SEJA BEM-VINDO À UNIAFRO 

UNIÃO DE CULTURA NEGRA EM SANTA CATARINA

INFORMATIVO UNIAFRO N.º 18 - Agosto de 2005

www.uniafro.hpg.com.br / e-mail: uniafro@ieg.com.br - Fones: 9114-5905 / 3025-4292

SARAVÁ OBALUAIYÊ

ATOTÔ

 Obaluayê, o guerreiro, também conhecido como Omulú, em sua apresentação como velho e doentio, ou Shapanã - “o médico dos pobres” por ter a capacidade de curar as doenças da matéria e do espírito humano -, além de curar também os animais. Esse grande orixá, originário da nação gêge (fon), é reverenciado no dia 16 de agosto, na maioria dos cultos afro-brasileiros. Seu alimento mais comum é a pipoca, estourada na areia de praia ou de rio. Obaluaiyê é o senhor das propriedades da terra; senhor da vida e da morte física, senhor do aiyê.  

 

A Uniafro lamenta o falecimento da Yalorixá Mãe Cristina, ocorrido no último final de semana, dia 06/08/2005. Mãe Cristina era uma das cacurucaias de Umbanda da Ilha da Magia. Deixa saudade a todos os seus filhos-de-santo e familiares; e uma grande lacuna no Ritual de Umbanda em Florianópolis – SC. O corpo de mãe Cristina foi sepultado no dia 07/08/05. UMBANDA ESTÁ DE LUTO! 

 

UNIAFRO & CEUCASC

            A Uniafro – União de Cultura Negra em Santa Catarina e o Conselho Estadual Cristão Espírita de Umbanda e Cultos Afros de Santa Catarina (CEUCASC), tendo por finalidade o resgate histórico da luta pela valorização da religiosidade e da cultura afro-brasileira, estão trabalhando juntos. Essa decisão foi tomada como consenso estratégico no evento “Reunião de Babalorixás e Yalorixás com a Uniafro”, ocorrido no dia 25 de maio do corrente ano, na sala de eventos da Livraria Religare, no Calçadão da Rua João Pinto, centro de Florianópolis.

Essa proposta de união, não de unificação, puxada pela Uniafro visa fortalecer o CEUCASC e dar apoio à sua nova diretoria, que apresentou na reunião, como uma das propostas, à reestruturação daquele Conselho e a busca de novas parcerias com outras entidades para melhor atender à comunidade afro-religiosa do Estado de Santa Catarina. Representado naquela reunião por seu presidente, Babalorixá Jayme de Oxaguiã, externou a ânsia da diretoria daquele órgão fiscalizador em querer, realmente, tornar o Conselho mais atuante e responsável com os assuntos inerentes à religião afro-brasileira em Santa Catarina.

A atitude da atual diretoria do CEUCASC, de  pretender ir além da simples entrega de alvarás, certificados e carteirinhas, é elogiável. Um Conselho Fiscalizador precisa ter sua autoridade reconhecida por seus pares; caso contrário, os documentos expedidos por ele nada representará, além de simples papel, por estar esvaziado da importância que deveria  ser atribuída pela comunidade afro-religiosa que lhe dá autoridade de ação e decisão e pela própria sociedade onde está inserido. A Uniafro está nessa luta junto ao CEUCASC para que a comunidade afro-religiosa de Santa Catarina tenha, realmente, um órgão fiscalizador atuante e confiável. É necessário que se tenha um órgão fiscalizador forte para que se possa coibir os excessos, todos sabemos que ocorrem, que depõem contra os cultos afro; contra a comunidade umbandista;  contra esse(a) ou aquele(a) babalorixá e/ou yalorixá que realiza trabalhos sérios que nos enchem de orgulho de nos intitularmos “umbandistas”. “Arriba CEUCASC!” Que essa parceria com a Uniafro seja duradora, e juntos, atuando em suas áreas pertinentes, possamos realizar muitos projetos que venham valorizar e causar orgulho à comunidade afro-religiosa e aos afros-descendentes catarinenses e em nosso País.

