De:   Fernando de Paula Cortezzi Filho Cortezzi <fernandodeoxala@gmail.com>
Data:   8/02/2007 (10:25:21)
Assunto:   Fwd: Invasão Cambomblé - BH (Repassando de um ou tro grupo de estudos que faço parte. UM ABSURDO!)
Prioridade:   Normal
Para:  gmaron@uol.com.br, marcelo.oliveira@uai.com.br
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Polícia Militar Invade Candomblé em BH
 

Na última Quinta-feira, dia 01 de fevereiro, às  14:00 horas, sob a alegação de que a Polícia Militar havia recebido uma denúncia  anônima de que na Comunidade-Terreiro UNZO ATIM NZAZE YIA OMIN, havia  uma pessoa em cárcere  privado, a Tenente-PM Dálrea de Souza Braga comandou  uma ação arbitrária, desrespeitosa e extremamente preconceituosa contra a comunidade religiosa, não levando em consideração as noções básicas de  respeito à Constituição Federal que assegura o livre direito de Culto  Religioso. 
  
Mesmo sem nenhum esboço de resistência por parte dos líderes religiosos, que mesmo sem entender o que estava acontecendo, convidou os militares a  entrarem no terreiro para que ali fossem notificados do que estava acontecendo, a militar responsável pela operação  optou por chamar reforços e o que se viu a partir daí foi um show de truculência e desrespeito a todos que se encontravam no terreiro. Várias viaturas  militares com homens fortemente armados de fuzis invadiram o terreiro, sem explicação, indo  inclusive até o roncó/camarinha, onde se encontravam  muzenzas recolhidas. A tenente responsável pela operação demonstrando uma total incapacidade de ocupar a função, foi grosseira e sem educação com os  presentes.    

Com arma em punho ameaçou prender os sacerdotes, declarando publicamente sua  intolerância , seu  preconceito. A Tenente nada explicou aos líderes religiosos, não apresentando nenhum documento que a amparasse na invasão ao  templo. A única coisa que disse foi que estava a procura de uma pessoa de nome Gabriela que estaria ali no local em cárcere  privado, tendo da Zeladora de Inkisse Micaianjá a resposta de que ali não havia ningúem com este nome, que tinha sim muzanzas recolhidas e que uma delas se  chamava Daniele e mais duas sobrinhas sua de nomes Bruna e Patrícia ao que a Tenente disse que havia errado o nome e que procurava Daniele. Mesmo  não apresentando nenhum documento esta, se sentiu no direito de tratar as pessoas que ali se encontravam arbitrariamente, ostentando  grotescamente seu aparato militar, contra pessoas indefesas e inocentes.    

Não podemos mais permitir que este tipo de violência  contra nossa prática religiosa, não podemos nos calar diante de ações que só reforçam a existência da intolerância religiosa, do preconceito  e do racismo. O CENARAB e outras entidades do movimento negro social se fez presente no terreiro e  nossa assessoria jurídica elaborou a representação  que está sendo encaminhada às autoridades competentes. Na sexta-feira, dia 02, fomos até o Comando Militar responsável pela região onde está  localizado o Terreiro e denunciamos o fato. Mas não pararemos aí, amanhã segunda-feira, dia 05, entregaremos a representação à Corregedoria de Polícia Militar, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia legislativa e ao Comando de Policiamento da Capital.    

Sabemos que fatos como estes não são exceções e que se nos calarmos e fingirmos que nada aconteceu estaremos reforçando a  impunidade e  a arbitrariedade. Por isso, conclamamos a todos se unirem a nós nesta luta. Independente do credo e da fé de cada um, o que está  em jogo é nossa  cidadania e nossos direitos. 

Venha se encontrar conosco nesta terça-feira, dia 06 de fevereiro, na Praça da Rodoviária, às 16 horas. Vamos protestar contra a  violência policial. Venha de roupa branca ou traga algo branco para demonstrar sua simpatia a nossa causa. Sozinhos não teremos a visibilidade  necessária a nossa causa, se você se juntar a nós seremos vários buscando  justiça. 

 
Makota Celinha Gonçalves

Coordenadora Nacional do CENARAB 


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