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UNIÃO DE CULTURA NEGRA EM SANTA CATARINA |
INFORMATIVO UNIAFRO N.º 02 - Fevereiro de 2001
Rua: Joana Dárc, 1885 –Barreiros –São José – SC - CEP:88113-340
Atendendo aos pedidos de pessoas que queriam saber quem era a Iyalorixá da foto do Informativo nº.01/00, esclarecemos que nossa intenção no primeiro Informativo era homenagear a todas as Iyalorixás, por isso ela não tinha rosto definido."orixá Giloyá
FICHA DE CADASTRO DE ENDEREÇO
Tendo por finalidade convidar vossa senhoria para participar de outros eventos e mantê-los informados sobre as atividades desenvolvidas pela Uniafro, solicitamos a gentileza de preencher essa ficha cadastral para que possamos ter seu endereço atualizado. Grato pela atenção.
TERREIRO/BARRACÃO:
Nome do Responsável:.................................................... Fone:................................
Rua:................................................................ Bairro:............................................
Cidade:............................................................... Estado:.......... CEP:...................

Apolônio A. da Silva - Coord. Administrativo
A UNIAFRO, na pessoa de seus coordenadores, parabeniza a Profª. Cristiana Tramonte pela brilhante defesa de Tese de Doutorado intitulada "Com a Bandeira de Oxalá: Trajetória, práticas e concepções das religiões afro-brasileiras na grande Florianópolis" .
A defesa da tese ocorreu no dia 08/02/2001, às 14:00 horas, na sala 330 do Centro de Filosofias e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina.
Parabéns professora, doutora Cristiana Tramonte pela coragem da escolha do tema escolhido, pela brilhante defesa do tema e, principalmente por valorizar o negro pelo valor de sua própria cultura e não pela cultura que durante séculos a sociedade dominante tentou impor a ele.
Após a defesa da tese, que obteve nota máxima da banca examinadora, a profª. Dr.ª. Cristiana foi recepcionada na sala 322 por seus amigos Umbandistas, que cantaram, a pleno pulmões, sem vergonha de sua cultura, o Hino da Umbanda.
Gente! Isso aconteceu na UFSC e presentes estavam todos os professores doutores e Umbandistas representantes de vários terreiros.
É a Umbanda abrindo novos caminhos.
Axé Cris, que a luz de Oxalá brilhe sempre a frente de teu caminho e que Ele sempre te proteja. Empunhaste a bandeira de oxalá com honra, dignidade e respeito. O "Povo de Santo", como tu o disseste, te agradece de coração.
Omobaomi - Babalorixá
"A memória é uma forma de protesto. Se você não lembra de algo importante Esta automaticamente aceitando quem Sabe, uma atrocidade."
Elie Wiessel – Prêmio Nobel da Paz
Quando falamos de Religiões Afro-Brasileiras estamos nos referindo a um conjunto de Expressões Religiosas que são praticadas em todo do Brasil por pessoas de todas as etnias ( e não apenas por etnias negras), e que são originarias das matrizes africanas, traficadas para o Brasil. Isto é, este conjunto de expressões religiosas são originários do berço africano, e vieram para o Brasil através das diversas etnias africanas ( povos africanos – vários grupos humanos com fenótipos, modelos sociais, econômicos, culturais, religiosos e lingüísticos diversificados), que foram violentamente arrancados de sua terra natal pelos colonizadores europeus, dentro de uma ótica distorcida e questionável, que foi praticada dentro do sistema mercantilista e ou capitalismo comercial em fins do século XV.
Para que haja um conhecimento – mesmo que superficial – das várias Expressões Religiosas Afro-Brasileiras, sentimos a necessidade de trazermos um pouco da história, cultura e trajetória das etnias negras africanas em solo brasileiro, afim de possibilitar o acesso e a chave da compreensão do mundo religioso afro-brasileiro, as formas como se apresenta e ou é praticado pelos milhares de fiéis, praticantes, adeptos e ou simpatizantes em todo Brasil.
Seria imprudente e até leviano tratar e ou falar das Religiões Afro-Brasileiras, como se fossem uma única expressão e ou forma de Religião e Religiosidade. Não podemos nos esquecer de que os povos africanos que foram traficados para o Brasil, eram oriundos de várias etnias e que para facilitar nossa compreensão histórica, podemos subdividi-los em três grandes grupos culturais: grupo dos sudaneses – Yoruba, chamado nagô, Dahomey – designados como jejê e os Fanti-Ashanti conhecidos como minas, além de muitos representantes de grupos menores da Gâmbia, Serra Leoa, Costa da Malaguita e Costa do Marfim; os chamados africanos islamizados – os Peuhl, os Mandinga e os Haussa, também identificados como negros malé e ou alufá; e o grupo dos Bantos – Bantos de Angola e Congo e os Bantos da Contracosta – Moçambique. Na verdade, o contexto em que o negro africano foi inserido e viveu no Brasil, a convivência forçada entre as diversas etnias negras africanas e com outras etnias não-negras promoveu um caldeamento cultural e racial tão intenso que como conseqüência fica difícil distinguir com precisão a Religião que cada etnia africana trouxe de sua origem e de que forma esta se amalgamou para se tornar o que hoje conhecemos como Religiões Afro-Brasileiras.