Seja bem-vindo CEUCASC! Axé e Luta!!!

                               Apolônio A da Silva – Adm. Uniafro

POR QUE A IGREJA UNIVERSAL "DO REINO DE DEUS" E OUTRAS IGREJAS NEOPROTESTANTES  AGRIDEM TANTO OS CULTOS AFRO-BRASILEIROS

 

Por  será que a Igreja Universal do "Reino de Deus" e as outras igrejas neo-evangélicas atacam tanto os cultos afro-brasileiros, tentando destruí-los a todo custo?

Que interesse há por trás desses ataques? Será por que os Terreiros de cultos afro-brasileiros têm dinheiro? Será por que esse culto representa algum perigo para eles? Ou será que pensam que é mais fácil convencer um adepto do culto afro a renegar à crença em sua religião e às suas origens para entrar para a Igreja Universal do “Reino de Deus”?

Não; não é isso, pois sabemos que a maioria dos Terreiros é pobre. Será por que as pessoas que freqüentam os cultos afro-brasileiros têm boa situação econômica? Talvez, pois alguns, graças aos orixás, realmente têm. E o que acontece quando um filho-de-santo desiste do Terreiro que freqüentava e vai para a Igreja Universal do "Reino de Deus"?  Ele vai dar o seu testemunho de como estava a "sua vida quando freqüentava o Terreiro e como está agora desde que começou a freqüentar à Igreja Universal. Estamos cansados de ver e ouvir em seus programas de rádio e  televisão esses depoimentos hipócritas. Essas pessoas jamais entenderam a essência e o significado da palavra Orixá ou da palavra axé e, principalmente, dos fundamentos das religiões afro-brasileiras. Talvez essas pessoas  pretendam ficar ricas, como vemos e ouvimos nos depoimentos na televisão e no rádio. Quem sabe gostariam de freqüentar templos sofisticados e bonitos, como os são as Igrejas Universal do "Reino de Deus". Se os senhores pastores da Igreja Universal destratam tanto os cultos afro-brasileiro por que será que usam coisa que são usadas nos Terreiros de rituais afro-brasileiros? Ouvimos e vemos na mídia a indicação de banhos-de-descarga; sessões de des(carregos); o uso do sal grosso; da coleta de ervas para banho; etc... Tudo coisas utilizadas em rituais afro-brasileiros. SE USAM, É PORQUE FUNCIONA! CASO CONTRÁRIO, NÃO IRIAM IMITAR OS RITUAIS AFRO-BRASILEIROS. As religiões afro-brasileiras não têm redes de rádio e televisão para divulgarem as suas propostas religiosa. Sequer tem espaço na mídia (programa de rádio ou televisão) para se defender, mas o povo-de-santo tem fibra, é inteligente e tem FÉ em seus Orixás ; e se organizarão para defender a Fé religiosa no culto aos Orixás. NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS NÃO EXISTEM DEMÔNIOS, por isso não dizemos seus nomes e nem os chamamos! Nas religiões afro-brasileiras só existem Orixás – o princípio criador da própria existência, a quem chamam de Olorum, Nzâmbi ou simplesmente Oxalá, a quem os Orixás estão subordinados. As religiões afro não têm dinheiro para pagar um espaço no rádio ou na televisão para divulgar à sua filosofia religiosa e se defender das ofensas, agressões, preconceitos e meias-verdades, o quê é pior que uma mentira; mas poderão ter, se seus adeptos se unirem. Os adeptos das religiões afro-brasileiras são muitos, e se quiserem conseguem. Mostrem a força da raça negra! A religiosidade africana é sua herança! Mostrem sua força! Vamos mostrar que podemos realizar ações. Temos nossos direitos e devemos lutar por ele. Não vamos deixar que nos sufoquem. Se cada um de nós contribuir com o que for "possível" poderemos comprar um espaço na mídia para a nossa defesa e não de favor alheio. Não temos malas de dinheiro, como vimos na mídia. Em nossos Terreiros não costumamos passar a "sacolinha". Mas podemos doar o que for "possível", nem que seja uma tarde ou uma manhã do nosso dia de descanso para trabalhar em defesa do que acreditamos. Quem conhece a História da Religião Afro-brasileira sabe o quanto nossos antepassados (Yalorixás e Babalorixás) sofreram para mantê-la viva até a presente data. Lutaram contra a repressão policial, contra a discriminação sócio-religiosa e contra as pressões exercidas pela Igreja Católica. Isso está documentado em livros, jornais, revistas e documentários. Nossos antepassados conseguiram vencer. Será que nós, "negros de pele e negros de pele branca" herdeiros da crença na religião de nossos ancestrais africanos não vamos lutar para defendê-la? Se não o fizermos, o que somos então?! Quem irá defendê-la.  Lembre-se de que Jesus, pedindo pela paz entre os povos, morreu crucificado; até mesmo o pacifista Mahatma Gandhi teve que lutar, pacificamente, por seu ideal;  Nelson Mandela, em defesa dos direitos civis dos sul-africanos na República da África do Sul teve que lutar e isso custou-lhe mais de vinte anos de prisão; os africanos escravizados neste País lutaram em defesa de sua liberdade e da liberdade de culto  à sua religião. Vamos esperar até quando? Todos lutam por seus direitos, por exemplo, os estudantes de Florianópolis que lutaram contra o reajuste do valor da passagem de ônibus, porque esse reajuste trazia-lhe dano e desrespeito aos seus direitos. Como resultado, até mesmo aquelas pessoas que os chamaram de  “aqueles estudantes vagabundos e encrenqueiros“ foram beneficiados pela luta deles contra o poder econômico. Nós fazemos a História! “Babalorixás” e “Yalorixás”, sejam "grandes" no sentido de que essas palavras significam.” Lembre-se de que os filhos tendem a seguir o exemplo dado pelos pais. A religião afro-brasileira não é feita só de sua casa! Religião significa coletividade. Você é responsável pela continuidade de sua religião, porque faz parte dessa coletividade. Você não está sozinho. Lembre-se de que a liberdade religiosa que temos hoje custou, no passado, o "sangue" de muita "pele negra", principalmente, e de "pele branca" também.  REFLITAM!

