CEBRID
CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS
Departamento de Psicobiologia
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo
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Com apoio de:
- Ministério da Saúde
- Coordenação Nacional de DST e Aids
- COSAM (Coordenação de Saúde Mental)
- Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas
Divulgação:
- UNDCP e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
PAPOULA DO ORIENTE
OPIÁCEOS
OPIÓDES
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Ópio e Morfina
Definição
e histórico
Muitas substâncias com grande
atividade farmacológica podem ser extraídas de uma planta chamada Papaver
somniferum, conhecida popularmente com o nome de papoula do oriente. Ao se fazer cortes na cápsula da papoula,
quando ainda verde, obtêm-se um suco leitoso, o ópio (a palavra ópio em grego
quer dizer suco).
Quando seco este suco passa a se chamar pó
de ópio. Nele existem várias substâncias com grande atividade. A mais
conhecida é a morfina, palavra que
vem do deus da mitologia grega Morfeu, o deus dos sonhos.
Pelo próprio segundo nome da planta
somniferum, de sono, e do nome morfina, de sonho, já dá para fazer uma idéia
da ação do ópio e da morfina no homem: são depressores do sistema nervoso
central, isto é, fazem nosso cérebro funcionar mais devagar. Mas o ópio ainda
contém mais substâncias sendo que a codeina
é também bastante conhecida. Ainda, é possível obter-se outra substância, a
heroína, ao se faze pequena modificação
química na fórmula da morfina. A heroína é então uma substância semi-sintética
(ou semi-natural).
Estas substâncias todas são chamadas de drogas
opiáceas ou simplesmente opiáceos,
ou seja, oriundas do ópio; podem ser opiáceos
naturais quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, codeína) ou opiáceos
semi-sintéticos quando são resultantes de modificações parciais das
substâncias naturais (como é o caso da heroína).
Mas o ser
humano foi capaz de imitar a natureza fabricando em laboratórios várias substâncias
com ação semelhante à dos opiáceos: a meperidina,
o propoxifeno, a metadona são alguns exemplos. Estas substâncias totalmente sintéticas
são chamadas de opinóides (isto é, semelhantes aos opiáceos).
Estas substância todas são colocadas em
comprimidos ou ampolas, tornando-se
então medicamentos. A tabela ao lado dá exemplos de alguns destes
medicamentos.
|
Opiáceo
ou Opióide |
Indicação
de uso médico |
Nomes
comerciais dos medicamentos |
Preparações
farmacêuticas |
|
Naturais: |
|
|
|
|
Morfina |
Analgésico |
Morfina |
Ampolas;
comprimido |
|
Pó
de Ópio |
Anti-diarréico;
Analgésico |
Tintura
de ópio; Elixir Paregórico; Elixir de Dover |
Tintura
alcoólica |
|
Codeína |
Antitussígeno;
Analgésico |
Belacodid;
Belpa; Codelasa; Gotas Binelli; Naquinto; Setux; Tussaveto;
Tussodina; Tylex; Pastilhas Veabon; Pastilhas Warton; Benzotiol |
Gotas;
comprimidos; supositórios |
|
Sintéticos:
Meperidin ou
Petidina
|
Analgésico |
Dolantina;
Demerol; Meperidina |
Ampolas;
comprimidos |
|
Propoxifeno |
Analgésico |
Algafan,
Doloxene A; Febutil; Previum Compositum; Femidol |
Ampolas;
comprimidos |
|
Fentanil |
Analgésico |
Fentantil;
Inoval |
Ampolas |
|
Semi-Sintético:
Heroína |
Proibido
o uso méico |
_
|
_
|
|
Metadona |
Tratamento
de dependentes de morfina e heroína |
Não
existe no Brasil |
_ |
|
Zipeprol |
Antitussingeno |
Eritós;
Nantux; Silentós; Tussiflex |
Gotas;
xaropes; supositórios |
* A classificação do Zipeprol como uma substância com ação de opiáceo foi recente. A intoxicação com esta substância pode com freqüência vir acompanhada de convulsões.
