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Polícia Militar
Invade Candomblé em BH
Na última
Quinta-feira, dia 01 de fevereiro, às 14:00 horas, sob a alegação de que a
Polícia Militar havia recebido uma denúncia anônima de que na Comunidade-Terreiro
UNZO ATIM NZAZE YIA OMIN, havia uma pessoa em cárcere privado, a
Tenente-PM Dálrea de Souza Braga comandou uma ação arbitrária,
desrespeitosa e extremamente preconceituosa contra a comunidade
religiosa, não levando em consideração as noções básicas de respeito à
Constituição Federal que assegura o livre direito de Culto Religioso.
Mesmo sem nenhum esboço de resistência por parte dos líderes religiosos,
que mesmo sem entender o que estava acontecendo, convidou os militares a
entrarem no terreiro para que ali fossem notificados do que
estava acontecendo, a militar responsável pela operação optou por chamar
reforços e o que se viu a partir daí foi um show de truculência e
desrespeito a todos que se encontravam no terreiro. Várias viaturas
militares com homens fortemente armados de fuzis invadiram o terreiro, sem
explicação, indo inclusive até o roncó/camarinha, onde se encontravam
muzenzas recolhidas. A tenente responsável pela operação demonstrando
uma total incapacidade de ocupar a função, foi grosseira e sem educação com
os presentes.
Com arma em punho ameaçou prender os sacerdotes, declarando publicamente sua intolerância , seu preconceito. A Tenente nada explicou aos líderes religiosos, não apresentando nenhum documento que a amparasse na invasão ao templo. A única coisa que disse foi que estava a procura de uma pessoa de nome Gabriela que estaria ali no local em cárcere privado, tendo da Zeladora de Inkisse Micaianjá a resposta de que ali não havia ningúem com este nome, que tinha sim muzanzas recolhidas e que uma delas se chamava Daniele e mais duas sobrinhas sua de nomes Bruna e Patrícia ao que a Tenente disse que havia errado o nome e que procurava Daniele. Mesmo não apresentando nenhum documento esta, se sentiu no direito de tratar as pessoas que ali se encontravam arbitrariamente, ostentando grotescamente seu aparato militar, contra pessoas indefesas e inocentes.
Não podemos mais permitir que este tipo de violência contra nossa prática religiosa, não podemos nos calar diante de ações que só reforçam a existência da intolerância religiosa, do preconceito e do racismo. O CENARAB e outras entidades do movimento negro social se fez presente no terreiro e nossa assessoria jurídica elaborou a representação que está sendo encaminhada às autoridades competentes. Na sexta-feira, dia 02, fomos até o Comando Militar responsável pela região onde está localizado o Terreiro e denunciamos o fato. Mas não pararemos aí, amanhã segunda-feira, dia 05, entregaremos a representação à Corregedoria de Polícia Militar, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia legislativa e ao Comando de Policiamento da Capital.
Sabemos que fatos como estes não são exceções e que se nos calarmos e fingirmos que nada aconteceu estaremos reforçando a impunidade e a arbitrariedade. Por isso, conclamamos a todos se unirem a nós nesta luta. Independente do credo e da fé de cada um, o que está em jogo é nossa cidadania e nossos direitos.
Venha se
encontrar conosco nesta terça-feira, dia 06 de fevereiro, na Praça da
Rodoviária, às 16 horas. Vamos protestar contra a violência policial. Venha
de roupa branca ou traga algo branco para demonstrar sua simpatia a nossa
causa. Sozinhos não teremos a visibilidade necessária a nossa causa, se
você se juntar a nós seremos vários buscando justiça.
Makota Celinha Gonçalves
Coordenadora Nacional do CENARAB
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