Autor: Ojúòbá  

CURSOS DE CULTURA AFRO-BRASILEIRA MINISTRADOS PELA UNIAFRO  

 

Participe dos cursos de cultura afro-brasileira ministrado pela Uniafro e conheça um pouco mais da história da África, da história afro-brasileira e seus rituais religiosos afro-brasileiros.

Colabore conosco para que possamos continuar a realizar os serviços de utilidade pública que irão lhe beneficiar. A Uniafro não cobra mensalidade de ninguém. A Uniafro/SC sobrevive do produto de seu trabalho e de doações feitas por simpatizantes da cultura e religião afro-brasileira.

FLORIAFRIKA

Cartões, artesanatos, camisetas em temas afro-brasileiro. Lembranças de Floripa - FONE: 346-3546

BABALORIXÁS E YALORIXÁS! AGUARDAMOS SEU TEXTO PARA PUBLICAÇÃO EM NOSSO INFORMATIVO. NÃO FIQUEM CONSTRANGIDOS EM EXPRESSAR  PUBLICAMENTE SUAS OPINIÕES.  AXÉ E LUTA!!!

Uniafro/SC

 

DESTAQUE DO MÊS DE AGOSTO

 

A Uniafro destaca no mês de agosto/2005, a parceria que está acontecendo entre a ela – União de Cultura Negra em Santa Catarina   e o Conselho Espírita de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros de Santa Catarina – CEUCASC, em prol do resgate dos valores dos cultos de matriz africana no Estado de Santa Catarina. Destaca, também, a importância do apoio que têm recebido de dirigentes dos Terreiros cadastrados na Uniafro.

