dirigia nas sinagogas e outros espaços coletivos; um contingente amplo de discípulos, com os quais se mantinha em freqüente contato; e o grupo mais restrito dos "doze", cujos integrantes tiveram que abandonar seus compromissos profissionais e familiares para segui-lo. A narrativa de João informa que pelo menos dois dos "doze" haviam sido antes discípulos de João Batista, e deixaram seu mestre para aderir a Jesus. A constituição e estrutura desse círculo talvez fossem bem menos informais do que se supõe, obedecendo a um modelo há muito estabelecido nas comunidades místicas. Um exemplo típico de ensinamento destinado à multidão é o "Sermão da Montanha", ambientado numa colina próxima à cidade de Cafarnaum. Sentenças mais densas, encontradas no evangelho de Tomé, mas também aqui e ali nos canônicos, poderiam conter parte das lições esotéricas transmitidas aos discípulos;


O texto oculto na tabuleta fixada na cruz: Depois de o mestre ter sido julgado e condenado à morte, o procurador romano Pôncio Pilatos escreveu pessoalmente numa tabuleta a frase "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus". Essa inscrição, redigida em hebraico, grego e latim, foi afixada à cruz. E costuma ser interpretada como um resumo da acusação imputada a Jesus. Porém, à luz das especulações de que estamos tratando, pode ter um significado bem diferente do convencional.

"Nazareno" parece ser o designativo de habitante da cidade de Nazaré, onde ele teria vivido parte de sua existência. Mas poderia se referir também ao status de "nazir" ou "nazireu", indivíduo inteiramente consagrado a Deus, que, entre outras obrigações rituais, devia se abster de cortar os cabelos.

Sansão, um personagem semi-lendário do Antigo Testamento, era "nazir" e teria perdido temporariamente os poderes sobrenaturais quando seus cabelos foram cortados. Também na Índia, muitos iogues, devotos de Shiva, não cortam os cabelos e a barba, porque acreditam que os pelos funcionam como antenas, conectando o corpo físico do homem aos seus corpos sutis. Haveria alguma ligação entre a mística judaica e o shivaísmo indiano? Vários indícios apontam nesse sentido. Mas o desenvolvimento do tema é extenso demais para ser exposto aqui. Outra palavra da inscrição de Pilatos que costuma ser reinterpretada pelas escolas místicas é o termo "rei". Ele não se referiria a um cargo político. Mas ao título que, nos círculos esotéricos, era dado ao indivíduo que iniciava os demais adeptos no conhecimento dos mistérios. O filósofo neoplatônico Porfírio (233-305) foi chamado de Malchos, que significa "rei" em idioma siríaco. E, com essa conotação de mestre iniciático, a palavra foi amplamente utilizada pelos sufis, integrantes de uma tradição mística que teve sua maior expressão no mundo muçulmano.


Os partidos e as seitas que existiam na Galiléia na época de Jesus

Jesus era um judeu, dirigindo-se a interlocutores judeus. E, como tal, contracenou com os diversos grupos político-religiosos que se movimentavam em Israel no seu tempo. Em vários momentos de sua atuação pública, ele divergiu desses partidos e seitas, e criticou duramente seus adeptos. Suas palavras não eram nada suaves nessas ocasiões: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão". Quem eram esses indivíduos que despertavam a indignação do mestre? A que segmentos sociais estavam ligados? Quais suas principais idéias em matéria de política e religião?

Saduceus: Integrantes de um partido constituído por grandes proprietários de terras (anciãos) e membros da elite sacerdotal. O famoso historiador judeu Flávio Josefo (35 d.C.- 111 d.C.) escreveu que os saduceus representavam o poder, a nobreza e a riqueza. Conciliadores em relação ao domínio romano, eles controlavam o Sinédrio (o senado de Israel) e o Templo de Jerusalém. Negavam a imortalidade da alma, rejeitavam o Talmud (conjunto de opiniões e comentários dos antigos rabinos) e aceitavam apenas o que estava escrito na Torá (as Sagradas Escrituras judaicas, constituídas pelos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), cuja redação era atribuída a Moisés. Mais do que qualquer outro grupo, foram os saduceus os principais responsáveis pela condenação de Jesus (leia o artigo "A morte, os presságios e a ressurreição").

