ABSURDOS

 

           Por diversas vezes, ouvi alguns “dirigentes” desavisados afirmarem absurdos que qualquer indivíduo que tenha um mínimo de tirocínio, certamente, haverá de discordar. São pessoas que não concatenam a realidade e a lógica dos fatos e com sua ignomínia, contribuem para que a imagem da Umbanda seja denegrida e chacoteada. Elas se assemelham aos vendilhões que traficam o que não lhes pertence, fazendo de seus Guias e Protetores, meras mercadorias, adquiridas por outrem, através de imaginárias negociações, como se esses Entes do Plano Etéreo, trabalhadores da seara divina, fossem reles objetos expostos nas prateleiras de algum supermercado qualquer, a espera de que, movido por uma ação impulsiva ou compulsiva, alguém sinta irresistível vontade de possuí-los em sua particular coleção de raridades. Já testemunhei patéticas declarações, feitas por inescrupulosos “pais e mães-de-santo”, não apenas comandantes, ainda inexperientes, devido ao pouco tempo em que se acham à frente de seus terreiros, mas também agravando ainda mais a situação, que partiram de antigos “sacerdotes” tidos como respeitáveis e competentes. Tais elementos, na tentativa de agradarem seus prediletos da casa, prometem dar-lhes, “de presente”, essa ou aquela Entidade Espiritual componente de sua coroa mediúnica. Até determinados exus, esses sujeitos ousam dizer que doarão para seus filhos de fé, de modo tal que venham a lhes suprir a carência de uma força de “esquerda” em suja vibratórias. Só falta embrulhá-los em papel especial e decorado acompanhado de um cartão de felicitações. Alguns desses cegos e pretensiosos “lideres”, chegam a preparar rituais e festas suntuosas, inventadas, exclusivamente, para essa finalidade. E o pior: depois de propalarem o gesto que, em suas parcas mentes se revelam como de incomparável magnanimidade, depois de se acharem rodeados pelos paparicos e pelas loas de seus súditos, verão, com consciência dos fatos, esses infelizes contemplado, forjarem incorporações, apenas para agradá-los ou não desagradá-los. Tal atitude, certamente, instigará outros “médiuns” e os levará a aceitá-la como verdadeira, gerando um grande perigo de despertar nos mais incautos, certa inveja e o desejo de receber prêmio igual ou superior ao de seu confrade. Oras! Quem determina quais tarefeiros e respectivas linhas de atuação que, por meio da psicofonia irão se manifestar neste ou naquele sensitivo, são os “Senhores do Karma” (Mestres de altíssima elevação que cuidam de todo o nosso processo reencarnatório e nos atribuem as missão às quais estaremos destinados e nos outorgam as devidas capacidades de acordo com o nosso próprio mérito e não de um qualquer”, preso a um corpo carnal e que, às vezes, tem uma ascendência espiritual muito inferior à daqueles que se propõe a laurear. Houve um dia em que, um desses “chefes de templo”, propôs, diante de meus olhos, que, já que quase não mais incorporava um Caboclo, iria dá-lo a um de seus discípulos. Também chegou ao meu conhecimento o caso de um “pai-de-santo” que, tendo Exus de sobra como guardiões de sua cabeça, ordenou que um deles passasse a ser Guia de esquerda de um dos seus componentes da engira, aliás, aquele que lhe despertava mais simpatia e dizem que a Entidade lhe acatou às ordens e segue cumprindo, até hoje, duas determinações. Já vi doações de Pretos-Velhos, Caboclos, Erês, Pombagiras, Baianos, Ciganos e até de Orixás, que no ritual de Umbanda não incorporam em ninguém, mas que, (o fizeram)!!!(?), obedecendo a tamanho poder, inclusive observei esses falsos profetas cedendo Guias Chefes de Falanges aos seus seguidores, como se suas intensas energias fossem compatíveis às nossas, encarnados que mal conseguimos suportar o calor do sol que, no universo, representa uma simples estrela de 5ª grandeza. Se você é médium na verdadeira acepção da palavra, não caia nessa. Os espíritos não nos pertencem e nenhum de nós possui meios de transferi-los, ao bel prazer, de um a outro interposto. Eles sim, é que são donos de nossas coroas e, caso não os queiramos mais como nossos escudos, simplesmente se afastam, sem questionamentos, e procuram aproximar-se e ajustar-se a outros verdadeiros médiuns que possuam o mérito de poder servi-los.

Seja paciente e aguarde. Dia virá em que seus autênticos Guias haverão de, espontaneamente manifestar-se, iluminados pela verdade derivada da honra e glória que se faz emanar da imorredoura chama que constituirá esse elo, porque tem origem no âmago do Criador.

 

Texto de Pai Sílvio F. da Costa Mattos, extraído de seu livro: “Casos Reais Acontecido na Umbanda” (no prelo).

 

Fonte utilizada pela Uniafro: Jornal Umbanda Branca – APEU – Associação de Pesquisas Espirituais Ubatuba – nº 30 - Ano II – Novembro/2007