Axé e Luta!!!

Apolônio A da Silva - Coord. Adm. Uniafro

UMBANDA


Há de se entender, antes de qualquer explicação, que a UMBANDA é uma religião, ou seja, é composta de elementos Divinos (Orixás e Guias); Doutrinários (linhas de atuação, reencarnação, lei do karma, atuação e direcionamento dos médiuns, assistenciados e guias, ...; Princípios (amor, caridade, respeito ao próximo, fé, ...); Rituais (abertura e encerramento das sessões, pontos cantados, feituras, ....); Místicos ( a forma de atuação dos Orixás e Guias); Divinatórios ( jogo de búzios, ... ) Humanos ( seus médiuns, Babás, Babalorixas, Sacerdotes, ...). Cabe salientar que esses elementos são variáveis e podem ser vistos com mais ou menos intensidade de acordo com a linha doutrinária da casa ( Linhas doutrinárias ou Escolas Doutrinárias ). Como são muitas as ramificações e suas formas, isso torna difícil agrupá-las em suas peculiariedades, ritos, doutrina, fundamentos, filosofia, práticas. Pretendemos olhar de maneira geral os elementos mais comuns a cada ramificação dentro do possível.

A UMBANDA é uma religião de cunho espiritualista (contato e/ou interferência de espíritos, manipulações magísticas, práticas de cura através dos espíritos e/ou ervas/poções/conjuros, utilização de elementos ou instrumentos místicos)/mediúnica (instrumento pelo qual a prática religiosa se faz presente, especificamente, a incorporação) que agrega elementos de bases africanas (culto aos Orixás e ao espírito dos antepassados: Pretos-Velhos), indígenas (Caboclos), que recebeu influência oriental (indiana, inerente à reencarnação, o kharma e o dharma), e adquiriu elementos do cristianismo (judaísmo) como a caridade, o auxilio ao próximo e outros ditos por Jesus Cristo que no sincretismo religioso (associação dos Santos Católicos aos Orixás africanos) consideramos como o Orixá Oxalá. 

Existem algumas versões para a origem da Umbanda. Tentaremos mostrar uma face dessa origem, salientando que não importa as formas variáveis da origem, e sim, como ela atua e o que têm em comum: sua essência.

O início do movimento Umbandista se coloca entre a primeira e a segunda metade do século XIX, junto ao candomblé. Os negros nas senzalas cantavam e dançavam em louvor aos Orixás, embora aos olhos dos brancos eles estavam comemorando os Santos católicos. Em meio a essas comemorações eles começaram a incorporar espíritos ditos Pretos-Velhos (reconhecidos como espíritos de ancestrais, sejam de antigos Babalaôs, Babalorixás, Yalorixás e antigos "Pais e Mães de senzala": escravos mais velhos que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as antigas artes da religião da distante África) que iniciaram a ajuda espiritual e o alívio do sofrimento material, àqueles que estavam no cativeiro. Embora houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os espíritos incorporados dos Pretos-Velhos como Eguns (espírito de pessoas que já morreram e não são cultuados no candomblé), também houve admiração e devoção. Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas leis do Ventre Livre, Sexagenário e posteriormente a Lei Áurea, começou-se a montagem das tendas, posteriormente terreiros.

Em alguns Candomblés também começaram a incorporar Caboclos (índios das terras brasileiras como Pajés e Caciques) que foram elevados à categoria de ancestral e passaram a ser louvados. O exemplo disso são os ditos "Candomblés de Caboclo". Muito comuns no norte e nordeste do Brasil até hoje.

