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UNIÃO DE CULTURA NEGRA EM SANTA CATARINA |
INFORMATIVO UNIAFRO N.º 08 - Fevereiro de 2002
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DISTRIBUIÇÃO GRATUÍTA
SARAVÁ IEMANJÁ ORIXÁ REVERENCIADO NO MÊS DE FEVEREIRO
Nome: Yemanjá
Filiação: Odudua e Olokum
Elemento: água salgada
Domínio: maternidade e pesca
Cores: branco transparente; rosa-claro; azul-claro; azul e branco; prata (depende da nação)
Saudação: Odôiá! Ou Odô-fé-yiabá!
Data festiva: 2 de fevereiro
Dia votivo: sábado
Axé: pedra branca colhida no fundo do mar, colocada em porcelana azul, cercada por conchas e outros elementos marinhos. Símbolo: abebé redondo (leque) de metal prateado, adornado com figuras de peixes.
Uma Lenda
Yemanjá, filha de Olokum, cansada de sua permanência em Ifé, onde era rainha-deusa e esposa de Olofim, rei de Ifé, foge de Ifé em direção ao oeste, o entardecer da Terra. Olokum, seu pai, por medida de segurança havia lhe dado uma moringa contendo uma mágica fortíssima, que ela deveria quebrar no chão quando estivesse em extremo perigo. Olofim, rei de Ifé, mandou seus guerreiros a procura de Yemanjá, com ordem expressa de trazê-la de volta a Ifé a qualquer custo. Cercada pelos guerreiros de Olofim, Yemanjá joga a moringa no chão, que ao quebrar-se cria, imediatamente, um rio cujas águas correntes levam Yemanjá para Okum (oceano), reino de Olokum.
Cotas para negros em universidades O ESTADO DE MINAS Opinião 10/01/2002-01-30Autor: Anônimo - Lenda de domínio polular
(WILLIAM DOUGLAS)
Juiz titular da 4ª Vara Federal de Niterói, professor universitário
Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos - Jesus (Lucas 5:31.) Como autor de artigo favorável à criação, nas universidade públicas, de cotas destinadas a alunos oriundos de colégios públicos, sinto-me muito à vontade para condenar com veemência a infeliz idéia de reservar 40% das vagas nas universidade para pessoas de raça negra. Negra ou de qualquer outra raça. Se é que existem raças... A idéia de distinguir pessoas pela cor da pele é profundamente equivocada., inconstitucional e, ao invés de diminuir, realimenta a discriminação a discriminação em virtude da cor ou do conceito ultrapassado de raça. A medida é equivocada por vários motivos: (1) Cotas pressupões uma inferioridade, cotas são para mais fracos. Admitir que qualquer raça ou grupamento étnico delas necessite significaria admitir a superioridade de outra(s). E cremos que todos os homens nascem iguais independentemente de sua cor ou etnia: (2) A medida lança um estigma sobre os beneficiados, que poderão passar. O resto da vida tendo a competência questionada ao confrontar-se com o chavão de que só chegaram lá porque têm cotas. Dizer isto em relação às pessoas, tudo bem, mas jamais em relação a uma pretensa raça; (3) Não há meios razoáveis de se verificar a raça de qualquer povo senão pelos tenebrosos critérios de cor da pele (enganoso) ou genético, meios de identificação de triste lembranças; (4) A medida estaria discriminando outros grupos, como índios, que em tese também mereceriam cotas. E o que dizer dos pardos, dos mestiços, de outros grupos que já foram ou são vítimas de preconceito? Também teriam cotas? Ao final, todo o país seria classificado de acordo com seu genes! (5) Utilizar a desculpa do passado para promover discriminações para o futuro é apenas reincidir em erros pretéritos, tentar corrigir uma distorção criando novas ou repetindo-as apenas em sentido contrário. Pior do que não atacar os problemas sociais é tentar combatê-los de modo equivocado, violando a Constituição (criando problemas ainda maiores e fazendo as pessoas terem que discutir se são brancas, negras, mestiças etc., quando o que se quer é que todas valham por seus méritos e caráter, sem olharmos sua pele, etnia ou código genética. Precioso também não confundir cotas para raça com o que temos na Uerj e Uenf. É preciso deixar claro que Estado do Rio de Janeiro, em iniciativa louvável e positiva, criou cotas para pessoas mais pobres alcançarem a Universidade, oferecendo uma forma de compensar as dificuldades econômicas. Independentemente da cor. Isto é bom para a democracia. As pessoas pobres são inegavelmente mais fracas na luta pelas vagas nas universidades públicas e corrigir essa distorção vai permitir uma maravilhosa revolução pela via do acesso à educação. Todos nessa condição serão beneficiado. Só restará às universidade criarem mecanismos para não baixar a qualidade do ensino, mas sim resgar esses cidadões que passarão a chegar ao topo, de onde poderão servir de estímulo aos demais, obter melhores empregos etc. É preciso tomar cuidado para que a União, ao tentar imitar a excelente medida do Estado do Rio de Janeiro, não o faça de modo equivocado. Cotas para os comprovadamente pobres, sim. Para alguém por causa de sua cor ou etnia, qualquer que seja ela, positivamente não.