Efeitos no cérebro
Todas as drogas tipo opiáceo ou opióide
têm basicamente os mesmo efeitos no SNC: diminuem a sua atividade. As diferenças
ocorrem mais num sentido quantitativo, isto é, são mais ou menos eficientes em
produzir os mesmos efeitos; tudo fica então sendo principalmente uma questão
de dose. Assim temos que todas essas drogas produzem uma analgesia e uma hipnose
(aumentam o sono): daí receberem também o nome de narcóticos que significa
exatamente as drogas capazes de produzir estes dois efeitos: sono e diminuição
da dor. Recebem também por isto o nome de drogas hipnoanalgésicas. Agora, para algumas drogas a dose necessária
para este efeito é pequena, ou seja, elas são bastante potentes como, por
exemplo, a morfina e a heroína; outras, por sua vez, necessitam doses 5 a 10
vezes maiores para produzir os mesmos efeitos como a codeína e a meperidina.
Algumas
drogas podem ter também uma ação mais específica, por exemplo, de deprimir
os acessos de tosse. É por esta razão que a codeína é tão usada como
antitussígeno, ou seja, é muito boa para diminuir a tosse. Outras têm a
característica de levarem a uma dependência mais facilmente que as outras; daí
serem muito perigosas como é o caso da heroína.
Além de deprimir os centros da dor, da
tosse, e da vigília (o que causa sono) todas estas drogas em doses um pouco
maior que a terapêutica acabam também por deprimir outras regiões do nosso cérebro
como por exemplo os que controlam a respiração, os batimentos do coração e
pressão do sangue. Como será visto, isto é muito importante quando se analisa
os efeitos tóxicos que elas produzem.
Via de regra as pessoas que usam estas substâncias
sem indicação médica, ou seja, abusam das mesmas, procuram efeitos característicos
de uma depressão geral do nosso cérebro: um estado de torpor, como que
isolamento das realidades do mundo, uma calmaria onde realidade e fantasia se
misturam, sonhar acordado, um estado sem sofrimento, o afeto meio embotado e sem
paixões. Enfim, um fugir das sensações que são a essências mesma do viver:
sofrimento e prazer que se alternam e se constituem em nossa vida psíquica
plena.
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Efeitos no resto do corpo
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Efeitos tóxicos
Outro
problema com estas drogas é a facilidade com que elas levam à dependência,
ficando as mesmas como o centro da vida das vítimas. É quando estes
dependentes, por qualquer motivo, param de tomar a droga,ocorre um violento e
doloroso processo de abstinência, com náuseas e vômitos, diarréia, câimbras
musculares, cólicas intestinais, lacrimejamento, corrimento nasal, etc, que
pode durar até 8-12 dias.
Além do mais o organismo humano se torna
tolerante a todas estas drogas narcóticas. Ou seja, como o dependente destas não
mais consegue se equilibrar sem sentir os seus efeitos ele precisa tomar cada
vez doses maiores, se enredando cada vez mais em dificuldades, pois para
adquiri-las é preciso cada vez mais dinheiro.
Para se ter uma idéia de como os médicos
temem os efeitos tóxicos destas drogas basta dizer que eles relutam muito em
receitar a morfina (e outros narcóticos) para cancerosos, que geralmente têm
dores extremantes fortes. E assim milhares de doente de câncer padecem de um
sofrimento muito cruel, pois a única substância capaz de aliviar a dor, a
morfina ou outro narcótico, tem também estes efeitos indesejáveis. Nos dias
de hoje a própria Organização Mundial da Saúde tem aconselhado os médico de
todo o mundo que nestes casos, o uso contínuo de morfina é plenamente
justificado.
Felizmente, são pouquíssimos os casos de
dependência com estas drogas no Brasil, principalmente quando comparado com os
problemas de outros países.
Entretanto, nada garante que esta situação
não poderá modificar-se no futuro.
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O que é o CEBRID?
O
CEBRID é o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas que
funciona no Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São
Paulo), antiga Escola Paulista de Medicina. É uma entidade sem fins lucrativos
e existe exclusivamente para ser útil à população. Para cumprir esta função
o CEBRID ministra cursos, palestras e reuniões científicas sobre o assunto
Drogas , publica livros, faz levantamentos sobre o consumo de drogas entre
estudantes, meninos de rua, etc., mantém um Banco de trabalhos científicos
brasileiros sobre o abuso de drogas (mais de 2.000) e publica Boletim
trimestral.
O
CEBRID é constituído por uma equipe técnica composta de especialistas nas áreas
de medicina, sociologia, farmácia-bioquímica, psicologia e biologia.
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Endereço
para correspondência:
Universidade
Federal de São Paulo
Rua
Botucatu, 862 – 1º andar
Fax:
(011) 5084.2793
(Cópia Fiel do
Texto Original)