No início do sec. XX surgiram as Macumbas no sudeste do Brasil, mas precisamente no Rio de Janeiro (sendo que também existiam em São Paulo ) que mesclavam ritos Africanos, um sincretismo Afro-católico e outros mistos magísticos e influências espíritas (kardecistas). Isso era feito isoladamente, por indivíduos e seus guias, ou em grupamentos liderados pelo Umbanda ou embanda que era o chefe de ritual. De certa forma, com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não se enquadrava no catolicismo, protestantismo, judaísmo ou no espiritismo, era considerado macumba. Virou um termo pejorativo e as pessoas que a praticavam, o que podemos rotular como uma "Umbanda rudimentar", não estavam muito interessadas ou preocupadas em dar-lhe um nome. Porém, o termo Umbanda já era utilizado dentro de uma forma de culto ainda meio dispersa e sem uma organização precisa como vemos hoje.

A mais antiga referência literária e denotativa ao termo Umbanda é de Heli Chaterlain, Contos Populares de Angola, de 1889. Lá aparece a referência à palavra Umbanda.

 UMBANDA: Banto - Kimbundo = arte de curar.

Segundo Heli Chatelain, tem diversas acepções correlatas na África (ref.: Cultura Bantu):

1 - A faculdade, ciência, arte, profissão, negócio:

1a) de curar com medicina natural (remédios) ou sobrenatural (encantos);

1b) de adivinhar o desconhecido pela consulta à sombra dos mortos ou dos gênios, espíritos que não são humanos nem divinos;

1c) de induzir esses espíritos humanos que não são humanos a influenciar os homens e a natureza para o bem ou para o mal;

Com o passar do tempo a Umbanda foi se individualizando e se modificando em relação ao candomblé, ao Catolicismo e ao Espiritismo. Através dos Pretos-Velhos e Caboclos, que guiaram seus "cavalos" (médiuns), a Umbanda foi adquirindo forma e conteúdo próprios e característicos (identidade cultural e religiosa) e que a diferencia daquela "Umbanda rudimentar" ou Macumba.

A incorporação de guias de Umbanda também ocorreu em outras religiões além do Candomblé, como foi no caso do espiritismo. Em 1908, na federação espírita, em Niterói, um jovem de 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes, foi convidado a participar da Mesa Espírita. Ao serem iniciados os trabalhos, manifestaram-se em Zélio espíritos que diziam ser de índio e escravo. O dirigente da Mesa pediu que se retirassem, por acreditar que não passavam de espíritos atrasados (sem doutrina).

As entidades deram seus nomes como Caboclo das Sete encruzilhadas e Pai Antônio. No dia seguinte, as entidades começaram a atender na residência de Zélio todos àqueles que necessitavam, e, posteriormente, fundaram a Tenda espírita Nossa Senhora da Piedade.

Zélio foi o precursor de um "trabalho Umbandista Básico" (voltado à caridade, assistencial, sem cobrança e sem fazer o mal e priorisando o bem), uma forma "básica de culto" (muito simples), mas aberta à junção das formas já existentes (ao próprio Candomblé nos cultos Nagôs e Bantos, que deram origem às Umbandas mais africanas - Umbanda Omoloko, Umbanda de pretos-velhos-; ou aquelas formas mais vinculadas ao espiritismo - Umbanda Branca-; ou aquelas formas oriundas da Pajelança do índio brasileiro - Umbanda de Caboclo -; ou mesmo formas mescladas com o esoterismo de Papus - Gérard Anaclet Vincent Encausse -, esoterismo teosófico de Madame Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), de Joseph Alexandre Saint-Yves d´Alveydre - Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática, entre outras) que foram se mesclando e originando diversas correntes ou ramificações da Umbanda com suas próprias doutrinas, ritos, preceitos, cultura e características próprias dentro ou inerentes à prática de seus fundamentos.