Racismo O NORTE - PB Opinião 18/01/2002
No Brasil, país que tem uma das mais avançadas Constituições do mundo, o racismo é crime. Há uma tradição humanistica no país, graças ao esforço de seu povo, formado de uma miscigenação racial. Mas, ao mesmo tempo, por uma questão cultural, ainda não nos libertamos do ranço racista, que se aprofundou desde o período da escravidão. Apesar dos dispositivos legais, por força da Constituição, há discriminação contra os negros, cuja qualidade de vida no Brasil é comparável a de países atrasados, como a Argélia, onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) vai de médio a baixo. Enquanto os brasileiros brancos têm IDH digno de países desenvolvidos e ricos. Esta diferença é resultado da distorção salarial. A constatação é do economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os brancos recebem salários, em média, mais que o dobro. Aplicando a mesma metodologia do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a população brasileira de 1999, que era formada por 54% de brancos, 5,4% de pretos e 39,9% de pardos. Segundo a ONU (1999), entre 162 países o Brasil ficou em 69º lugar, junto com a Arábia Saudita e Filipinas. O estudo do economista mostra que brancos ficariam em 46º lugar e negros em 101º. A educação aparece como fator de diferença. O número de pessoas analfabetas com mais de 15 anos subiu de 78% entre negros e 91% entre brancos para, respectivamente, 80,2% e 91,7%.Negros também têm expectativa de vida menor, 65,12 anos contra 71,23 anos. Há uma corrente que defende medidas como as cotas para negros na universidade. Na realidade, isto pouco ou nada adianta. As causas fundamentais desta vergonha nacional, que é o racismo, são de ordem social e cultural. É necessário um esforço muito grande para extirpar esse mal de nosso país, inclusive com uma intensa e permanente campanha educativa generalizada, principalmente nas escolas de todos os níveis Os brasileiros precisam se conscientizar que o racismo, que lembra os crimes contra os negros na África do Sul, é uma
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FOLHA DE SÃO PAULO Editorial 08/01/2002
ABISMO RACIAL
Num exercício eloqüente, um pesquisador calculou as diferenças na qualidade de vida de brancos e negros no Brasil. Brancos ocupam o equivalente ao 46° lugar no ranking do IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, criado pela ONU; negros e mulatos estão na 101ª posição. Na classificação oficial, sem distinguir os dois grupos, o Brasil fica em 69°. O IDH leva em consideração indicadores como educação, expectativa de vida e renda per capita. A primeira constatação que se impõe a partir do trabalho de Marcelo Paixão, professor da Universidade Federal do Rio, é a de que a população branca tem um nível de vida compatível com o de países relativamente ricos. No ranking das Nações Unidas, quem ocupa a 46ª posição entre as 162 nações avaliadas é a Croácia. Em 45° lugar estão os Emirados Árabes Unidos. Ambos são apontados pelo IDH como países de alto desenvolvimento humano. Já negros e mulatos ficam ao lado de nações como Vietnã (101° lugar) e Argélia (100ª posição), que têm índice de desenvolvimento de médio para baixo. Em bom português: são países subdesenvolvidos. A rigor nem era necessário um trabalho acadêmico para mostrar que negros e mulatos no Brasil vivem pior do que brancos. Mas é perturbador constatar o fosso que separa esses dos grupos é tão profundo. Entre as mais urgentes necessidades do Brasil está a de promover a integração racial. Num país em que a cor da pele mais separa os mais ricos dos mais pobres, resolver o problema do racismo é quase sinônimo de solucionar a desigualdade. Ações afirmativas devem ser implementadas. O caminho é o da educação. É preciso garantir que negros tenham a oportunidade de estudar e freqüentar universidades. Esta Folha se opõe à reserva de quotas em instituições públicas, o que apenas criaria novas injustiças, mas defende políticas ativas de inclusão.