Doutores da Lei ("Escribas"): Indivíduos que não estavam ligados a um segmento social específico, nem constituíam uma seita ou partido, na acepção estrita das palavras, porém desfrutavam de enorme autoridade, como intérpretes abalizados das Sagradas Escrituras. Homens de grande erudição, eram consultados em assuntos polêmicos e influenciavam as decisões do Sinédrio, onde estavam representados - por isso, tiveram também sua parte na condenação de Jesus. Ao contrário dos saduceus, cuja atividade religiosa se exercia somente no Templo de Jerusalém, os doutores atuavam também nas sinagogas e escolas rabínicas. Reverenciavam mais do que ninguém a Torá, mas não se prendiam a uma leitura literal do texto sagrado, reconhecendo nele toda uma dimensão esotérica. Muitos doutores pertenciam ao grupo dos fariseus.

Fariseus: Integrantes de um movimento com ramificações em todas as camadas sociais, principalmente nas classes dos artesãos e pequenos comerciantes. Muito religiosos e extremamente formalistas, os fariseus se separavam do resto da comunidade judaica pelo cumprimento ultraminucioso de todas as regras de pureza prescritas na Torá, em especial no livro do Levítico. Daí seu nome, fariseus, que deriva da palavra hebraica perishut ("separação"). Eram ativos nas sinagogas e, em várias ocasiões, foram admoestados por Jesus, que os criticava por se apegarem aos detalhes epidérmicos da Torá, enquanto negligenciavam seu conteúdo profundo. Dirigindo-se a eles e aos doutores, o mestre os chamou de "condutores cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo!" Apesar disso, a doutrina farisaica exerceu forte influência sobre o futuro pensamento cristão, legando-lhe, principalmente, a crença na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo. Em política, os fariseus eram nacionalistas, e aguardavam a vinda do Messias, que deveria libertar Israel da dominação romana.

Zelotas: Dissidentes radicais da seita dos fariseus, pretendiam expulsar pelas armas os dominadores pagãos, e cometiam atentados terroristas contra os representantes do Império. Por isso, eram cruelmente perseguidos pelo poder romano. A base social do partido dos zelotas era formada pelo pequeno campesinato e outros segmentos pobres da sociedade. Sua doutrina era um misto de religiosidade extremada e ultranacionalismo político. Entre os 12 discípulos mais íntimos de Jesus, havia pelo menos dois zelotas: Simão, o Zelota (não confundir com o outro Simão, que o mestre denominou Pedro), e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. O termo Iscariotes, acrescentado ao nome de Judas, tanto pode significar que ele fosse originário da cidade de Kariot, foco da rebelião zelota, como derivar da expressão aramaica ish kariot ("aquele que porta um punhal"), alusão ao fato de os membros dessa seita andarem armados. Os zelotas parecem ter depositado grandes esperanças na liderança política de Jesus. Porém a amplitude, a profundidade e o longo alcance da mensagem do mestre se chocaram com o caráter restrito, superficial e imediatista do projeto revolucionário zelota. Isso talvez explique a traição de Judas.