Hoje temos várias ramificações da Umbanda que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Alguns exemplos dessas ramificações são:

 

 "Umbanda tradicional - Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes";

" Umbanda Popular " - Que era praticada antes de Zélio e conhecida como Macumbas ou Candomblés de Caboclos; onde podemos encontrar um forte sincretismo - Santos Católicos associados aos Orixas Africanos";

" Umbanda Branca e/ou de Mesa " - Com um cunho espírita - "kardecista" - muito expressivo. Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos - Orixás -, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinaria se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas - "kardecistas - como fonte doutrinária;

" Umbanda Omolokô " - Trazida da África pelo Tatá Trancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias. Culto trazido da África pelos africanos escravizados, e que entre as décadas de 1940 à 1970, aproximadamente, passou a ser divulgado  pelo Tatá Trancredo da Silva Pinto, pois esse culto já existia no Brasil. (grifo nosso);

" Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessoes diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;

" Umbanda Esotérica " - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: "conjunto de leis divinas";

" Umbanda Iniciática " - É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sanscrito;" Umbanda de Caboclo " - influência do cultura indígina brasileira com seu foco principal nos guias conhecidos como "Caboclos";

" Umbanda de pretos-velhos " - influência da cultura Africana, onde podemos encontrar elementos sincréticos, o culto aos Orixás, e onde o comando e feito pelos pretos-velhos;

" Umbanda de Almas e Angola " Culto que teve sua origem no Rio de Janeiro com o Babalaô Luiz D’Ângelo; foi trazido para o Estado de Santa Catarina pela Babá Guilhermina Barcelos (Mãe/Vó Ida) e continuada sua divulgação por Pai Evaldo Linhares, filho-de-santo de Mãe/Vó Ida; sendo este, o culto que possui a maioria de adeptos nesse Estado (grifo nosso).

Outras formas existem, mas não têm uma denominação apropriada. Se diferenciam das outras formas de Umbanda por diversos aspectos peculiares, mas que ainda não foram classificadas com um adjetivo apropriado para ser colocado depois da palavra Umbanda.  

   

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Serviço de utilidade pública ESTOU ENVIANDO A TODOS DA MINHA LISTA...REALMENTE É MARAVILHA A NOTICIA!!!!!

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Alguém pode precisar!

Já existe vacina anti-câncer (câncer de pele e rins). Foi desenvolvido por cientistas-médicos brasileiros uma vacina para estes dois tipos de câncer, que se mostrou eficaz, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada. A vacina é fabricada em laboratório, utilizando um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias fica pronta, e é remetida ao médico oncologista do paciente. Telefone do Laboratório: 0800-7737327 - (falar com Dra. Ana Carolina ou Dra. Karyn, para maiores. detalhes): http://www.vacinacontraocancer.com.br/hybricell/

Mensagem enviada por: helealma <helealma@terra.com.br> - segunda-feira, 8 de agosto de 2005 21:31:51

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 UMA ESTÓRIA AFRO-BRASILEIRA

 

Foi uma grande festa na África! Um grande acontecimento no Orum. A notícia se espalhou como um raio por toda Ilú aiyê. Iemajá, filha de Olokum iria casar novamente. Não se sabe o porquê  de Iemanjá ter posto um fim ao seu antigo casamento com Orumilá, Senhor das Advinhações. Seu futuro marido, Olofim, rei de Ifé, após o casamento, a levou para morar em seu palácio, em seu reino. Lá, Iemanjá teve dez filhos, mas já cansada da convivência com Olofim, disse-lhe que gostaria de voltar para o palácio de seu pai Olokum. Olofim ficou furioso. Não permitiu que ela partisse de seu reino. Iemanjá, decepcionada com a negativa de seu marido e com saudade do reino de seu pai Olokum, foge de Ifé e vai em direção ao oeste, levando consigo uma garrafinha contendo uma poção mágica preparada pelos sacerdotes de Olokum, que havia lhe foi dada na ocasião da festa de seu casamento com Olofim. Seu pai Olokum lhe tinha dito que se algum dia ela estivesse realmente precisando de muita ajuda, em perigo extremo, que quebrasse aquela garrafinha no chão, que a ajuda lhe seria de muita valia. Assim, de madrugada, Iemanjá fugiu. Olofim, quando deu por sua falta, enraivecido, enviou seus guerreiros à procura de Iemanjá. Vasculharam todo o reino de Ifé e outros reinos também. Iemanjá, vendo-se cercada pelos guerreiros enviados por seu marido, sem ter mais para onde fugir; num ato de extremo desespero, arremessou ao chão a garrafinha que Olokum havia lhe dado e recomendado. Instantaneamente, um rio formou-se à sua frente, cuja correnteza extremante forte a levou de volta ao oceano, ao reino de seu pai. Dessa forma, Iemanjá conseguiu fugir da fúria de seu marido Olofim, e passou a habitar à segurança do palácio de seu pai Olokum, senhor dos oceanos. Por ser filha de Olokum, Iemanjá é chamada de Rainha do Mar, aqui no Brasil, e é considerada a senhora de todas as águas. Na África, Iemanjá habita o Rio Ogum.

