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UNIÃO DE CULTURA NEGRA EM SANTA CATARINA |
INFORMATIVO UNIAFRO - N.º 03 - Agosto e Setembro de 2001
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IMPERDÍVEL
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A professora da UFSC/CED, Drª. Cristiana Tramonte estará lançando em breve o seu segundo livro, provavelmente intitulado "COM A BANDEIRA DE OXALÁ - Trajetória Práticas e Concepções das Religiões Afro-Brasileiras na Grande Florianópolis -np", onde aborda, cientificamente, o desenvolvimento das religiões afro-brasileiras na cidade de Florianópolis - SC.
A professora Cristiana também escreveu um outro livro intitulado "O SAMBA CONQUISTA PASSAGEM - As estratégias e a ação educativa das escolas de samba de Florianópolis" onde conta tudo sobre as Escolas de Samba da capital catarinense.
Não Percam! Adquiram esses dois livros! Certamente você terá uma leitura prazeirosa, descontraída e muito instrutiva!
Afirmo. Mesmo aqueles que conhecem muito sobre o carnaval ilhéu e sobre as religiões afro-brasileiras da Ilha da Magia encontrarão muitas novidades e muitas outras coisas, que desconheciam, nestes dois trabalhos, pois esses dois ótimos trabalhos foram centrados em depoimentos de pessoas que vivenciaram os acontecimentos
Entre todos os Orixás nenhum deles é tão incompreendido, discriminado, aviltado igual a Exú. Incompreendido, porque as pessoas, em sua maioria, não o vêem como um orixá cuja função principal, entre outras é claro, é a de ser o mensageiro entre o ser humano (o profano) e os orixás (o sagrado). Discriminado, porque ainda hoje é visto como o diabo, o satanás personagem da cultura religiosa cristã, o anti-Cristo da Igreja.Católica e evangélicas. Aviltado, quando os próprios cultuadores das religiões afro-brasileiras o trata como uma entidade inferior, contribuindo para a manutenção da idéia de que Exú é o diabo e Bombogira é uma prostituta
O que poderíamos fazer para atenuar e mudar essa idéia errônea? Quem sabe poderíamos partir da análise dos pontos cantados para Exú e Bombogira que enfatizam esses aspectos, pois Exú não é, e nem nunca foi diabo ou satanás e Bombogira necessariamente não tem que ser prostituta ou mulher de vida fácil. Nota-se claramente a falta de leitura e de esclarecimento sobre as características dessas entidades que geram concepções erradas relacionadas a estes personagens. Observando as gíras de Exú, com raríssimas exceções, os vemos de preto e vermelho, usando tridente, tal qual as imagens de gesso que são baseadas no diabo ou satanás, Quanto a Bombogira, geralmente são apresentadas como mulheres de vida fácil ou prostitutas. Visto dessa ótica, não posso deixar de fazer alguns questionamentos:
Como posso descrever essas entidades - Exú e Bombogiras?
Será que Exú é realmente o diabo ou satanás e Bombogira tem que ser, obrigatoriamente, uma prostituta ou mulher de vida fácil?
Porque essa Exu em algumas nações é visto como Orixá, podendo até ser dono de "ori" de filhos de santo e em outras esse conceito é totalmente desconhecido?
Por que essa visão de que Exú tem que exagerar no consumo de bebida alcóolica e fumo? Se esse exagero é realmente necessário ele não pode ser coibido ou atenuado por influência dos babalorixás e iyalorixás?
Quem ganha e quem perde com essa visão atual de Exú e Bombogira?
Como essa visão que nos é passada de Exú e Bombogira pode afetar as religiões afro-brasileiras?
Esses questionamentos ficam em aberto para ser respondidos por você, caro leito. Gostaríamos de conhecer e se possível (se você nos autorizar) publicar sua opinião.
Axé e Luta!!!