Essênios: Puritanos que viviam em comunidades ultrafechadas, como a que se desenvolveu na região de Qumran, às margens do Mar Morto. Muitos essênios eram sacerdotes dissidentes do clero de Jerusalém. Para eles, nem mesmo os fariseus e os zelotas eram suficientemente rigorosos no cumprimento da Lei judaica. Sua confraria - acreditavam - era o único remanescente puro de Israel. Opunham-se à propriedade privada e ao comércio, valorizavam o trabalho na lavoura e levavam uma vida comunal extremamente austera. Praticavam o celibato ou se casavam somente para perpetuar a espécie. Combatiam intransigentemente tanto os romanos quanto o poder concentrado no Templo de Jerusalém, opondo-se ao sacrifício de animais. E aguardavam a vinda do Messias, que deveria liderar uma guerra santa para eliminar os pecadores e instaurar o reino dos justos. Os essênios cultivavam uma doutrina mística de tipo gnóstico. Seus aspirantes deviam passar por um período de iniciação, que durava três anos e culminava no ritual do batismo. Pesquisas arqueológicas recentes levaram à descoberta de que havia em Jerusalém um bairro essênio, contíguo ao bairro cristão. Certamente ocorreu uma troca de influências entre as duas comunidades. Mas a especulação de que Jesus tenha pertencido a essa seita é totalmente rechaçada pelos estudiosos contemporâneos. Um essênio jamais se sentaria à mesa de um cobrador de impostos ou perdoaria uma mulher adúltera, como fez Jesus. Apegados aos preceitos de pureza e ao seu próprio orgulho, os essênios se afastavam de um mundo supostamente corrompido para não se contaminarem. Jesus, ao contrário, transgredia deliberadamente essas mesmas regras. E mergulhava no mundo para transformá-lo.

Fonte: www.arvoredobem.hpg.ig.com.br


ORUNMILÁ - IFÁ , O ESPÍRITO DA SABEDORIA

por Sacerdote de Ologun-Ede Logunwa

Para o pensamento iorubá a vida é uma jornada, uma grande aventura. E é aqui na terra o melhor lugar do mundo para se viver. Tanto isso é verdade que quando um ente querido morre, diz-se "Wa ati bo" (Vá e volte logo). Essa e outras sabedorias sobre o mundo e a vida são parte do conhecimento transmitido oralmente pelos sacerdotes de Ifá, os Babalawo, ou Pais do Segredo. O conhecimento do Babalawo está contido nos poemas, um compêndio de centenas de milhares de histórias míticas que são relembradas e entoadas em forma de cânticos pelos sacerdotes de Ifá. O cliente ao ouvir determinada passagem que alude ao problema que está vivendo interrompe o sacerdote que passa então a explorar as possíveis maneiras de auxiliá-lo. Isso pode ser feito por meio de oferendas rituais ou através do uso de plantas medicinais para ingestão na forma de chás ou de poções ou ainda em banhos ou sachês. O Babalawo pode também sugerir mudanças de comportamento do indivíduo. Para tornar-se um sacerdote de Ifá, um Babalawo, é necessário um aprendizado iniciático que tem início na infância -- ao redor dos 4 anos de idade -- e que jamais terá fim. Em geral, o aprendiz estará apto a atender após um mínimo de 16 anos de estudos constantes.

Qual a diferença entre os nomes Orunmilá e Ifá?
Ifá é o nome que Olodumaré, o Deus Criador, deu para Orunmilá enquanto divindade manifestada no mundo. Ifá é o Oráculo, o sistema divinatório composto de diversos métodos. Os mais conhecidos são o Opele, o Ikin e o Merindilogun ou jogo de búzios. Orunmilá é a divindade e Ifá é o sistema onde esta divindade se manifesta. Não há Ifá sem Orunmilá e nem Orunmilá sem Ifá. Estes dois conceitos são tão intimamente relacionados que muitas vezes referimo-nos a Orunmilá como Ifá.