                                                                                                                                  Babalorixá Omobaomi

 RESGATANDO O QUE FOI e É BOM

             Iemanjá recebe oferendas no tradicional culto à beira-Mar  

             Representantes de religiões afro repudiam "espetáculo"

Valéria Lages

Hoje é dia, principalmente noite, de oferendas na praia à Iemanjá, a rainha dos mares das religões afro-brasileiras. Apesar de tradicional em toda a costa do País, a realização do ritual no dia 2 de fevereiro começa a desinteressar muitos freqüentadores dos mais de mil terreiros existentes em Florianópolis. Por considerarem que a amontoação de curiosos que se forma em volta das rodas à beira-mar atrapalha a concentração do culto, eles estão optando por fazer suas cerimônias em outras datas para fugir do exibicionismo e conservar a essência do ritual.

"Nos últimos cinco anos, o ritual de Iemanjá está perdendo o sentido de religiosidade e ganhando cara de espetáculo e de exploração. Só falta os centros cobrarem ingresso do público. Muitos já estão dando consultas na praia e cobrando por isso", critica Shirley Nunes, secretária do Conselho Estadual Cristão Espírita de Umbanda e Cultos Afros de Santa Catarina (Ceucasc).

Presidente do Conselho Consultivo do Ceucasc e mãe-de-santo da Tenda Espírita Yansã e Pai Ambrósio (de Barreiros, São José), Shirley, 60 anos, já não faz mais sua obrigação de praia (oferenda) no dia 2 de fevereiro. Ela, outros pais de santo e chefes de terreiro estão preferindo os dias 27, 28 e 29 de dezembro para fazer suas celebrações na beira da praia. "Vamos para lugares mais calmos e em dias mais tranquilos", explica.

Perda da essência

A mãe-de-santo acredita que os festejos de agradecimento, da maneira como são comemorados hoje, perderam sua essência, embora continuem sendo jogados ao mar flores, velas e pedidos. "Turistas e moradores das praias ficam em volta bebendo e dançando com o que chamam de 'sambinha' feito nas rodas. Alguns não entendem o que estamos fazendo mas respeitam. Outros ficam zombando e falando palavrões para quem incorpora alguma entidade. Já vi até gente soltando foguete em cima dos nossos trabalhos", fala, indignada.

Shirley diz que tudo isso afeta o ritual. "Não sei como os pais e mães-de-santo conseguem se concentrar. Na verdade, na presença de estranhos muitos médiuns (seguidores) ficam inibidos ou preocupados. Assim a corrente de energia se quebra e fica difícil se concentrar. A entidade precisa do aparelho (médium) concentrado e preparado para incorporar", detalha.  

Desespero

 "Fico triste que algumas pessoas estejam abusando da bebida e do espetáculo nos rituais e deixando a religião de lado. Os pais-de-santo têm que procurar ajudar as pessoas porque quem procura um terreiro é porque está desesperado. Foi assim comigo, quando tinha 20 e poucos anos e sai atrás de alguém que ajudasse meu filho, que tinha 14 anos e sofria de epilepsia. Fui até para São Paulo e encontrei quem me ajudou. Agora meu filho está com 40 anos anos e não toma nenhum remédio", diz, emocionada. "Hoje agradeço e dou consultas gratuitas para os outros e os orixás continuam me ajudando", complementa.

