QUANTOS DÍZIMOS SÃO NECESSÁRIOS PARA CALAR A BOQUINHA DO BÓRIS?
Aconteceu o que todos os jornalistas previam: nem uma palavra do Boris Casoy sobre o escândalo do dizimão (mais de R$ 10 milhões), que o presidente da Igreja Universal do Reino de Edyr Macedo, deputado João Batista Ramos (PFL-SP), carregava em sete malas, em um jatinho da seita.
Uma vergonha para o jornalismo da TV Record, que paga com muitos milhares de dízimos o tal Boris para ele ficar deitando editoriais contundentes contra a corrupção e escândalos financeiros, menos quando ocorrem nos gabinetes dos patrões, ao lado do seu, na redação da emissora.
O crescimento dessa seita é espantoso e a Rede Record de Televisão sem contar as inúmeras rádios AM e FM espalhadas pelo Brasil é um de seus patrimônios mais visíveis a denunciar a montanha de dinheiro que a sustenta.
Adquirida por 40 milhões de dólares "fantasmas", até hoje corre (ou está engavetado, por conveniência ou conivência) no Supremo Tribunal Federal um processo para se apurar a origem dessa fortuna mal explicada.
A Igreja Universal do Reino de Edyr Macedo é uma máquina de lavagem de cérebros e dinheiro, que a Justiça deixa rolar em nome da liberdade religiosa.
É espantoso o espetáculo daquela multidão de pobres fiéis, nos templos da seita, expressões contorcidas, beirando o histerismo, suas mentes sendo conduzidas pelos pastores-impostores, que lhes prometem milagres por atacado, o mais tentador, o da riqueza.
Os versículos da Bíblia preferidos por eles são os que falam em dízimos.
Quem tiver estômago e conseguir conter por um instante a revolta, observe os pastores-impostores na programação da Record. Engravatados, se assemelham a executivos orientando aplicações financeiras, embora suas expressões e palavreado os denunciem claramente como meliantes incursos no art. 171, que trata de extorsões e induções que levam pessoas incautas a perderem dinheiro. O que eles vendem são curanderismo e voodoos que dizem ser infalíveis para a conquista da prosperidade.
A quantidade de pastores-impostores da Igreja Universal do Reino de Edyr Macedo na política é cada vez maior - ocupando centenas de cadeiras desde as câmara de vereadores ao senado federal. Por pouco não atingiram seu maior objetivo até aqui: a prefeitura do Rio, quando na eleição passada um deles, chamado Bispo Crivella, foi o segundo lugar, derrotando partidos e nomes tradicionais da política carioca.
A seita não é mais um ovo de serpente. É a própria serpente, que cresce sem que nenhum mecanismo de Justiça tenha força suficiente para estancar seus tentáculos tenebrosos, que penetram ardilosamente nas mentes especialmente dos trouxas mais carentes que sonham em ficar ricos ou nas loterias ou através dos "milagres" que os pastores-impostores lhes prometem. É como diria o tal Bóris, arauto da moralidade, quando os 171s são de outro partido, que não seja o da seita do Reino de Edyr Macedo: uma vergonha! Do outro, Paulo Henrique Amorim, âncora de um jornal "diferente" no horário das 18h, o maior canastrão do jornalismo da TV brasileira, também nem um pio sobre o dizimão apreendido.
Afinal, quantos dízimos são necessários para calar a boca desses dois profissionais que enlameam o Jornalismo sério, ético e responsável, pregado e debatido no excelente programa Observatório da Imprensa, apresentado por Alberto Dines, pela TV Cultura. Fica a idéia de pauta para o próximo programa.
Oscar Macedo Filho - Jornalista aposentado
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| 22/07/2005 (11:36:19) | |
| De: | apolonio@hotmail.com |
| Assunto: | Fw: Boris Casoy |
| Prioridade: | Normal |