E quem é Orunmilá? Orunmilá é a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável pela transmissão das orientações dos deuses e de nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada um de nós a possibilidade de uma escolha acertada para uma vida feliz. Orunmilá, a Testemunha do Destino e da Criação. O segundo após Olodumaré. Aquele que estava presente, ao lado de Deus, quando a Vida, o Mundo, o Homem foi criado. Orunmilá tudo vê, tudo sabe, tudo conhece. Não há nada que tenha sido criado ou que virá a ser criado que Orunmilá não saiba antes. Orunmilá conhece a vida e conhece a morte, ele conhece a existência: o antes e o depois. Por isso ele pode ajudar. Guia, profeta, professor, divindade, Orunmilá/Ifá deve ser compreendido como um sistema: é o homem e sua ferramenta. Por vezes o homem é a sua própria ferramenta. Orunmilá é tanto humano quanto espírito. Enviado por Olodumaré para ir a diferentes lugares sempre que há necessidade para ajudar os homens a enfrentarem seus problemas, contornando obstáculos e desenvolvendo o seu bom caráter. Podemos também imaginar Orunmilá como o espírito de Olodumaré manifestado no homem. Alguns dizem que a palavra Orunmilá deriva de Oro-Omo-Ela ou Oro= palavra/espírito, Omo= filho, Ela= Deus. Após a Criação, Orunmilá veio à Terra como a divindade encarregada por Olodumaré para ensinar os homens. Esta mensagem é Ifá, a luz, o conhecimento e a orientação da sabedoria ancestral de toda a humanidade.

Eduardo Logunwa Erin Epega, praticante da Tradição de Orixá (Candomblé) desde 1975, consagrado Sacerdote de Ologun-Ede em 1997 e iniciado também para os Orixás Exu e Oxum pela Iyalorixá Sandra Epega. Desde então faz atendimentos a clientes através do Oráculo de Ifá (Jogo de Búzios). É Graduado em Ciências Sociais, modalidade Antropologia, pela Unicamp, onde iniciou seu trabalho de pesquisa sobre religiões africanas no Brasil. Estuda psicologia e psicanálise. Relaciona-se com sacerdotes no Brasil e na África, com os quais mantém constante troca de informações. É membro da Comissão Estadual de Comunicações e Relações Públicas do INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa sobre Banhos rituais e medicinais no universo religioso afro-brasileiro.

e-mail: logunwa@hotmail.com

Fonte:www.arvoredobem.hpg.ig.com.br


por dr. Frederico Berardo

FADIGA CRÔNICA: Um Mal dos Tempos Modernos

Como a homeopatia encara (e trata) esse tremendo mal-estar e cansaço que atinge tanta gente hoje em dia, especialmente nas grandes cidades? Nosso consultor, o dr. Frederico Berardo, esclarece você, e dá conselhos práticos para melhorar sua qualidade de vida. Hoje em dia, tem sido muito freqüente recebermos em nosso consultório pacientes queixando-se de cansaço, falta de disposição e de apetite sexual, dificuldades para dormir. Reclamam de dores pelo corpo, falta de pique, concentração difícil, que o trabalho não rende... Em geral, frente a esses casos, nós, médicos, ouvimos as queixas, examinamos, pedimos os testes laboratoriais de praxe e, a menos que não encontremos uma doença específica, rotulamos aquilo que o doente sente como stress. É a vida dos dias de hoje, a falta de dinheiro, a competitividade no trabalho (ou a falta de trabalho), a violência, a poluição, o trânsito etc., etc., etc. Daí, conversamos bastante com o paciente (ou, pelo menos, deveríamos), dizemos que ele não é portador de nenhum distúrbio orgânico, que seu coração está bem, que precisa relaxar, praticar algum esporte, aproveitar os momentos de lazer, talvez fazer uma terapia. E receitamos algo genérico, como um complexo de vitaminas e minerais de alta potência (os alopatas talvez receitem um tranqüilizante, um indutor do sono) ou um medicamento homeopático que possa ajudá-lo a encontrar seu equilíbrio. Muitas vezes acertamos, isto funciona. O paciente melhora, tanto pelos medicamentos quanto pelas orientações de vida e pela atenção que recebe. Mas, em certos casos, cuja freqüência tem aumentado em níveis preocupantes, o andamento não é bom. A pessoa persiste reclamando que seu sono não melhora, que continua cansado e que as dores pelo corpo não o deixam em paz. Antes de tentar aumentar a dose dos medicamentos ou de rotular aquele indivíduo como hipocondríaco, cuidado! Nós podemos estar frente a alguém com uma doença chamada Síndrome da Fadiga Crônica.