Apolônio A da Silva
Coordenador Administrativo - Uniafro
PARABÉNS
A Uniafro parabeniza a Tenda Espírita Caboclo Cobra-Verde pelo excelente trabalho de orientação e esclarecimento espiritual que a muito tempo vem sendo praticado por seus dirigentes. Em destaque, o encontro promovido no dia 07/09/2001, em sua sede no Bairro Bela Vista, São José. O evento iniciou às 20:00 e terminou às 22:00 horas, e teve como palestrantes a Profª. Drª. Cristiana Tramonte (UFSC), estudiosa da cultura afro-brasileira, que falou sobre a sua pesquisa científica que deu origem a sua Tese de Doutorado intitulada "SOB A BANDEIRA DE OXALÁ"; e o mestrando em Educação e Cultura, e também estudioso da cultura afro-brasileira, "Cana Barro", que defenderá sua Dissertação de Mestrado no CED/UFSC, cujo tema é o orixá EXÙ. Em sua dissertação o mestrando Cana Barro buscará destacar as verdadeiras características e funções de Exú, orixá-mensageiro tão incompreendido em sua essência africana.
O Informativo Uniafro destaca também a brilhante apresentação do Coral Infantil Cobra-Verde, que abrilhantou a noite com duas lindíssimas músicas que certamente emocionaram todos os presentes.
A Uniafro, na pessoa de seu Coordenador Administrativo e coordenador de edição do Informativo Uniafro, agradece ao convite da T.E.C.C para participar deste evento de relevada importância para a conscientização e esclarecimentos dos problemas inerentes ao culto, bem como aos cultuadores de cultos afro-brasileiros quanto a essência de sua doutrina e busca de soluções para os diversos enfrentamentos.
Axé e Luta!!!
A homenagem será concedida em Sessão Especial, realizada na semana alusiva ao Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro, às personalidades previamente referendadas pelo Plenário da Câmara Municipal de Florianópolis.
Dilton Mota
Rufino
assessor do mandato
Não estaríamos sendo um pouco hipócritas quando nos opomos ao sacrifício de animais aos Orixás? Duas respostas podem ser dadas à esta pergunta. Primeiro: se condenamos o sacrifício de animais deveríamos ser vegetarianos. Segundo: se não somos vegetarianos e sim carnívoros, pois nos alimentamos da carne de animais mortos que são vendidas em supermercados, açougues e peixarias, então somos hipócritas. O motivo é simples e pode ser respondido com outras perguntas: Há diferença entre a carne de um animal sacrificado no terreiro e a de um outro sacrificado em um abatedouro? Creio que não. A carne de um animal abatido em um terreiro tem por finalidade cumprir uma obrigação ritualística e alimentícia, e possui as mesmas propriedades nutritivas que a carne de um animal abatido no abatedouro.
Quanto a finalidade do abatimento do animal em um terreiro de culto afro-brasileiro e o abatimento de um animal em um matadouro, há diferença? Há sim, e muita. Quando um animal é abatido em um matadouro de uma indústria alimentícia ele servirá apenas para alimentar pessoas. A morte desse animal será vista de duas formas:
a) Para o dono do abatedouro, ele animal é visto, apenas, como um bem de consumo e capital, cuja carne será revertida em dinheiro para enriquecê-lo.
b) Para as pessoas que comerão a carne do animal abatido ele é considerado apenas como fonte de proteínas necessária a vida dos seres humanos, que se não obtê-la morrerão de inanição.
Em nenhum dos dois casos pensou-se no direito à vida que aquele animal que foi morto tinha. E alguém condena esse ato? Alguém acha isso inumano? Não! Ninguém acha isso errado, a não ser os vegetarianos que por convicção humanitária não vêem necessária à sua sobrevivência a morte de um animal, pois para eles a carne animal é dispensável.
Nos terreiros afro-brasileiros há a prática de sacrifício de animais, sim. Não vamos ser hipócritas em negar ou mascarar esse fato. Entretanto, esse sacrifício pode explicado. Os animais são mortos para se cumprir um ritual e alimentar as pessoas que lá estão participando desse ritual religioso. Qual a diferença de comer da carne de um animal abatido em frigoríficos ou abatido no quintal de sua casa? O sabor da carne é o mesmo, não é mesmo? Se você quiser comer a carne de um animal preparada a molho-pardo, como todo cozinheiro sabe, você irá necessitar do sangue do animal para preparar o molho. Você compra sangue de animal em supermercados? Se você não consegue comprá-lo em supermercados você terá que abater o animal em sua casa, para além de aproveitar a sua carne também aproveitar o sangue para o molho.