Energia

Aqueles que ainda fazem oferendas, dançam e entoam cânticos na noite de 2 de fevereiro continuam procurando as praias mais movimentadas da Ilha, como Canasvieiras, Jurerê, Ponta das Canas e Sambaqui. Esses lugares, segundo os religiosos puristas, não são os ideais para a festa por serem baías. Em praias de mar aberto, conforme afirmam, há mais canalização de energia porque a água é mais limpa.

A Festa de Iemanjá sempre foi feita em Florianópolis no dia 31 de dezembro, quando eram feitos agradecimentos pelo ano. Foi por influência do Rio Grande do Sul que os terreiros catarinenses passaram a louvar o orixá no dia de Nossa Senhora dos Navegantes, comemorado hoje.  

Escravos usavam santos para reverenciar orixás

Os orixás cultuados pelos cultos afros têm sua correspondência nos santos da Igreja Católica. Iemanjá, por exemplo, é Nossa Senhora dos Navegantes para os católicos. O sincretismo não é coincidente. Foi proposital, planejado pelos escravos africanos que vieram para a Bahia e que não tinham liberdade para adorar seus orixás.

Para enganar seus senhores, os negros montavam altares nas senzalas com os santos católicos, cada um simbolizando um orixá. Oxalá, o orixá maior, foi representado por Jesus Cristo e assim por diante. Nossa Senhora dos Navegantes (cujo dia também é hoje) foi escolhida para retratar Iemanjá, rainha dos mares e dos oceanos.

Como as senzalas ficavam longe das casas grandes das fazendas, a batucada durante os cultos não era ouvida pelos senhores. "Mas se alguém avisava os escravos que eles estavam se aproximando, tudo era rapidamente transformado para parecer um ritual católico", explica a mãe-de-santo Shirley Nunes, presidente do conselho consultivo do Conselho Estadual Cristão Espírita de Umbanda e Cultos Afros de Santa Catarina (Ceucasc).

Energia da dança

Dançar e cantar eram maneiras de os negros saudarem seus orixás e formarem elos de energia. "A dança e a batida da música tiram as coisas negativas e acrescentam as positivas, equilibrando a corrente e deixando-a com elos fortes que não arrebentam", detalha Shirley.

Depois de tanto dançar, os praticantes se libertam e entram em alfa, quando o processo vibratório dos movimentos e da música provoca a abertura do corpo e permite a incorporação de entidades.

Séculos se passaram e hoje o ritual chegou a ser utilizado como fonte oficial para atrair turistas. "Quando morava em Salvador, eu conhecia candomblés que produziam as cerimônias só para os turistas, com dança, batuque, roupa e tudo muito bonito, como se fosse um teatro. Os médiuns se preparavam para receber os ônibus de turismo agendados com antecedência. Eles dançavam o pé-de-dança igual ao dos orixás e até chegavam a fingir que incorporavam".  

Ao lado de Oxalá, rainha ajuda a reger o ano de 99

Iemanjá, por ser um orixá antigo, ajudará a reger o ano de 1999, junto com Oxalá, o orixá maior, que é branco e da paz. A junção promete muita chuva. "Há até riscos de enchentes. Oxalá é da terra, mas também é da água, e Iemanjá é a rainha dos mares, tem muita força. Como os oceanos ocupam mais espaço do que a terra, haverá muita chuva", analisa a mãe-de-santo Shirley Nunes, do Conselho Estadual Cristão Espírita de Umbanda e Cultos Afros de Santa Catarina (Ceucasc). A confirmação do orixá que comandará o ano é feita pelos búzios, de acordo com o dia de semana que começa o período - sexta-feira, no caso de 1º de janeiro de 1999. (VL)

 

                                                Fonte: Jornal AN CAPITAL – Terça-feira, 2 de fevereiro de  1999

                                                                <http:// na.uol.com.br/ancapital/1999/fev/02/1ger.htm.>

Pesquisa: Apolônio A da Silva

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