Saiba o que é:

Mas, o que é Síndrome da Fadiga Crônica (SFC)? Como o próprio nome diz, é um quadro de fadiga acentuada, alternada com períodos de bem-estar, associada a muitos outros sintomas, como sono difícil, dores musculares e ósseas, desordens intestinais, indisposição que não melhora com exercícios físicos, memória débil, dificuldade de concentração, às vezes febre baixa e infecções de repetição. Como se pode ver, não é difícil confundir a SFC com stress ou alterações de origem puramente emocional. O que a diferencia é a persistência dos sintomas, sem alívio duradouro e que podem evoluir até a total impossibilidade de exercer suas atividades normais. Os dados norte-americanos falam em aproximadamente 3 a 6 milhões de pessoas sofrendo, hoje, de algum grau de SFC. Não se sabe ao certo o que causa a síndrome. As hipóteses mais prováveis falam de infecções passadas por algum tipo de vírus ou infecção crônica por um fungo, chamado Candida albicans. No caso de vírus, o mais comumente associado à SFC é o EBV (Epstein Barr Virus), que causa uma doença chamada mononucleose infecciosa e também está relacionado aos vírus que causam herpes genital e herpes zoster. Acredita-se que, ao ser infectado por algum desses agentes, o organismo sofra uma sobrecarga no seu sistema imunológico, resultando em um "stress" deste sistema. Daí as infecções de repetição e o excesso de antibióticos, que agravam sobremaneira o quadro, diminuindo ainda mais as defesas orgânicas. Outras causas de SFC podem ser intoxicações crônicas por mercúrio de amálgamas dentários, hipoglicemia, hipotireoidismo e anemia.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de SFC é difícil, pois os exames de laboratório freqüentemente são inconclusivos, mostrando aterações inespecíficas, que não são levadas em consideração pelos médicos. Por isso, muitas vezes é necessária uma investigação aprofundada, para detectar pequenas alterações sanguíneas ou metabólicas, intoxicação por mercúrio, presença de fungos no intestino ou de anticorpos anti EBV, que podem ajudar bastante no diagnóstico correto. O tratamento da SFC é bastante eficiente para minimizar os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida do paciente, restaurando-lhe a vitalidade e o equilíbrio psíquico e orgânico. Sempre é necessário que se faça uma recuperação do sistema imunológico e, se possível, a eliminação dos vírus ou fungos que infestam o organismo. Além disso, é preciso muito cuidado com o uso de anti-inflamatórios e antibióticos, pelo seu efeito danoso para as defesas orgânicas. Para restauração do equilíbrio, a dieta é ponto fundamental: o abuso de alimentos refinados e industrializados, com seus aditivos químicos, contribuem para a sobrecarga do organismo. Deve-se preferir uma dieta balanceada, com alimentos naturais, vegetais, frutas, carnes brancas e grãos integrais, que estimulam o sistema imunológico. Limite o consumo de álcool, retire o café e o cigarro. Suplementos nutricionais são fundamentais, como vitaminas, minerais, aminoácidos e enzimas, às vezes em altas doses, principalmente quando a doença já se instalou no organismo há muito tempo.

Comentário final

A Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença dos dias de hoje, cosmopolita e cada vez mais freqüente. Precisa ser diagnosticada para ser adequadamente tratada, pois, apesar de não se constituir em risco de morte, pode trazer sérios danos ao sistema imunológico e contribui significativamente para a perda da qualidade de vida.

A Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença dos dias de hoje, cosmopolita e cada vez mais freqüente. Precisa ser diagnosticada para ser adequadamente tratada, pois, apesar de não se constituir em risco de morte, pode trazer sérios danos ao sistema imunológico e contribui significativamente para a perda da qualidade de vida.

O dr. Frederico A. N. Berardo é médico homeopata e especialista em medicina ortomolecular . Contatos: (11) 3801-3871 ou por e-mail

Fonte: arvoredobem.hpg.ig.com.br


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