FESTA DE YEMANJÁ
" Dia dois
de fevereiro,
dia de festa no mar.
Eu quero ser o primeiro,
À saudar Yemanjá..."
Dia dois de fevereiro as praias da Ilha de Santa Catarina, também conhecida como Ilha da Magia, estavam repletas de adeptos do culto afro-brasileiro que foram à praia para jogar flores no mar para Yemanjá. Antigamente essa festa era realizada no dia 31 de dezembro mas, segundo depoimentos de alguns babalorixás e ialorixás, a data está sendo mudada por causa da festa de "reveillon" e também por causa da influência da data comemorativa em Salvador (BA). A cada ano cresce mais e mais essa festa nas praias do litoral catarinense, principalmente nas praias da ilha. Os horários são diversos. Dependendo da preferência de cada sacerdotes, alguns preferem entregar no mar as oferendas a noite; outros preferem fazer o ritual no período diurno por motivo de segurança. Independente da homenagem ser a noite ou de dia a festa é algo maravilhoso. Vermos os filhos de santo, todos vestidos de branco, acendendo as velas e colocando as flores, perfumes e fitas, água-mineral, champanhe, todos os presentes levados à Rainha do Mar na areia da praia é maravilhoso. O rufar dos atabaques e o canto de fé dedicado a mãe da maioria dos orixás enche o ar de vibração e alegria. Quando o barquinho, geralmente pintado de azul e branco, que está cheio com as oferendas dedicados à Inaê é levantado aos ombros dos filhos de santo a vibração é total. É um momento de beleza único. A homenagem a Yemanjá, por ser uma festa aberta por ser realizada em local público mistura o profano e o sagrado. O sagrado é representado pelos filhos de santo que estão na praia em demonstração pública de fé nos Orixás africanos; e o profano por causa da platéia que está ali apenas para ver a homenagem, mas sem se envolver em termos de fé. Entretanto, também há aqueles que embora não compartilhem da crença nos Orixás africanos, naquele momento, não se sabe por qual motivo, também participam da homenagem à Yemanjá jogando flores brancas ao mar. Yemanjá é sem dúvida o Orixá mais venerado, conhecido e comemorado pelo povo brasileiro, pois é o único a ter oficialmente dois dias festivos, 31 de dezembro e 2 de fevereiro, em todo o território nacional.
O INFORMATIVO UNIAFRO AGRADECE AO CENTRO ESPÍRITA LUZ DIVINA - CELD PELA GENTILEZA DE TER CEDIDO AS FOTOS PARA ILUSTRAR ESTE TEXTO . OBRIGADO A TODOS DO CELD.
AXÉ !
Apolônio A. da Silva - Coord. Adm - Uniafro/SC
VOCÊ SABIA !...