A concepção de religião do povo africano era diferente dos conceitos ocidentais europeus, para o povo africano, a religião era a essência de tudo, do seu mundo, sua razão e porque da existência. A vida material e religiosa perfaziam um entrelaçamento perfeito, sem divisões, hiatos ou lacunas. No Brasil, devido ao contexto socio-cultural-econômico em que foi inserido, várias reelaborações e adaptações se fizeram necessárias para manter , preservar, repassar, alimentar e realimentar seu universo religioso. E são estas releituras que caracterizam as Religiões Afro-Brasileiras, como por exemplo: na África, cada família, cidade e ou aldeia, cultuava um único Orixá e era uma unidade autônoma, no Brasil, cada centro, roça, barracão ou terreiro também é uma unidade autônoma e tece seu grau de parentesco não mais por laços sangüíneos e sim, por parentesco de " Família de Santo", em vez de se ter o culto a um único Orixá, temos o culto a vários Orixás, Santos ou Entidades, no mesmo espaço.
Entre o Candomblé e a Umbanda existem diferenças distintas e inconfundíveis. Mas, também, dentro dos cultos de Umbanda e Candomblé, existe variações na forma e na elaboração do ritual.
Em algumas regiões brasileiras, existe outras formas de Religiões Afro, além do Candomblé e da Umbanda. No Rio Grande do Sul, predomina o Batuque; no norte, predomina a influência dos elementos indígenas, ela é chamada de Pajelança (Pará e Amazonas), Encantamento (Piauí) ou Catimbó e não existe uma comunidade religiosa em si. Esta expressão religiosa está baseada em dois pontos: a Jurema e o Mundo dos Encantados. Jurema é a planta e suas raízes são utilizadas na invocação dos espíritos. No nordeste, no Estado do Maranhão, tem a Casa de Minas. O núcleo desta religião é formado pelas tradições religiosas yoruba e dahomeana. Em Alagoas e Sergipe a religião Afro-Brasileira chama-se Xangô, que na verdade com pouca variação, é o que se conhece por Candomblé em Pernambuco e na Bahia.
Pesquisa e elaboração: ELZENI FERNANDES CAMARGO
Mestranda em Educação e Cultura – UNIAFRO/SC - UNIÃO DE CULTURA NEGRA DE SANTA CATARINA
A Uniafro não é federação umbandista, mas tem projetos que podem ser desenvolvidos junto com as federações umbandistas ou junto com outros terreiros, não importando as diferentes denominações afro-religiosas. São projetos que visam a divulgação e o engrandecimento das religiões afro-brasileiras e de seus templos. Para que nossos projetos tenham êxito, precisamos de vocês.
Comuniquem-se conosco para que possamos visitá-los e trocarmos idéias.
Seremos vencedores se nos unirmos. Devemos prestigiarmo-nos mutuamente. Valorizar um ao outro. Colaborar uns com os outros. E principalmente, parar de brigar por subjetividades tais como "...isto é certo; aquilo é errado...", pois em religião é muito difícil se definir o que é "certo" e o que é "errado". E isso é quase impossível de se conseguir. Devemos tomar como exemplo os nossos irmãos evangélicos que são unidos em torno de suas igrejas e todos rezam pelo um único livro, a Bíblia e defendem o mesmo ideal. O que pretendo dizer é que precisamos, necessitamos e temos que fazer é sentar 'a mesma mesa e dialogar sobre questões importantes de nossos terreiros, sobre a nossa amada religião afro-brasileira. Devemos buscar novos caminhos para nos tornarmos fortes para sobreviver aos ataques que temos sofrido. Vejam bem: as outras religiões possuem redes de televisão e rádio, revistas, jornais, livros e estão sempre fazendo eventos para divulgar os seus ideais religiosos. Eu pergunto a você leitor, quais meios dispomos para divulgar a nossa doutrina, a nossa fé? Reflitam!
A Uniafro quer ser um mediador, e por isso pede o seu apoio. Nada podemos fazer se não tivermos o apoio de você babalorixá, iyalorixá, filho de santo e simpatizantes das religiões afro-brasileiras.
Contamos com você, comunidade religiosa afro-brasileira. Entrem em contato conosco para participarmos juntos.
Acreditem, podemos mudar nossos rumos em defesa da nossa religião; da nossa fé.
Axé e Luta!!!
Apolônio A da Silva
Coord. Administrativo - Uniafro