SÃO SEBASTIÃO

Reverenciado pela igreja católica e cultos afro-brasileiros no dia 20 de janeiro,  São  Sebstião  é  sincretizado  com  Oxossi, Ogum,  Omulú  e ObaluayêÉ  o  padroeiro  do  Rio  de  Janeiro  e  também  protege  a humanidade  contra  a  peste, a fome  e as guerras. O martírio de São Sebastião, na versão do  pintor  renascentista Andrea Mantegna, está representado na obra ao lado direito e  faz parte do acervo do Museu de Viena, na Áustrea.


 ão Sebastião  nasceu em  Narvonne, França, terra natal de seu pai, no final do século  III, e  desde  muito  cedo  seus  pais se mudaram para Milão, cidade de sua mãe, onde ele cresceu e foi educado. Seguindo o exemplo materno, desde criança, São Sebastião sempre se mostrou forte e piedoso na fé.

Quando adulto, alistou-se como militar, nas legiões do Imperador Diocleciano, que até então ignorava o fato de Sebastião ser um cristão de coração. A figura imponente, a prudência e a bravura do jovem militar tanto agradou ao Imperador, ele o nomeou comandante de sua guarda pretoriana pessoal. Enquanto comandante, o São Sebastião se tornou o grande benfeitor dos cristãos encarcerados em Roma. Visitava com freqüência as vítimas do ódio pagão. Com palavras de dádiva, consolava e animava os cristãos que seriam martirizados na arena.

São Sebastião foi denunciado como cristã por um soldado de seu próprio exército. O Imperador Diocleciano sentiu-se traído e ficou perplexo ao ouvir do próprio Sebastião que era cristão. Em vão, o Imperador tentou fazer com que ele renunciasse ao cristianismo, mas ele se defendeu com firmeza, apresentando os motivos que o animava a seguir a sua fé, e a socorrer os aflitos e perseguidos. Sentindo-se traído, Diocleciano, o Imperador, enfurecido ante aos sólidos argumentos daquele cristão autêntico e decidido, ordenou aos seus soldados que matassem Sebastião a flechadas. A ordem foi cumprida imediatamente, e em descampado, São Sebastião foi despido e amarrado a um tronco de árvore, e contra ele foram atiradas várias flechas, que feriram seu corpo. Depois desse martírio, Sebastião foi abandonado à própria sorte para que sangrasse morrer.

À noite, Irene, mulher do mártir Castulo, foi, com algumas amigas, ao lugar da execução para retirar o corpo de Sebastião que ainda se encontrava preso à árvore e dar-lhe sepultura. Surpreendentemente viram que ele ainda estava vivo. Desamarraram-no, e Irene o escondeu em sua própria casa, onde cuidou dos ferimentos causados pelas flechas e cordas que o amarravam. Restabelecido, São Sebastião continuou a evangelizar o povo, e em vez de se esconder, com valentia apresentou-se novamente ao Imperador Diocleciano, a quem censurou pelas injustiças cometidas contra os cristãos, que eram acusados de inimigos do Estado romano.

Diocleciano ignorou os pedidos de Sebastião para que deixasse de perseguir os cristãos, e imediatamente ordenou que ele fosse espancado a pauladas e golpes de bolas de chumbo até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma, para impedir que os cristãos o venerassem. Segundo alguns pesquisadores, esse fato aconteceu entre os anos de 287 e 278 a.C. O corpo de São Sebastião foi encontrado por uma mulher chamada Luciana, que mais tarde foi canonizada pela Igreja Católico Apostólica Romana como sendo Santa Luciana. Segundo seu relato, o mártir São Sebastião apareceu-lhe em sonho e lhe pediu que seu corpo fosse encontrado e sepultado nas catacumbas onde eram sepultados os cristãos.

No século IV, foi construída, em sua homenagem, uma basílica perto do local do sepultamento, junto à Via Appia, e seu culto foi difundido por todo o mundo católico. No ano de 680, suas relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje. Por coincidência ou não, nessa mesma época, uma terrível peste assolava Roma, levando à morte muitas pessoas. Essa epidemia simplesmente desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais desse santo mártir, que passou a ser venerado como o padroeiro contra a peste, a fome e a guerra. Também em Milão, em 1575, e em Lisboa, em 1599, ocorreram pestes epidêmicas que foram exterminadas após atos públicos onde as pessoas suplicavam a intercessão espiritual de santo mártir junto a Deus para que a peste fosse embora.

Um dos temas preferidos dos pintores do Renascimento é o martírio de São Sebastião, retratado, entre outros, por Bernini, Botticelli, Mantegna, Perugino e El Greco. Nessas obras, o santo é mostrado como um belo jovem com o corpo atravessado por flechas.

São Sebastião é muito venerado em todo o Brasil, onde muitas cidades o têm como padroeiro; entre elas, a cidade do Rio de Janeiro, a mais conhecida, Trancoso na Bahia, Presidente Prudente, Taquaritinga, Ribeirão Preto em São Paulo, São Sebastião no litoral norte paulista, São Sebastião do Paraíso e Alpinópolis em Minas Gerais, entre muitas outras.

A Igreja Católica o reverencia no dia 20 de janeiro; também nessa mesma data o fazem as comunidades dos cultos religiosos afro-brasileiros em seus terreiros e barracões, tais como a Umbanda e o Candomblé. Na Umbanda, São Sebastião é sincretizado com Oxossi, orixá da caça e que tem como símbolo o arco-e-flecha; no Candomblé é sincretizado com Ogum, orixá da guerra e de personalidade forte e decidida. Também em outros rituais ele é sincretizado com Omulú e Obaluayê, por causas das chagas causadas pelos ferimentos causados pelas flechas. São Sebastião, além de ser o padroeiro de diversas cidades no Brasil e no mundo, é o protetor dos atletas, dos soldados e guardião do amor, devido à demonstração de amor e fé dedicada sua crença aos princípios fundamentais do cristianismo.


ORAÇÃO A SÃO SEBASTIÃO

Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão. Hoje nós viemos pedir vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por quem destes a vida.

Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por nós para que nós sejamos testemunhas do amor de Deus.

Vós que esperastes com firmeza nas palavras de Jesus, pedi a Ele por nós para que aumente nossa esperança na ressurreição.

Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para que aumente nosso amor para com todos.

Enfim, glorioso mártir São Sebastião, protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra; defendei nossas plantações e nossos rebanhos que são dons de Deus para o nosso bem, para o bem de todos.

E defendei-nos do pecado, que é o maior mal e causador de todos os outros.

Amém!

PRECE DA LIBERTAÇÃO DOS ÍDOLOS

Deus, nosso Pai, São Sebastião testemunhou corajosamente que vós sois o único Senhor e Deus; somente a vós devemos obediência e temor reverente. Como no tempo de São Sebastião, são tantos também hoje os "senhores', os ídolos que reclamam nossa obediência incondicional. Para dominar as consciências e os corpos recorrem à força, à tortura, aprisionando-nos no medo e sujeitando-nos à escravidão. Mas vós, com braço poderoso, tirastes vosso povo cativo no Egito e celebrastes com ele a Páscoa da Libertação. Por isso Senhor, por intercessão de São Sebastião, nós vos pedimos: não nos deixeis à mercê dos ídolos, dos falsos deuses que nos esvaziam e roubam de nós a dignidade e liberdade de filhos de Deus.


 Bibliografia:

 http://www.arvoredavida

 http://www.nsauxiliadora.org.br

 http: //www.sitedossantoscatólicos/servicodafé.com.br