Essa crença, conhecida como a Lenda da Verruga, nasceu entre os judeus no período da Inquisição. Antes de compreendermos a origem da lenda, é preciso saber que a Inquisição foi uma espécie de tribunal formado por integrantes da Igreja Católica, entre os séculos 12 e 15, com o objetivo de localizar, investigar e punir àqueles que praticassem atos considerados prejudiciais à fé católica. Entre os grupos perseguidos pelos inquisidores, estavam os judeus. . Por conta disso, os judeus eram impedidos de ocupar posições importantes na sociedade e até de celebrar os costumes da religião, como, por exemplo, o shabbat, palavra que em hebraico significa dia de descanso no qual os fiéis se reúnem para orar e festejar. Vale lembrar que a palavra sábado, dia de descanso para o cristãos, é originária de shabbat. . Foi a partir dessas condições é que surgiu a lenda. Como o shabbat começa a ser comemorado no anoitecer da véspera, com o aparecimento da primeira estrela no céu, muitos judeus costumavam apontá-la na maior empolgação, iniciando a comemoração. No entanto, como tinham de esconder suas identidades, eles não poderiam apontar as estrelas, pois estariam se auto-denunciando. Como as crianças judias não compreendiam isso, os adultos diziam a elas que cada vez que apontassem as estrelas no céu, ganhariam uma verruga no dedo!. Com o passar do tempo, perdeu-se a noção de que essa história foi inventada e ela acabou se propagando entre os diversos povos da Europa, sendo trazida para o Brasil no período da colonização portuguesa.Por que dizem que nascem verrugas no dedo quando apontamos para as estrelas?
Matéria colhida na internet - Rosália Bariccelli Verduro,
Centro Educacional Etip, - Santo André
FOME NOTURNA PODE ESTAR ASSOCIADA AO "STRESS"
A síndrome da fome noturna caracteriza-se pela ausência de apetite no período diurno e um aumento de apetite no período noturno, gerando insônia na maioria dos individuos que sofrem deste mal. Segundo alguns cientista, esse problema é causado pelo estresse que as pessoas ficam submetidas durante o dia. Conforme Grethe S. Birketvedt, pesquisadora na Univesidade de Tromso, na Noruega, e responsável por esse estudo, as pessoas que desenvolvem o hábito de comer à noite é causado pela liberação de determinados tipos de hormônios. A equipe da pesquisadora chegou a essa conclusão depois de analisar os padrões de secreção hormonal produzido pelo organismo quando está sob estesse. Comparando a atividade hormonal desenvolvida em dois grupos de mulheres: um grupo de mulheres que sofriam da síndrome e outro grupo de mulheres que não sofriam da síndrome. O grupo de cientistas observou que o grupo de mulheres que sofria da síndrome após as oito horas da noite acordavam pelo menos uma vez para comer. Para testar a sua teoria os pesquisadores aplicaram 100 microgramas de hormônio liberador do corticotropina, que é produzido pelo organismo em resposta ao estresse e estimula a liberação de outros tipos de hormônios que também são liberados quando alguem está sob estresse. Após a injeção, as mulheres do grupo da síndrome apresentaram aumento não muito acentuado e gradual em seus homônios do estresse seguido de sua diminuição. Por outro lado, as mulheres do grupo que não sofriam da síndrome apresentaram rápido aumento significativo na produção dos hormônios seguido também de uma diminuição gradual, relataram os pesquisadores na edição de fevereiro do American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism. Em resposta ao estimulo que foram induzidas, a secreção homonal nas mulheres que sofriam da síndrome foi tão forte quanto àquelas que não sofriam. A pesquisadora Birketvedt relatou que a equipe também sofreu os efeitos do estresse causado pelo monitoramento do grupo. Isso foi constatado após a verificação do hormônio cortisol em seus organismos. Como resultado, a pesquisa indicou que o relacionamento entre a glândula supra-renal, que libera o cortisol, o hipotálamo, onde fica o centro do apetite, e a glândula pituitária, onde os hormônios são produzidos ficam fora de controle. A conclusão a que os cientistas chegaram é que para as pessoas que sofrem da síndrome é normal que comam tarde e acordem no meio da noite em busca de alimento . Para os cientistas, os resultados da pesquisa apontam para a possibilidade de se descobrir um tratamento que permita ao relógio biológico voltar a funcionar de forma normal novamente. Enquanto um novo tratamento não chega, as pessoas que têm esse problema (a síndrome da forme noturna) devem pensar no que vão comer antes de irem dormir. A cientista Birketvedt aconselha aos seus pacientes a ingerirem alimentos ricos em carboidratos, não ingerir medicamentos para dormir ou antidepressivos e tomar melatonina trinta minutos antes de ir dormir para reduzir o risco de acordar no meio da noite "morto de fome"
Pesquisa na Internet
Texto: Apolônio A. da Silva
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