Qual o significado da palavra "Sacrifício"? Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa - MEC, 11ª ed., 15ª tiragem, " "Sacrifício" significa oferta solene à divindade, em vítimas ou donativos; imolação de vítima em holocausto; a morte de Cristo; a missa; privação de coisa apreciada; renúncia em favor de outrem; abnegação ". Na Bíblia está escrito que animais deveriam ser sacrificados para aplacar a ira ou agradar a Deus. Lá está escrito que Jeová, o Senhor Deus dos hebreus, solicitou que Abraão sacrificasse o seu próprio filho em holocausto, sendo que no momento exato da imolação Deus disse a Abraão para sacrificar um cordeiro, que foi concedido pelo próprio Jeová. Era costume dos africanos oferecer às suas divindades parte de suas caças em agradecimento as benesses concedidas por eles. Esse costume veio paro o Brasil. Então, por que criticar maldosamente os cultos afro-brasileiros por causa dos sacrifícios de animais realizados em seus terreiros quando a intenção é agradar a divindade e alimentar pessoas. Lá nada é desperdiçado, tudo é aproveitado. Para ter-se razão em criticar o sacrifício de animais nos cultos afro-brasileiros ter-se-ia que ser vegetariano por convicção e não por modismos. Não se deveria comer nenhum tipo de carne. Nem mesmo peixe. Ou será que a vida do peixe não é tão importante quanto a vida dos mamíferos e aves?!. Ou será que os peixes não têm o mesmo direito a vida que têm os outros animais, inclusive o animal chamado homo sapiens.
Não desejo fazer apologia ao sacrifício de animais nos terreiros afro; pelo contrário, acho que deveríamos evitar o sacrifício de animais sempre que possível, substituindo-o por outras práticas alternativas, como por exemplo a oferta de frutas, comidas com base em vegetais, que em algumas ocasiões é possível. Deveríamos mantê-lo apenas naqueles rituais em que ele é extremamente necessário e imprescindível, onde realmente não há a possibilidade de ser substituído, e que os bons babalorixás e iyalorixás bem os conhecem. Substituí-lo é possível com o tempo, mas impossível de uma hora para outra; da mesma forma que é impossível mudar os hábitos carnívoros que acompanham o ser humano desde a sua evolução, e que também vem mudando, mas ao longo do tempo. Há barbárie que existe nos sacrifícios de animais nos terreiros afro-brasileiros é a mesma barbárie que há no ato de se alimentar dos seres humanos.
Omobaomi - Babalorixá
VENHA CONOSCO!!!
VENHA COM A UNIAFRO!!!
JUNTOS, CULTUADORES DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRA EM SANTA CATARINA, SEREMOS FORTES. TEMOS QUE NOS UNIR. FILHOS DE SANTO, TERREIROS, TERREIROS, FEDERAÇÕES.....
QUEREMOS DIALOGAR COM VOCÊS!!! COMUNIQUEM-SE
Contatos: Apolônio
Coord. Adm. - UNIAFRO/SC - http://www.uniafro.hpg.br/
e-mail: uniafro@ieg.com.br
fones: 346-2673 ou 910-20975
SEM COMENTÁRIOS!!! A IMAGEM DIZ TUDO!!!
POR QUE TANTO ÓDIO E TANTA VIOLÊNCIA NO MUNDO?! SERÁ QUE A HUMANIDADE NÃO PODE VIVER EM PAZ, RESPEITANDO SUAS DIFERENÇAS CULTURAIS, RACIAIS E RELIGIOSAS?! ATÉ QUANDO TEREMOS QUE CONVIVER COM ESSA INTOLERÂNCIA?! QUANDO A HUMAMANIDADE PODERA CONVIVER EM PAZ, COMO IRMÃOS, CONFORME JESUS PREGAVA?!....